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O caderno de Márcia

Jurou que diria. Falava pra si mesmo: “Chegando lá digo assim, na cara!”

E passou o caderno pra outra mão. “Márcia, eu te amo! Não! Melhor... Márcia, sabia que eu te amo muito... que te amo! Eu... Ah!” E levava a mão a testa. Passou o caderno da uma mão pra outra.

Parou no meio da rua. Pensou. Será que não era melhor desistir? Ir embora e depois devolver o caderno dela? Vai que ela risse na cara dele? Ele suou com essa possibilidade. Segurou o caderno com as duas mãos. “Não, eu sou um homem ou não? Vou lá e digo, assim na cara: Márcia, te quero!” Ergueu o queixo tentando se enganar.

É verdade que era apaixonado. Sempre fora. Também, linda como era Márcia, qualquer um se apaixonava. Porém, era covarde. E devia haver uma lei proibindo covardes de se apaixonarem. Ou uma lei impedindo covardes apaixonados de tentarem mudar o destino. Idéia besta essa. Ele insistia: “Márcia, achei seu caderno, e fiquei feliz, pois era um sinal, um sinal do destino. Eu vi que poderia ser um sinal do destino, sabe como, do destino...” E já gaguejava.

Já estava perto da casa dela. Coração batendo rápido. Jurava que iria dizer, jurava que olharia nos olhos dela. Passou o caderno de uma para outra mão. Passou a mão na cabeça. Passou pela cabeça sair dali e esquecer daquilo. E chegou. Parecia que ia morrer!

Tocou a campainha suando e com o coração a mil.

Márcia abriu a porta. Ninguém. Só seu caderno perdido deixado sobre o muro.

Márcia sorriu.
Guilherme Drumond
Enviado por Guilherme Drumond em 25/10/2005
Código do texto: T63410
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Sobre o autor
Guilherme Drumond
Rio Bonito - Rio de Janeiro - Brasil, 37 anos
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Guilherme Drumond