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A AMANTE

"... e diga-me: quando de tua esposa irias receber os carinhos que te dou, diz-me? Durante todo esse tempo em que me visitas nunca me encontraste suja, mal vestida ou cheirando a cebola. Nunca me ouviste reclamar de nada, fazer cobranças, ter ciúmes ou te negar sexo" - indagou-o, passando os dedos por entre os cabelos dele.
- É querida, você tem razão. Realmente você sempre está disponível, a qualquer hora posso te procurar sem que me causes problemas.
- Comigo você tem muito menos gastos do que com ela. O que ela lhe deu em troca que eu não dei em dobro? Eu quero saber, então, quando é que vais tomar uma decisão? Eu estou esperando por isso há muito tempo! - disse ela passando a escova em seus lindos cabelos sedosos.
- Se não fosse por um detalhe, eu até já teria tomado a decisão - ele se justifica.
- E que detalhe é esse, amor?
- Minha linda, nós nunca seremos uma família. - respondeu ele vestindo as polainas.
- E por que não? - disse ela retocando os lábios com batom vermelho.
- Querida, você nasceu para ser amante – retrucou-a, enquanto colocava dois contos de Réis debaixo de um bibelô, sobre a bancada do pixixê.
- Até quando querido, até quando?... - disse ela, cabisbaixa.
- Escolhas querida, escolhas... - respondeu ele, fechando a porta.

     Em pensamento, ele agradeceu-a por ter lhe permitido uma ótima reflexão. Voltou para o seu lar sentindo-se um outro homem. Entrou na sala e viu seus lindos filhos alegres e sadios, brincando com o cachorro sobre o congóleo. Jogou o chapéu sobre o mancebo e, emocionado, abraçou e beijou a todos de uma forma que jamais havia experimentado. Sorrindo, entrou na cozinha e viu a sua fiel escudeira de avental, em meio a pratos, temperos, panelas e frigideiras esfumaçadas. Sentindo o seu coração disparar, abraçou-a fortemente por trás e beijou-lhe o rosto. Naquele momento sublime, pela primeira vez, ele sentiu se renovar um sentimento que achava não mais existir dentro de si: o amor e a paixão por aquela mulher, a mãe de seus filhos. A única que lhe proporcionou um verdadeiro lar, uma família.
- Eu te amo querida!
- Eu também amor!

       Naquele instante, emocionado e apaixonado, ele a convidou para fazerem amor. Resmungando, ela lhe disse que aquela hora era imprópria, e que estava muito ocupada e cansada.
      Ele sentou à mesa e se conformou. Ficou pensando nas últimas palavras de sua amante... Sua esposa realmente não nascera para ser sua amante. Ainda bem!
ZIBER
Enviado por ZIBER em 03/09/2007
Reeditado em 26/01/2015
Código do texto: T637123
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
ZIBER
São Vicente - São Paulo - Brasil, 69 anos
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