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Anamnese


Um fulano de humor austero e sonhos parnasianos. É assim que tenho me descrito pras pessoas. Essas, nem notaram minha participação nos mirabolantes projetos terrestres pra evolução da massa. Tenho assistido muita televisão no horário nobre. Ficar num lugar quieto, num lugar onde o som mais ensurdecedor seja o dos pulmões inflando e esvaziando, como bexiga de festa de aniversário. Esses, não mais me deixam contente, percebi que as dobras do corpo doem. As mocinhas faziam filas na porta do meu 18, e morava lá ha menos de três meses, o dia do despejo foi pouco comemorado por elas. Mandei gravar o nome de cada uma numas tabuinhas cuneiformes, elas acharam meio estranho esse negócio das tabuinhas, mas todas me deixaram beijos melados e estrangulados nos lábios de meninas. Os cacos de vidro espalhados por todos os lugares que passo me lembram os estilhaços na cozinha e o grito de fúria antes de uma vida inteira de sonhos destruídos, agora não vou mais culpar ninguem além do cara do noticiário. Pronto. Somente um amigo querido pode entender minha indignação com aquele cara dos noticiários.

As mesas têm estado muito limpas. Chegando a me constranger, isso é demais pra mim. Os demônios têm me evitado mas não tô virando um cara legal. Tô definhando num humor cada vez mais obsceno. Isso fazia minhas meninas apertarem cada vez mais forte aquelas almofadas. E sem as devidas e imundas almofadas não se forma fila alguma meu bem. Nunca consegui ser o tal malandro, o mais longe que fui foi até o limite vazio de umas mulheres incríveis, e nem lá consegui fazer algo bom. Trouxa? Acho que uma vida de vacilos não me dá título oposto.
No dia em que eu conseguir passar sem ser visto e dizer tudo na cara de quem não estiver nem me enxergando já me darei por satisfeito.

Os grelinhos que passaram por mim confirmam minha honestidade. O mau caráter é coisa da mídia e das portas dos banheiros públicos. Não tenho pudor em dizer que sou um puta cavalheiro, chupo os grelinhos estalando os dedos num ritmo babaca e romantico. Tenho, hoje, aspirações etéreas e mulheres que se vão. Mais que isso é quase desrespeito com a própria sorte. Perco meu tempo tentando encontrar soluções pra problemas insolucionáveis, é isso. Consequentemente muita gente vai pro buraco comigo. Êta companheirismo!

Má vontade não explica o fato de eu não saber fazer uma boa massagem, mas essa é outra estória e não vou prolongar por hora. Tive um fim de semana tumultuado. Começou dum jeito magnífico, tudo parecia de acordo com a posição da lua e com aquelas coisas que algum astrólogo revendedor de cosméticos botou lá no jornal. Mas foi uma merda mesmo. E os estilhaços tão lá por toda parte e minha cara tá toda fodida e minhas lembranças ficaram perdidas na cadeira de uma delegacia. Dá até uma boa história pra se ler sentado na privada. Porque lá, quando você chegar no último parágrafo, é só pressionar a hydra e e deslizar o neve... na minha vida, o máximo é catar os cacos, meter todos no bolso e sair por aí pra despejá-los novamente.



Klaus
Enviado por Klaus em 04/09/2007
Código do texto: T638219

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Sobre a autora
Klaus
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