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pé no rabo (o seu, no meu)

Conjuguei o verbo desistir. Não foi fácil, ainda mais quando se descobre que nunca houve nada além de sua própria sombra ao lado. As grandes mentiras vem à tona assim, quando conjugamos o verbo (seja qual for). Foram duas semanas com esse músculo, o coração, aos saltos, as lágrimas corriam na face na direção do beijo esperado. Idiotamente ainda acreditava que depois desses dias de chuva fina ainda poderia esperar por alguém no portão. Só me resfriei, que bosta.
Sempre disse a elas, mordam garotas, mordam depressa, logo irão perceber que a única coisa que te restou foi essa saia suja de porra. Era moleza dizer isso a elas, pô. Sabia usar um fio dental sem deixar de fazer carinha de boneca. Isso dá certo, saca? Mas eu acreditei nas flores murchas e no champanhe barato. Aprendi a fazer panquecas e caprichei nas massagens. Tudo uma grande piada que me deixou no sofá rindo sozinha. Um grande amor na minha vida... um talão de cheques sem fundos, todos nominais.
A vantagem de se ter amado uma vez é que você descobre a diferença de um orgasmo pra uma gozada, de sexo pra Sexo, coisas assim. Acreditar em coelho da páscoa é menos frustrante. Não interessa se você mija em pé ou se forra o vaso do banheiro público pra sentar, a coisa devia dar certo caralho.
Tenho vontade de subir num balão, desses de novela mexicana, e sair por aí mostrando os peitos pelos céus da cidade de São Paulo. Vingança? Não não, sempre tive essa idéia a amadurecer na cabeça, aproveitei a oportunidade pra deixar registrado.
Vou dizer pra minha mãe o que é esse tal de relacionamento duradouro que ela tanto ficando me jogando nas fuças. Começa no seu ouvido, passa entre o aro do bojo do seu sutiã e vai até o buraco que a gente (as bonecas) temos entre uma perna e outra. Esse aí é o sexto sentido feminino, pode ter certeza.
Choraminguação e desespero nunca foram de baixar em mim, mas me vi numa poça de lama com purpurina e um monte de carne seca, acho que estive apaixonada. Mas não sou dessas que indicam o polegar pro Leste com o joelhinho a vista, eu tiro logo é o jeans, despenteio o cabelo e jogo a fumaça pro alto fazendo nuvenzinha, ta achando o que cara. Eu cuspo esse amor na cara do meu gato e me racho de rir com ele todo tonto rodando pela sala. Sou das Minhas. Sugo tudo.
Acho legal quando vem aquela vontade de chorar no escuro, aquele medão escroto de ficar sozinha na pista. Mas na mesma hora que me vem tudo isso eu escarro um orgulho que geralmente deixo bem escondido. Mulher tem que ser mais que isso, mais que um buraco entre duas pernas com meia calça, mais que uns peitos durinhos, tem sim, mulher tambem respira pô.
Amei, até a medula, todinho o amor, acabou e não tô infeliz, nem quero me inscrever numa dessas terapias ou coisas do tipo aqui-tem-sempre-uma-amiga-pra-você-se-abrir. Vou abrir é outra coisa pra elas, isso sim.
Acabou antes do fim, começou de um jeito louco, agora tenho um passado. Olha que coisa, um passado. Um grande amor e a lembrança das melhores fodas e das mais melosas conversas no telefone. Compro agora novos sapatos, pra uma nova caminhada (quanta filosofia de WC heim).
A pancada não me derrubou e ainda tenho uns chicletes na bolsa. O frio acaba te levando pra uns lugares legais. "Táxi..."

Klaus
Enviado por Klaus em 04/09/2007
Código do texto: T638220

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Sobre a autora
Klaus
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Klaus