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Sonhos

   Sabe...
   As vezes penso que sou como qualquer pessoa; as vezes sou levado a crer que algumas coisas presencio pro alguma razão que desconheço.
   Dia desses eu estava sentado na casa de uma amiga, coisas simples e dentro do normal, para aqueles que assim o classificam.
  Ate que a menina do lado veio a mim e sorriu, sorri de volta, ela uma menina de uns oito anos, após ela me olhar com sorriso aproximou-se sua tia, que empunhando uma faca pegou-a pelo braço e levou-a em direção ao jardim, permaneci observando; ela segurava a mão da menina e cavava um buraco na terra, segurando algumas plantas e conjurando uma reza q não compreendi devido a distancia, mandava que a menina repetisse.
   Não me importo com crenças desde que sigam normas comuns de comportamento. Aquilo não me pareceu correto segundo minhas crenças, mas não precisava parecer, afinal não era problema meu.
   A menina ao terminar o ritual que sua tia lhe levou a fazer aproximou-se de mim, e como se eu tivesse lhe perguntado com os olhos respondeu-me que estava com uma íngua embaixo do braço, bem, eu levaria ela em um medico para averiguar uma possível inflamação, ao que me parece a sua tia estava fazendo algum tipo de reza contra a tal íngua.
   Lembrei-me de tantas outras coisas que povoam a mente das pessoas em pleno século 21, com entrada na era robótica, temos rituais que beiram os primeiros séculos.
   Em outra ocasião me dei de fronte com uma senhora colocando um barbante vermelho na testa de uma menina que soluçava e conjurava alguma reza que também não me recordo, alias nada difícil eu esquecer, tenho esses problemas de esquecer tudo aquilo que considero irrelevante.
   Tantas crenças em tão pouca gente.
   Talvez seja essa mistura de continentes.
   Curioso é que com tanta informação persistem no ser humano tantas superstições.
   Me faz lembrar de uma noite onde não tinha tempo.
   Não sei se sonhava, não sei se dormia; uma das coisas que sei é que foi uma noite muito longa para que eu pudesse esquecer.
   Eu estava em minha cama, era madrugada, ouvi uma voz, me chamava, suave.
   Olhei para minha janela e  estava uma noite daquelas bem brilhantes onde alua parece gritar para os nossos olhos.
   Sai ate meu quintal esperando que não fosse absolutamente nada, mas como sempre gostei de olhar o luar não me custaria nada, eu já não tinha mais sono.
   Toco meus lençóis e desloco-os para o lado.
   Tento achar meus chinelos sem acender a luz.
   Calço-me e o brilho da noite me guia ate a porta.
   Um sussurro novamente me guia ate a janela para tentar localizar a voz.
   Antes que eu chegasse ate a porta da cozinha um vento frio tomou-me pelas pernas e rodeou-me como um pequeno tufão.
   Toquei a porta e quando abri; lá estava eu deitado abrindo os olhos, era um sonho.
   Tão real. Tão sutil.
   O vento as cores, ate a lua estavam tão reais...
   Resolvi levantar para beber água, o engraçado é que a janela do quarto em meu sonho era do lado contrario onde ela realmente esta, observei que como no sonho a lua pedia para ser observada.
   Calcei-me e fui ate a porta do quarto.
   Quando a abri quase surtei, afinal ouvi um sussurro assim como no sonho, mas sou adulto e não iria me importar com isso.
   Continuei de encontro a pia sem acender as lâmpadas, tenho costume de levantar durante a noite e mesmo sem aquela luz intensa do luar não encontro problemas em ir ate a pia ou banheiro.
   Ao pegar o copo para enche-lo de água vejo uma sombra sobre a janela passando como um vulto, imaginei ser o gato de minha vizinha, ora ele costumava deitar sobre um sofá que tínhamos no quintal, gosto de gatos, dirigi-me ate a porta.
   Quando aproximei-me dela um vento tomou-me pelas pernas e rodeou-me ate o pescoço, sorri da coincidência, mas ao tocar a porta, lá estava eu novamente em minha cama.
   Olhei a minha volta e já não achei graça nem normal.
   Apalpei o colchão para ter certeza que não estaria sonhando e incomodado sentei-me.
   Ouvi o sussurro que dizia algo que não consegui entender.
   Não levantei em direção a porta. Dessa vez dirigi-me ate a janela.
   Toquei-a e a umidade da madrugada estava lá, mas eu não sentia, não havia frio, nem calor, a janela estava lá, a umidade também, mas eu não sentia, agora eu sabia que não estava acordado.
   Dirigi meu olhar para o restante do quarto que curvava-se como se as paredes fossem de chocolate derretendo, ai sumiu a umidade da janela, com um passo eu estava novamente na cozinha, mas não tinha pia, nem porta, só o vento, vento que tomava minhas pernas e me transformava em nevoa.
   Abro meus olhos e lá estou eu na minha cama novamente, nem frio, nem calor.
   Com um salto estou na janela que esta iluminada pela lua.
   Nem umidade, nem calor.
   Oh D´us! O que esta acontecendo?
   Olho para o auto e vejo a lua
   Estou em meu quarto. Nem teto, nem paredes, nem chão...
   Apenas o vento.
   Vento que me toma pelos pés e vem ate a cabeça me fazendo esquecer por que estou olhando para o auto.
   Abro meus braços e sou tomado novamente pelo vento, mas dessa vez ele me aquece, me envolve como um manto, parece que estou em meio a uma nuvem, leve, sem medo nem questões, minha mente esta completamente livre de qualquer pensamento.
   Então uma vez mais pergunto o que estará acontecendo.
   Abro os olhos e estou novamente envolto aos meus cobertores.
   Nem lua, nem luz, nada.
   Tudo escuro. Tudo quieto.
   Dou um sorriso, que sonho louco e volto a dormir.
   Agora não mais levanto, nem sonho, nem acordo.
   Pela manha recordo-me do sonho, ou seriam sonhos? Como saberei?
   Apenas olhos as crenças, as praticas e imagino que pessoas precisam acreditar em algo para lhes trazer conforto, talvez eu nem tenha sonhado, porém por hora prefiro acreditar que foi apenas um sonho.

 

Ricardo J Schneider
Enviado por Ricardo J Schneider em 04/09/2007
Código do texto: T638501
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Ricardo J Schneider
Santo André - São Paulo - Brasil
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