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Melhor um pássaro na mão do que dois voando?

Era uma vez, um homem que fazia armadilhas e capturava pássaros. Certo dia, pegou um pássaro estranho. Pesquisou e descobriu que esse pássaro era raro, mas tão raro, que provavelmente só existiam dois exemplares em todo o mundo. Ele, todo orgulhoso, colocou-o na gaiola, cercou-a com alarmes de última geração, chamou a imprensa e começou a cobrar uma pequena taxa de quem quisesse ver o tão fenomenal pássaro. Aos poucos, a fila dos visitantes foi aumentando, e aumentou tanto que ele começou a enriquecer.
Ora, em uma manhã de sol, ouviu um canto estranho na árvore do seu quintal.  E qual não foi sua surpresa quando, ao verificar, percebeu que se tratava de outro exemplar daquela espécie tão rara. Por cinco dias, ele armou sua armadilha, mas o outro pássaro não se deixava capturar. O homem, então, começou a traçar um plano: o pássaro veio por causa daquele que estava aprisionado. Se ele abrisse a porta da gaiola rapidamente, poderia capturar o outro também, mas corria o risco de deixar fugir o primeiro e ficar sem nenhum. Então, ele lembrou que aqueles eram os únicos exemplares vivos daquela espécie. Aves raríssimas, que poderiam deixá-lo rico. Pena que essas aves selvagens não se reproduzem em cativeiro, senão ele poderia ficar ainda mais rico, vendendo os filhotes. E agora, o que fazer? Ficar somente com um pássaro ou tentar capturar o outro, correndo o risco de perder também o primeiro? Lembrou do ditado: “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando”. Será mesmo? Analisando toda a história, ele se decidiu: abriu a porta da gaiola. Qual não foi sua surpresa quando viu o segundo pássaro voar para dentro. A luta dessa ave pela preservação da espécie era tão desesperada, que ela ignorou o perigo e foi ao encontro de seu companheiro. O homem permaneceu imóvel, observando o namoro que se iniciava entre os dois únicos exemplares dessa espécie. O namoro durou cerca de vinte minutos. Então, o segundo pássaro voou para fora da gaiola. O primeiro pássaro, após alguns momentos de hesitação, também voou. O homem viu, com um sorriso nos lábios, os dois ganharem a liberdade e voarem para a floresta próxima dali. Com muita emoção, ele exclamou: “Mais valem dois pássaros voando do que dois na mão”.
Délcio Mores
Enviado por Délcio Mores em 05/09/2007
Reeditado em 06/10/2016
Código do texto: T640336
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Délcio Mores
Guarapuava - Paraná - Brasil, 52 anos
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Délcio Mores