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A NAMORADA DO MALDITO

A NAMORADA DO MALDITO
(UMA GATA COM MEDO DE ÁGUA FRIA)
Marília L. Paixão


Tinham se conhecido fazia pouco tempo. Não era lá um cara daqueles que ao olhar as moças ficam com o coração pulando. Mas tinha algo nele, que quanto mais próximo, mais se descobria e se transformava em beleza. Não sabia ainda o que era. Mas também tinha algo que a intrigava e a deixava com um pé na frente e outro atrás. Somando todas as emoções e receios, ela gostava dele e se as coisas continuassem como estavam, poderia gostar mais, muito mais. Era isso que ela temia! Gostar tinha esse pormenor: poderia ser fatal. Só quem já muito sofreu por amor é que saberia, e ela sabia! Como sabia!!! Como amara! Como sofrera! Tinha até se prometido não mais amar aquele tanto! Quem será que já não se fez uma promessa parecida? Será que funcionaria? O jeito era arriscar para saber. Que ela estava gostando dele ela estava. Que tanto seria? Um tanto agradável...
Sim! Até agora tudo estava bem agradável. Tudo tranqüilo e sem pressa. Ainda não tinham feito amor. Combinaram isso desde o primeiro dia. Ela foi bem direta! Lembrava-se bem das suas palavras, pois as tinha decorado. Eram palavras premeditadas. Tinha já deixadas guardadas no fundo da sua bolsa esperando pela primeira oportunidade de uso e esta seria com o primeiro galanteador que se aproximasse dela com alguma intenção de namoro: “Se o que lhe atraiu em mim foi o meu corpo, pode virar as costas e sumir, pois ele será a última coisa tocável em mim a menos que eu me apaixone, precise do seu e você ouvir isso de mim primeiro.” Um rapaz do seu bairro foi o primeiro a ouvir essa fala e a chamou de moderninha! Ela odiou e o mandou plantar cebolinha. A verdade é que estava numa fase de muito sofrimento. Não queria mesmo se envolver com ninguém. Um segundo conquistador deu risada ao ouvir sua fala. Chegaram a ficar amigos, mas não rendeu nenhum namoro. Finalmente ele tinha surgido e quando ela estava para soltar sua fala contra a transa fácil, anti-sexo casual...  Chegou a pensar que com aquele não seria preciso. E não ia precisar mesmo! Ele parecia mineiro, do tipo calmo... Quando pensou que não ela precisou usar aquela mesma fala sim! Mais um pouco e seria tarde! Que cara mais... envolvente!!! Mas tudo bem! Não atravessaram a linha em que ela ainda segurava as pontas entre gostar muito ou gostar pouco, tentar não se apaixonar de vez! Sabia que no último relacionamento, sexo tinha sido sua perdição. De forma alguma ia cair no mesmo erro com o primeiro bonitão que aparecesse. Estavam nas primeiras semanas de namoro. Já não estava agüentando sua lei seca de sexo por enquanto não! Seria aquela noite? Bem que ele estava merecendo... Bem que ela estava morrendo de vontade. Mas será que já o conhecia o bastante? Ela queria ter certeza de um monte de coisas antes. Afinal, sexo é sempre bom! Não queria que o fato dele provavelmente ser também um cara muito bom de cama a fizesse cega, tão cega quanto no último namoro. Nossa! Como fora difícil terminar com... Como fora difícil recuperar a luz. Quanto tempo perdera?  Quanto não perdera?! Dessa vez ela seria prudente. Estava sendo! Talvez até um pouco demasiado, mas prevenir era melhor que remediar. Olhou as horas! Nossa! Estava atrasada! Muito atrasada! Mas não podia aparecer sem nem uma lembrança. Afinal era a noite dos namorados! Não saberia não presentear alguém mesmo estando tão no início e sabendo tão pouco sobre os gostos um do outro. Tinham tido poucos encontros.  Foram as lembranças do último dia dos namorados que a fizera perder a noção das horas. Tinha sido uma data maravilhosa. Deixou rolar uma lágrima. Na verdade devem ter rolado umas seis... Depois saiu correndo de casa. E ainda tinha que passar na perfumaria. Lá demorou mais um pouco. Notando que ela parecia muito confusa entre um e outro nome de colônia masculina, a vendedora usou uma tática nova com intenção de ajudá-la na escolha. Já que gostou tanto dessas três... Escolha a que mais combinar com o nome dele. – Tem disso??? Perguntou surpresa. – Claro que sim! E se souber o signo, também ajuda. – O signo dele não sei ainda, mas o nome é Dirceu.



Marília L Paixão
Enviado por Marília L Paixão em 06/09/2007
Código do texto: T641109

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Sobre a autora
Marília L Paixão
Pouso Alegre - Minas Gerais - Brasil
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Marília L Paixão