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Vôo Livre

   
Nataly é uma jovem bonita e sonhadora de uma cidade interiorana do estado de São Paulo. Seus sonhos são semelhantes aos das moças desse lugar, isto é, casar, morar na cidade grande e ter filhos.
- Nataly!
Uma voz ecoa no corredor.
- Como? O que? “Puxa vida” estou perdendo a hora.
_ O café já está sobre a mesa, filha, apresse-se ou perderá o ônibus.
Mal havia acabado de se arrumar...
-Tchau, mamãe, estou atrasada.
Olhando pela janela do ônibus em movimento, Nataly, sonha... Está namorando há uma semana com Paulinho, um garoto desejado por todas as garotas da escola e quando se aproxima do portão da entrada...
- Nataly! Nataly!
Ao olhar pensando ser a voz do Paulinho, vê o melhor amigo dele, Thiago.
-Oi Thiago, algum problema?
-Não  Nataly, só quero entrar com você, posso?
- Você  não tem medo do Paulinho?
- Eu? Que é isso gata, ele é meu maninho.
-Sei... Vamos logo, já estamos atrasados.
Na sala de aula...
-Nataly, acorda menina!
- Que, professora?
- Você parece que está no mundo da lua.
Nataly esforça-se para continuar indo bem na escola, mas sua cabecinha está cheia de grandes sonhos e não há espaço nem para os amigos. Sua mãe percebe que algo estranho está acontecendo.
_ Que brilho novo é este em seus olhos minha filha? Há alguém querendo entrar neste seu coraçãozinho.
-Que nada mamãe, é só impressão sua.
O tempo vai passando e o que é bom vai se complicando.

- Oi Paulinho, procurei por você ontem na  saída da escola e o não encontrei. Onde você estava?
_ Com ciúme, amorzinho?
_ É tão difícil assim responder?
_ Se faz questão... Estava com uns amigos.
Nataly, vinha há alguns dias observando uma mudança no comportamento de Paulinho, já não a procurava tanto, diminuía o carinho ... E, ao mesmo tempo aumentava a pressão de sua mãe.
-Nataly, o que está acontecendo, filha? Suas notas caíram, não está se alimentando direito, sempre cansada, com sono...
_ Já lhe disse várias vezes e vou repetir, NÃO TENHO NADA!!!!!
A mãe de Nataly, a senhora Roberta, também, não se alimentava bem, tinha pesadelos, e perdia pouco a pouco, a paz; então resolveu procurar sua sábia  amiga Cristina.
_ Cristina minha amiga, a Nataly está tão estranha, diferente, não conversa mais comigo como antes, parece que perdeu a confiança em mim.
Dizendo estas palavras começou a chorar,
_ Calma, amiga. As coisas nem sempre são aquilo que parecem, de tempo ao tempo e as coisas se resolvem, você vai ver.
-Não sei não amiga, ela anda muito estranha.
Assim como Roberta, Nataly, também se sentia confusa e procurar Thiago.
_ Olá, Thiago!
_ Que tristeza é está, gata, o que está acontecendo?
_ Gostaria de saber por que o Paulinho mudou tanto? Você sabe?
_ Eu?
_ É você, claro. Por acaso não é o melhor amigo dele?
_ Era.
_O que, quer dizer, por quê???
_ Desculpe-me, gata, mas não sou traíra, não, fui... falô?
Tudo isso deixou Nataly, ainda mais confusa e buscava respostas em seus pensamentos...
_Será que ele tem outra? Será que não gosta mais de mim?
_ Nataly! O jantar está na mesa e seu pai já está saindo do banho, venha...
_ Mamãe, não estou com fome.
_Se você não vier logo, vou pedir para seu pai buscá-la.
Nataly tinha muito medo de seu pai, então, rapidamente sentiu fome, mas o que ela não sabia é que a mãe havia lhe reservado uma surpresa. Todos se sentaram à mesa e sua mãe falou:
_ Alfredo, está acontecendo alguma coisa com Nataly e ela não quer nos contar.
_O que está acontecendo Nataly?
_ Nada, papai, exagero da mamãe.
Sem saber em quem confiar, seu pai resolveu calar-se e jantar, acabando com a possível discussão em família.
E, assim o tempo ia passando e Nataly não se afastava de Paulinho, nem tão pouco saía de sua tristeza e desconfiança, foi quando Mirela entrou em cena. Moça diferente da maioria desta cidade, queria se formar, ser independente e curtir a vida.
-Mirela! Tudo bem?
_ Tudo bem, contigo é que parece não estar nada bem... Diga como posso lhe ajudar.
_ Bem... Você sabe que estou namorando o Paulinho.
_ Sei e acho uma furada, viu?
_ O que você sabe?
_ Olha amiga, saí dessa, ele não serve pra uma garota legal como você.
_ O que você quer dizer com isto?
_ Não posso dizer.
Mirela sabendo do sonho de Nataly preferiu não magoá-la mais.
Em casa, muita pressão, na escola os amigos não queriam dizer nada. Sem saber o que fazer, Nataly resolveu conversar com sua mãe.
_ Mamãe, estou com muito medo, quero colo.
Lágrimas encharcavam a bela face de Nataly e mamãe comovia-se com o sofrimento da filha.
_Diga, filhinha, o que está acontecendo?
_ Vou lhe contar tudo, mamãe. Tudo começou quando ele olhou pra mim...
Assim, foi relatando seu namoro com o garoto mais cobiçado da escola.
_Não sei mamãe, porque ele mudou comigo, já perguntei, já investiguei e não consigo entender.
_Tudo bem, filha, devia ter confiado mais em mim. Você conhece a família dele?
_ Sim, mamãe, ele me apresentou. Gostei muito da mãe dele.
_ Então vamos convidá-la para um chá, aonde você irá nos apresentar, certo?
_ Boa idéia mamãe, amanhã mesmo irei convidá-la.
Nataly melhorou o estado de ânimo , à noite quando papai chegou, percebeu algo diferente nas duas.
_ O que está acontecendo por aqui?
_ Sabe papai descobri que tenho uma grande amiga aqui em casa.
_ Como é  bom vê-la feliz novamente!
No dia seguinte, Nataly foi para escola e todos notaram uma pequena, porém significativa mudança e mesmo curiosos preferiram não perguntar nada. Nataly na saída da escola passa na casa de Paulinho.
_ Dona Maria!
_Oi, Nataly que surpresa! Há quanto tempo não nos vemos,
_ É verdade, mas hoje vim convidá-la para um chá em minha casa, hoje às 15h00min h, aceita?
_ Algum motivo especial?
_ Para mim, muito especial. Vou apresentá-la à minha mãe.
_ Muito bem, diga à  senhora Roberta que será um prazer.
Pontualmente as 15h00min horas Dona Maria chegou, trazendo consigo um delicioso bolo de chocolate.
_Muito prazer, Roberta.
_O prazer é todo meu Maria, seja muito bem vinda.
_ Nataly, está tudo pronto?
_ Sim mamãe, podem vir sentar-se à mesa.
A conversa começou cheia de não me toques e de repente Roberta questiona Dona Maria.
_ Maria o que está acontecendo com Paulinho?
Maria empalideceu e gaguejando pediu que Nataly as deixasse às sós. Nataly apresentou resistência, mas finalmente foi para o seu quarto.
_ Roberta, não sei por onde começar. É muito difícil para mim.
E assim começou o relato, cheio de surpresas...
_Na verdade, Roberta, o Paulinho ama sua filha, mas ele não a merece, pois há quatro anos atrás, quando ele tinha catorze anos de idade conheceu certos amigos, que conseguiram iludi-lo e antes que pudéssemos perceber estava envolvido com uma turma muito perigosa e totalmente viciado nas piores drogas, porém isto não é o pior.
_ Ainda tem coisa pior, Maria?
_ Sim, Roberta, ele usou seringa contaminada e, hoje está muito doente.
_ Meu Deus, Maria, por que você não avisou a Nataly?
         Entre lágrimas encerraram a conversa e Roberta ficou com a missão de contar tudo para Nataly. Até o anoitecer, Roberta fugiu da filha, pois não sabia como dizer tudo aquilo que ouvira.
 _ Que bom que você chegou Alfredo.
_ O que foi querida?
Roberta contou tudo para Alfredo e ambos foram falar com Nataly.
_Não acredito mamãe, é terrível, é injusto... soluçava
_Filha, parece injusto, mas cada um de nós colhe aquilo que plantou. Sei que é muito difícil aceitar ou querer entender, mas o tempo cuida de curar todas as feridas.
- Ta, papai, mas o que eu faço agora.
_Não faça nada, espera-disse mamãe.
Naquela noite, ninguém sentiu fome, nem dormiu bem. No dia seguinte a surpresa foi maior. Nataly recebeu uma carta de Paulinho terminando tudo e avisando que estava mudando de cidade.
_Mamãe! Mamãe! Veja isto.
Ao ler a carta, mamãe procurou acalmar e consolar a garota e assim passaram alguns meses e Nataly ficava cada dia mais amiga de Mirela e quando percebeu havia mudado os seus planos para o futuro.
_Mamãe, resolvi participar da formatura e a Mirela está vendo os cursos da Faculdade para que eu me decida pelo qual desejo fazer.
_Muito bem filha! Está é a minha Nataly.
Assim se formaram Nataly, Thiago, Mirela e outros da  turma.
Durante as férias de verão antes de iniciar as aulas na Faculdade, Nataly recebeu uma carta e continha uma poesia de Paulinho, intitulada Vôo Livre. Dias depois soube de sua morte.
O tempo passou, curou todas as feridas e Nataly seguiu o seu destino.











Sonia Ruedas Meneghini
Enviado por Sonia Ruedas Meneghini em 07/09/2007
Reeditado em 08/09/2007
Código do texto: T642706

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Sobre a autora
Sonia Ruedas Meneghini
Barueri - São Paulo - Brasil, 55 anos
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Sonia Ruedas Meneghini