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Ressurreição

Rosa Pena



No mesmo dia papai morreu e meu marido perdeu o emprego.

Não faltava grana, faltava o riso.

A pitangueira plantada por papai foi parar em Araruama. Ficou lá encruada, não crescia nem morria.

Não faltava água, faltava a crença.

Minha filha ficou afônica, repetiu o ano.

Não faltava saber, faltava querer.

Deixei meus cabelos brancos.

Não faltava a tinta, faltava a vontade.

O calendário com a figura de Jesus ficou parado no dia 7 de junho. Só foi trocado quando minha filha gritou que tinham nascido pitangas!

Troquei os dias e saí.

Voltei loura.

Meu marido?

Sorriu.




 livro :PreTextos

imagem/ josé manuel de carvalho

Rosa Pena
Enviado por Rosa Pena em 09/09/2007
Reeditado em 17/09/2008
Código do texto: T644905
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Rosa Pena
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Rosa Pena

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