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Homem Vitruviano

_Não é o seu corpo nem sua alma que têm de ser examinados e entendidos, e sim o seu espírito._ Foi à primeira frase dita pelo Dr. David Marccelo quando se conheceram. E disse mais_ Não é quem você é, mas sim, o que você é.
Toni nunca precisou fazer muito esforço para realizar grandes feitos; toda a sua vida ele sentia como se seu corpo fosse a mais perfeita das máquinas, não lembrava da última vez que alguma doença o tinha acamado e possuía extrema facilidade em realizar esportes dos mais variados tipos. A verdade é que nenhuma modalidade esportiva oferecia realmente dificuldade para ele, por isso desde a infância até os dias atuais Toni passou pelas lutas marciais e greco-romanas, esportes aquáticos; pólo, natação, apneia e saltos ornamentais; passou também pelo atletismo; saltos em distância, cem e quatrocentos metros rasos. Depois, não satisfeito com o grau de intensidade destas modalidades em separado, ele resolveu competir em várias ao mesmo tempo, tornando-se um atleta de ponta na modalidade conhecida como pentatlo moderno e concomitantemente a isso ainda tornou-se maratonista, correndo nas mais tradicionais provas, como as maratonas de Boston, Londres, Chicago, Berlim e Nova York; além de outras de menor expressão como as de Bruxelas e Atenas.
No fundo sempre soube que sua vida possuía algo mais, um segredo que nem mesmo sua família talvez soubesse; e depois de seis anos de terapia, Toni procurou uma junta médica para averiguar o que exatamente seu corpo tinha de diferente. Mais um ano de intensas baterias de exames mostrou algo que abismou a comunidade médica local; trocando em miúdos, os médicos chegaram à conclusão de que o organismo, metabolismo e tudo que o constituía que podia ser mensurado funcionava e ou operava em um nível pouco acima do comum e o mais interessante eram suas medidas perfeitas para os padrões tidos como aceitáveis; seu corpo era um desenho milimétricamente projetado num padrão mais ajustado que o das demais pessoas.
O mistério continuava, seria aquilo alguma anomalia ou um dom; obcecado por tentar entender a si próprio Toni mergulhou em um tempo de alto conhecimento, buscando informações desde seu nascimento; como seu caso se tornou relativamente famoso entre os profissionais da medicina e da psicologia do estado do Rio de Janeiro, acabou que ele foi contatado por um catedrático italiano, oriundo de Roma; um homem extremamente culto chamado David Marccelo Vitrúvio; médico, teólogo, escritor e poeta, psicólogo e pintor.
O Dr. Marccelo veio ao Brasil para ministrar uma série de seminários em várias capitais incluindo o Rio de janeiro e acabou sendo informando do caso de Toni. Ambos foram colocados em contato e acabaram por se encontrar para conversar; tornaram-se grandes amigos.
Juntos eles iniciaram um giro por vários países até o dia em que o médico morreu. Nessa época Toni já havia sido apresentado à teoria do Homem Vitruviano, desenvolvida pelo próprio Marccelo baseando-se no antigo desenho de Leonardo da Vinci feito em 1490 que na verdade é uma réplica do original produzido pelo arquiteto romano Marcus Vitruvios Pollio; original esse que se perdeu no tempo.
Como teólogo que era, toda a teoria de Marccelo estava voltada para a narrativa contada na bíblia sobre os filhos dos anjos com as mulheres humanas que mais tarde geraram híbridos cuja própria teologia chama de Nephalins; para ele, o que Marcus Vitruvio tinha na verdade retratado em seu desenho prefeito da simetria humana seria nada menos do que as medidas de um desses híbridos.
A revelação de que na verdade Toni por algum motivo possuía as características híbridas mudou sua vida totalmente; ele retornou definitivamente para o Brasil, abandonou os esportes e tornou-se estudioso de todas as filosofias onde se mencionavam os homens metade anjo. Verificou que tanto os Sumérios, Acadios, Gregos, quanto os Egípcios, os Nórdicos, Babilônicos, Persas e praticamente todas as culturas mais antigas da terra possuem relatos sobre pessoas que poderia facilmente se encaixar no perfil do “Homem-Nephilim”; homem cujas habilidades superavam as de seus contemporâneos, fosse em força, fosse em astúcia ou qualquer outra característica.
“Assim descobri quem sou”._ Toni passou verdadeiramente a crer que ele próprio era um desses seres, porque já tinha procurado explicações mais plausíveis para suas habilidades, mas não encontrara nada que o pudesse explicar.
Após esse primeiro período Toni passou a fazer parte de uma associação de alcance mundial sem fins lucrativos, cujo presidente foi durante muito tempo seu antigo tutor o italiano David Marccelo e que agora era presidida por um sociólogo inglês muito bem sucedido nos meios acadêmicos e frente a comunidade internacional. Com ele aprendeu o que faltava para finalmente assumir seu papel de liderança; passou a usar o “pseudônimo” Oberon, baseando-se no rei das sombras e das fadas; um dos personagens do dramaturgo inglês william Shakespeare, na obra “sonho de uma noite de verão”.
De volta à Cidade Maravilhosa Oberon usou parte dos recursos conseguidos com suas vitórias na época dos esportes para iniciar sua própria casa de estudo e ajuda a pessoas que ele encontrou com as mesmas capacidades supostamente de fundo angelical, e para sua surpresa foram vários no território nacional; em São Paulo, Minas gerais, Pernambuco, Amazonas, Santa Catarina e nos outros estados também. Pessoas sem nenhum norte ou entendimento do que realmente acontecia com suas vidas, à mercê de si mesmos e dos mais variados misticismos e crendices.
Infelizmente nem todos conseguiram organizar seus pensamentos e recuperar suas vidas, o poder trazido com as habilidades fora do comum, acabaram por corromper muitos deles que não saíram mais do Rio e cegos por suas próprias ganâncias acabaram iniciando uma guerra secreta entre supostos nephilins.
Muitos penderam para o lado da criminalidade unindo-se e comandando grupos já existentes de paramilitares ou de criminosos; outros preferiram agir sozinhos para alcançar seus objetivos mesquinhos. Mas em meio a tudo isso Oberon resiste tutelando aqueles poucos que desejam usar suas capacidades para ajudar a quem precisa, amar as pessoas e tentar silenciar os renegados.
Dessa forma surgiu um dos personagens mais resolutos e atuantes na constante batalha travada entre os híbridos; um homem cujas marcas são a discrição e o conhecimento seja dos principados, seja das potestades.
E quando perguntado sobre o porque de continuar procurando outros como ele para ajudá-los. Sempre respondia:
_ Enquanto os homens permanecerem resignados aos desígnios das dominações, das forças espirituais das maldades, de principados e potestades; serão presas fáceis. Enquanto eles não despertarem da narcose de suas vanglorias e sentimentos desenfreados, meu trabalho será ajudar onde puder para que o mínimo possível se perca.
Luiz Cézar da Silva
Enviado por Luiz Cézar da Silva em 10/09/2007
Reeditado em 01/04/2013
Código do texto: T646548
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Luiz Cézar da Silva
Nova Iguaçu - Rio de Janeiro - Brasil, 37 anos
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Luiz Cézar da Silva