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O Crime Das Rosas

Crime preparado. Caminha até seu quarto escondido dos pais para fumar. Para disfarçar meiguice, pôs seu vestido de cor ardentemente vermelha, todo decotado e saia rodada, seu perfume tinha o cheiro sereno das noites atrevidas.
Senta na pontinha da sua janela de venezianas como flor, fumando, planejando, balançando suas pernas ansiosas, suspensas ao ar livre, e ao ir tragando o cigarro entre a incerteza de teus dedos, ela contraía a sobrancelha como se encontrasse a palavra não digna, dita de poesia.
Ela estava certa da sua sensualidade, acende outro cigarrinho, e desfruta daquele sentimento descoberto.  Mas nos cigarros apenas tragamos reticências, ela acende outro cigarro, e senti a deliciosa sensação da noturna solidão do céu, a noite era somente sua, a lua estava sem pressa para partir, e as estrelas eram as mágicas presenças de suas idéias. Ela toma uma dose da noite quente, agora seu plano estava perfeito!
  Linda, bela, parecia uma rosa tombando pela janela.
  O crime já estava em seu progresso. Não há ninguém pela cidade de prédios e pedras, os semáforos piscavam desesperados ao meio de jardins de cimento e flores de plástico, seu olhar tinha apenas a cor do sentimento triste das ruas que carregavam teus passos ainda não dados.  Atravessa distraído na outra calçada seu amor, o farol alto do carro apontava para teus despercebidos olhos com toda a força, a luz o ludibriava, ela sai do carro, bate a porta com estilo, sua arma olha, mira, mira, mira e acerta o alvo, seu amor, a vítima, tomba no limite do chão feito cruz, de braços abertos. Ele só ouve o barulhinho nada discreto do seu salto alto aproximando. Ela chega perto, esboça um sorriso leve, de canto, a sentença do seu olhar o mira, admira, acende mais um cigarrinho, traga, e cospe para o alto o pouco amor que ainda lhe falta. Ela acaricia o pobre rapaz com suas infiéis mãos, diz frases indecentes, apaga o fogo no frio da sua boca, como a noite deseja o sabor proibido de tuas imprevisíveis reticências...
As pálpebras do jovem rapaz caiam calmamente, como se fosse para dentro de um sonho, como se fosse acordar em outro mundo, a paixão o invadia, teus olhos se fechavam, enfim, na sua eterna companhia.
Os minutos eram horas disfarçadas, os segundos eram palavras engasgadas, e pausadamente, antes de morrer, conseguiu dizer suas últimas palavras:
“-Amor, o que é o sofrer, para mim que estou, jurado para morrer de amor?”
  Agora, ele era livre para voar...
  Passaram-se anos, ela aprendeu a amar em segredo, escrevia, escrevia, compulsivamente, nas horas da cor morna das tardes quentes, no delicioso sol da pele morena, parecia ser todinho de mel, aquele brilho ardia seus olhos maravilhados a encontrar, não a bela noite ou o bom dia, mas a misteriosa palavra das belas poesias. Admira o sol como mirava o seu falecido amado, como se fossem juntos sem rumo ao destino, aonde o fim era o começo de tudo, bem distante do antigo e velho mundo.
  Hoje, ninguém sabe sobre o paradeiro da bela moça, mas, ela deve estar longe de tudo, fumando e escrevendo as dores de viver a elegância de um eterno romance, eterno.
Vitor Berigo
Enviado por Vitor Berigo em 11/09/2007
Reeditado em 07/06/2010
Código do texto: T648014
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Sobre o autor
Vitor Berigo
São Paulo - São Paulo - Brasil, 32 anos
53 textos (2827 leituras)
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Vitor Berigo