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A Saga de Constâncio e Fabiana (8)



Constâncio entrou na Pensão de Dª Santa em estado de graça.Estava feliz.Foi direto até a cozinha e serviu-se de café. Não fumava nem bebia, mas era vidrado num cafezinho Tomava café por qualquer motivo. Por fazer frio, calor,por estar apreensivo, feliz, motivo é que não faltava.Tomou seu cafezinho e foi pro seu quarto.Era um quarto relativamente grande.Uns 12 metros quadrados, teria(?) Maior que o quartinho na casa da Tia Mirinha em Januária.Lembrou-se que tinha que escrever pra ela, pra mãe Laura e as irmãs.Desde que chegou não tinha dado notícias ainda.Em compensação, agora, tinha muita novidade pra contar.
Meu Deus do céu, era muita coisa boa acontecendo,uma atrás da outra.Só hoje, o contrato com o Time de futebol (dois salários mínimos certos por mês).O emprego na Fábrica de Tecidos(mais dois salários)A Banda de Música(mais um) e ainda os “bichos” por cada vitória do time do Cedro. Achava que devia ser fácil.
Não conhecia ainda os adversários, mas o seu time era bom.Tinha um goleiro razoável, o Murilo no meio daquela defesa, um senhor beque, não perdia uma bola dividida,limpava a jogada e metia a bola nos pés do atacante melhor colocado lá na frente, com uma facilidade e perfeição incríveis.
Lá na frente além dele tinha o negrinho Chá, driblador e rápido,Vavá e Olavo, irmão de Fulô que não era grande craque, mas fazia bem uma tabelinha com os companheiros de ataque. Se o time estiver sempre bem, como esteve no primeiro treino que ele participou, achava fácil meter um ou dois gols por partida, em adversários do mesmo nível.Aí então o “bicho” era certo, uma vez por semana.
Era Futebol Amador, certo. Porém(ai, porém...) os maiorais da Fábrica injetavam dinheiro no time, porque era bom pra imagem da “Fábrica de Tecidos Cedro/Cachoeira”, ajudava a valorizar e vender os panos da Cia. Eram as duas paixões da Diretoria: O Time de Futebol (Cedro Esporte Clube) e a Banda de Música(Euterpe Sta Cecília) e Constâncio era peça importante na engrenagem das duas, tinha consciência disto.Não era atôa que era tão paparicado e bem tratado por Dr Alexandre.
Se não tivesse uma criação humilde, passado por dificuldades, tinha todos os motivos para ser um sujeito”mascarado”,metido a besta, pretencioso. Mas não era e justamente por ser simples na sua humildade, conquistava rapidamente novos amigos.Com pouco tempo foi virando Ídolo na cidade.Se ainda estivesse em Januária, pensava, enquanto aproveitava pra escrever a carta, estaria trabalhando no comércio da cidade, ganhando um salário mínimo,pescando e nadando no rio São Francisco(disto ele sentia muita falta) e seria apenas mais um na multidão de Ribeirinhos.
Falou do entusiasmo por Fabiana na carta e prometeu mandar um dinheirinho todo final de mês, quando saíssem os pagamentos.Fechou a carta no envelope, colocou no bolso da camisa e atravessou a sala.
“Vai sair, Constâncio? Perguntou Dª Santa, saindo do quarto de costura.
“Vou mandar uma carta pelo correio, pra minha mãe... não dei notícia desde que cheguei, respondeu...”Então não demora, que o jantar já está saindo e hoje tem dobradinha, que você gosta tanto...disse a simpática senhora, Dona da casa.
Dª Santa tinha a maior simpatia pelo jovem, pelo jeito respeitoso como tratava suas filhas e por ele mesmo, pelo jeito que tinha, caladão, educado.
Constâncio não demorou a chegar e as três “formosas” já o esperavam no portão da casa ansiosas.
“Constâncio, sabe quem esteve aqui e saiu inda a agorinha?”.falaram em côro..”Quem?” respondeu ele, automáticamente.A Fabiana, irmã de Fulô, fia de Maria Fel!
Constâncio estacou de repente.”Ah, é?... Fingiu displicência...me visitar é que não foi, com certeza.
"Bem que você gostaria que fosse, né?" Se entreolharam,com risinhos cúmplices... Veio pedir um livro emprestado, um romance.Disse que não ia demorar, porque senão, o irmão fica atrás dela que nem cão de guarda...
"Olha lá ela, atravessando o jardim da pracinha." O rapaz ergueu a cabeça e avistou a moça que parecia olhar pra eles, Fêz um asceno com a mão direita acima da cabeça. instintivamenteFabiana correspondeu e ascenou também.
Formigamento no peito, calor no rosto respiração mais rápida, Constâncio gostou do que sentiu.
“Han,han,hein?,cochicharam as “formosas”. Constâncio deitou na rêde da varanda e sentiu vontade de tocar seu clarinete, mas ficou ali quieto, curtindo aquele momento...
Aecio Flávio
Enviado por Aecio Flávio em 14/09/2007
Reeditado em 14/09/2007
Código do texto: T652119
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Sobre o autor
Aecio Flávio
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 76 anos
139 textos (21100 leituras)
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Aecio Flávio