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"MY MICHELLE"

   Era noite, fria e chuvosa. Entrei no Meu quarto e tranquei a porta. Estava decidido a ouvir um pouco de música, sozinho, pensando na vida. Abri meu armário e peguei um cd de "GUNS N' ROSES" - O Axl é demais.
liguei o som e decidi arrumar um pouco da bagunça  daquele armário, acumulada após algum tempo de abandono. Alguns livros, cd's, material escolar e muita quinquilharia.
   Foi embaixo do livro de Biologia do 2º ano, que eu achei a única coisa que prendeu minha atenção por algum tempo. Era uma foto; a foto dela. A garota que dominou meu coração por mais de um ano e que (até hoje não sei bem o motivo) teve que se separar de  mim. Aquela foto, tão procurada e já esquecida, agora me fazia, ainda que por um instante, sentir novamente aquela emoção.
   Meu coração pesava. Aquela imagem que tanto eu admirara e que há muito só prestigiava em minha memória, estava mais uma vez em minha frente. Ela era linda. Por um instante, senti-me transportado ao mesmo local, ao mesmo instante que agora tinha eternizado, paralisado em minha frente: assim, era só guardá-la e  ela nunca fugiria. Parecia que estava novamente naquela excursão do colégio: uma tarde quente, alegre, ensolarada. Tinha conhecido ela a pouco tempo - eu era novato no colégio e logo começamos a namorar. Pedi para tirar a foto como lembrança do dia em que completamos três meses juntos.
   O som, ligado a meio volume, naquele momento tocava "MY MICHELLE" - nossa música, pelo menos para mim. Lembrava-me seu nome, seu jeitinho louco... Deitei-me na cama, segurando a foto com muita força - não queria perde-la novamente. Um arrepio tomou conta de mim (não sei se foi por causa do frio ou da emoção). O barulho da chuva incomodava e aumentei o volume da música. Como que tentando estabelecer um diálogo com sua imagem estática e sem vida, repeti baixinho o refrão da música - "SWEET CHILD O' MINE".
   No frio, encolhi-me debruçando sobre sua foto e fazendo chover nela também. O sol forte que iluminava a fotografia foi encoberto pelas nuvens negras das minhas lembranças amarguradas. O calor que dava um tom alegre à imagem, lentamente deu lugar ao frio lá de fora e que há muito tempo tinha me tomado. Sim, chovia no papel. Das nuvens que povoavam minha mente, escorriam os pingos que inundavam meu rosto e caiam sobre a foto. Os acordes  praticamente me faziam levitar: "NOVEMBER RAIN". Agora acho que "GUNS" é excelente para os momentos de melancolia. Um arrepio agudo que vem de dentro para fora tomou conta de mim, uma vontade de gritar o mais alto possível - talvez ela pudesse me ouvir. Não pôde!
   De repente, um vento frio percorreu o quarto e jogou sua foto no chão. Aquela brisa acariciou-me o corpo e foi como se eu ouvisse, no momento em que tocava a última faixa do cd, a sua voz dizendo-me carinhosamente: "DON'T YOU CRY TONIGHT, I STILL LOVE YOU, BABY".
Weslley Barbosa
Enviado por Weslley Barbosa em 16/09/2007
Código do texto: T654932

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Sobre o autor
Weslley Barbosa
Campina Grande - Paraíba - Brasil, 29 anos
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Weslley Barbosa