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O broche de Ametista (a Saga..16)



No final da Ave Maria de Shubert,Constâncio caminhou até Fabiana, tirou do bolso um pequeno embrulho de papel de presente que trouxe de Sete Lagoas, colocou em sua mão, fechou-a com delicadeza, deu-lhe um beijo na testa e disse: Touxe pra você...Quero conversar muito contigo depois da missa; Fabiana, não resistiu à curiosidade e abriu o pequeno embrulho.Constâncio acompanhava sua expressão facial enquanto tentava adivinhar seus pensamentos. Á vezes vinha á sua mente a imagem da cena lá na praça da igreja, daquele tal Rui,primo do trio Calafrio,todo animado,em atenções com Fabiana.
Era insuportável pra ele pensar naquilo. Voltou o pensamento pra onde estava e acompanhou as expressões de Fabiana... Os olhos de jabuticaba se arregalando, ante a visão do broche e e dos brincos de ametista,que ele ao ver na vitrine,  os imaginou no colo moreno  e se escondendo nas orelhas,entre os cabelos negros e ondulados de Fabiana.,como ela os colocara agora,sorrindo de felicidade. Que presente mais lindo, será que eu mereço? Sussurrou ela, como se escondesse de alguém, aquela atração que acontecia entre os dois, que até as pedras da rua já notavam...
A Maestrina puxou no Harmônio,um novo hino para  o coro todo, para dar um descanso à sua solista preferida, para não quebrar aquele momento de puro encantamento.
Ohhhh!, foi o  som uníssono que se ouviu no coro, quando Fabiana se virou e as ametistas brilharam com quase a mesma intensidade que os seus olhos.Constâncio fechou os olhos e se imaginou montado em sua bicicleta”pantera negra” levando Fabiana na garupa, voando entre as nuvens que cobriam o céu do Cedro e chegando milagrosamente em Januária,à beira do Rio São Francisco onde Tia Mirinha,mãe laura e seus irmãos o esperavam perfilados e ele numa explosão de alegria anunciava. “Quero que conheçam,Fabiana,aquela que vai ser a minha mulher e me dar muitos filhos.Acordou do devaneio, com o contato dos lábios de Fabiana em seu rosto num beijo misturado a um agradecimento;”Muito obrigada,Constâncio,É o presente mais lindo que já ganhei na vida!”E acabou a missa das oito...
Os componentes do côro foram saindo calmamente e o casal retardando de propósito sua saída.Cada minuto que passavam juntos, era tão valorisado,como o ar que respiravam.
     "Voce está triste comigo?perguntou ela de sopetão.É, não sei fingir muito bem...cochichou ele.Não gostei de ver aquele "primo" das filhas de Dª Santa, cheio de atenções com voce...
"Uai, mas que é que tem de mais?...perguntou ela ... Parece até namorado, disse Constâncio.Eu nunca pensei assim,é só um rapaz que quer ser gentil;
Se voce tiver de ser namorada, vai ser "minha namorada". Que que eutenho que fazer pra não precisar mais de ficar fugindo de Fulô?
Falar na fera,aí vem ele. Estavam do lado de fora da Igreja,encostados no umbral da entrada principal.quando Fulô foi chegando..."Olha aquí,Constâncio.Já que voces têm tanto que conversar, é melhor começar a ir lá em casa,porque nem eu nem minha mãe queremos que a "Nêga" fique "falada aquí no Cedro,por ficar conversando com rapaz,nas esquinas,tá certo?
Tá certo Fulô. Eu tenho muito respeito e simpatia pela Fabiana e por favor,voce pode dizer pra Dª Maria Fel que hoje á noite vou até sua casa para pedir a Fabiana em namôro, está bem?
     "Está, respondeu Fulô.Mas não vai muito tarde ,porque mãe dorme cedo...Lá pelas oito"...Tá bem,lá pelas oito....concordou o outro felicíssimo.
Aecio Flávio
Enviado por Aecio Flávio em 20/09/2007
Reeditado em 06/10/2007
Código do texto: T661062
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Sobre o autor
Aecio Flávio
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 76 anos
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Aecio Flávio