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O LUGAR PREFERIDO DO REI

Um velho Rei recepcionava seu jovem filho que voltava da guerra, após 10 anos. Preparou-lhe uma festa de boas vindas. Convidou os melhores músicos do seu reino. Um banquete regado a vinhos da melhor qualidade, carnes de diversos tipos e sabores, dançarinas, comedores de espadas, bobos, em fim, um dia de festa e animação. O orgulho invadira seu peito pela volta de tão estimado e valente filho. Convidou todo seu reino, do mais nobre ao mais humilde, para a festança. Ao abraça-lo, entre lágrimas de emoção, disse:
- Meu filho, que bom ter você de volta, lhe preparamos esta festa de boas vindas, porém amanhã seu pai lhe dará o seu verdadeiro presente. E a festança se estendeu até altas horas da noite.
O dia seguinte, como já era de se esperar, tinha tudo para ser um dia preguiçoso e enfadonho. No entanto, o jovem guerreiro, nas primeiras horas do dia, da janela de seu quarto no alto do castelo, contemplava a beleza daquelas montanhas ainda cinza pela a neblina da manhã, com se resgatando da bela paisagem o tempo que passara ausente.
Seu pai, como todo velho, mais uma vez não falhara na rotina, encontrava-se de pé, envolto em seu chambre real, enquanto todo o reino ainda dormia.
Encontraram-se no café da manhã, na mesma hora e lugar de há dez anos atrás. Uma sala com todos os detalhes da mais fina e sofisticada fidalguia. Depois dos cumprimentos de costume, de pai e filho dedicados. Sentaram-se à mesa e entre uma garfada e outra começaram uma animada conversa na tentativa de recuperar àqueles anos de separação.
Em determinado momento, jovem guerreiro, com o espanto no rosto de algo recém descoberto, disse ao seu pai:
- Meu pai, nos lugares onde travei as mais sangrentas batalhas, haviam muitas masmorras e prisioneiros, e em seu reino não os tem!
O velho rei, recostou-se melhor em sua cadeira. Fitou-lhe os olhos, disse.
-Qual a prisão maior que o homem atrelado ao seu próprio mal, nós só oferecemos festas aos bons, aos maus lhes oferecemos o desprezo.
E a conversa ia se desenrolando quando de súbito em um determinado momento, o velho rei que já notara e reconhecera no filho os primeiros traços da maturidade, disse:
-Meu filho! É chegada a hora de seu presente.
E saiu a percorrer todos os recantos do reino mostrando-lhe sua beleza e prosperidade, até que em meio daquelas maravilhas imensas, chegou em uma casa sem luxo e sem pobreza.
-Esse é o seu presente meu filho. Durante anos guardei essa casa, longe de tudo e de todos, porém tudo e todos já estiveram aqui. Foi aqui que fiz o meu refúgio. Recolhi-me e aqui decidi as melhores colheitas. Foi aqui que pensei a melhoria de todos. Foi aqui que repensei as minhas vontades e observei as minhas fraquezas. Foi aqui que chorei a morte dos meus melhores amigos e familiares. Foi aqui que dei gargalhadas de alegria de alegria pelo seu convívio. Foi aqui que me protegi nas horas mais difíceis. Foi aqui que amei e construí todos os meus castelos de sonhos. É o meu presente que em vida lhe dou do fundo do meu coração; entre nesta casa, porém deixe que ela seja sua, busque apenas a liberdade que ela fatalmente lhe proporcionará.
No dia seguinte o velho rei morreu.
Manuel Oliveira
Enviado por Manuel Oliveira em 25/09/2007
Código do texto: T668505
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Sobre o autor
Manuel Oliveira
Olinda - Pernambuco - Brasil, 62 anos
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Manuel Oliveira