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O amor nunca morre

           Um garoto de bicicleta, pedalando e cantarolando. De repente, um carro descontrolado. Um choque.

           - Ele está sangrando muito! Chama ambulância! Ambulância!... Gritavam desesperados os transeuntes.
           Várias pessoas rodeiam aquele corpo caído no chão, sangrando muito e aparentemente sem vida. Era Davi, garoto jovem de classe média. Uma moça linda, chamada Priscila, segura sua mão e chora muito, conversa com ele, lagrimas caem constantemente de seus olhos.
           - Por favor Deus trás ele de novo. Você é minha vida. Não morre! Não me deixa! Não faz isso comigo, amor. Abra os olhos, para de brincar comigo. Eu te amo, EU TE AMOOO!!!! Abra os olhos. Suplica Priscila, ajoelhada com seu amado no colo.

            Horas depois no hospital.
           - Desculpa... ele não resistiu. Fala o médico com a face triste.
           - Como assim, ele não resistiu? Pergunta Priscila.
           - Ele faleceu.
         - Não, não, não pode ser, não brinca doutor. Ela caí em prantos, coloca a mão no rosto. Sua mãe passa a mão em suas costas para conforta-la. O doutor se retira, triste! Priscila senta num banco do corredor do hospital e pede para a mãe deixá-la um pouco só. Enquanto chora copiosamente, vendo suas lágrimas caírem no piso branco, sente que lhe falta o chão e começa a lembrar das palavras que seu amado dizia; “Amor, quando completarmos dezoito anos de idade vamos casar e ter filhos. Nossa casa vai ser de madeira, com cor azul fraco. Quero colocar um balanço bem na frente do nosso quintal e uma torneira para tomarmos banho de mangueira no verão, vai ser legal amor”. Ele falava com um brilho no olhar e sorrindo muito.
          - Deus, por que? Agora o que faço sem ele perto de mim? Pergunta Priscila para si mesmo.
           
            Um dia depois...

           - Hoje estamos aqui reunidos, para nos despedir desse jovem...
           Enquanto o padre falava, Priscila chorava sem parar, um choro tímido e sem som. Seus olhos já estavam vermelhos e inchados. Seus amigos também choravam muito e tentavam consolá-la.
           - Que Deus tenha você em um bom lugar. Finaliza o padre em suas palavras.
           As rosas começam a ser jogadas em cima do caixão. Cada um joga sua rosa e vai saindo, deixando Priscila por último. Ela fica olhando o caixão descendo, com a rosa na mão e lagrimas nos olhos. Então joga a rosa e diz:
           - Você sempre vai estar comigo.
 * * *
            Nove anos depois...
           
           Oi! Eu sou a nova professora de vocês, me chamo Priscila. Esta será a primeira turma que vou lecionar da faculdade, espero que vocês gostem de mim e me ajudem.
           Seria a primeira aula dela. Priscila virou professora do curso de arte cênica. Para o primeiro dia de professora, foi tudo bem. Ela apresentou-se para os alunos e os alunos também  se apresentaram. Mais um aluno de vinte quatro anos de idade chamou muito sua atenção, ele tinha o mesmo nome do seu amado, Davi. Ele não era parecido com o falecido, além de ser um adulto, mais tinha uma certa semelhança, o jeito, o sorriso, a expressão facial e outras coisas que ela não sabia como explicar. Pensando nestas semelhanças com aquele que foi o amor da sua vida , continuou ministrando a aula normalmente.
                     
         Horas depois.
         - Filha como foi o primeiro dia de professora? Pergunta a mãe feliz e orgulhosa da filha.
         - Foi ótimo mãe. Priscila responde com um sorriso falso no rosto, não convencendo muito sua mãe.
         - O que foi filha? Aconteceu algo de errado? Pergunta a mãe preocupada.
         - Apenas estou cansada mãe, vou deitar. Diz Priscila subindo a escada.
         Priscila entra no quarto e se joga na cama, olha para o teto e começa  lembrar de Davi, o único amor da sua vida e junto da imagem do garoto, aparece o rosto do aluno, como se fosse  o seu Davi adulto. Ela se perguntava;
         - Por que aquele aluno mexeu tanto comigo? O meu Davi morreu á nove anos atrás. Por que carrego comigo essa dor, apesar de tanto tempo? Pricila se vira para o lado e adormece.

         Segundo dia de aula.
         - Oi turma! Priscila Cumprimenta. A sala está cheia e na primeira carteira a sua frente está ele, olhando para ela sem piscar. Priscila tenta fingir que não esta se incomodando com aquele olhar e continua com a aula normalmente, e assim foram seus outros dias de aulas. Até que num certo dia, ela pediu para a turma desenhar da forma que quisesse um cenário para suas peças teatral. Era uma avaliação. Priscila passou de carteira em carteira vendo os desenhos, ate chegar em Davi. Quando ela viu o desenho dele, começou a ficar tonta e desmaiou. A turma toda se assustou e  a levaram para a enfermaria da faculdade.

          Horas depois ela acorda.
          - O que aconteceu? Pergunta ela ainda com muita dor de cabeça.
          - Você desmaio na sala de aula. Responde a enfermeira.
          - Você pode me deixar um pouco só? Pergunta Priscila para enfermeira.
          - Claro! Diz a enfermeira saindo do quarto e fechando a porta.
          Ela começa a lembrar do desenho que a fez desmaiar: uma casa azul com um balanço na frente e uma mangueira. Era muita coincidência, mais era verdade. Foi quando alguém mexeu na maçaneta da porta. Priscila olha esperando ser a diretora da faculdade, quando ela viu era ele, Davi seu aluno. Ele pergunta preocupado;
           - Você esta bem professora?
           - Si-sim. Responde ela, não entendendo o seu nervosismo.
           - Você caio feio. Fala ele com um sorriso tímido no rosto. Priscila olha sério para ele e fala;
           - Por que você está fazendo isso comigo? Diz quem você é, por favor? Ele coloca a mão  em seu rosto e diz;
           - Sou eu amor, eu cresci.  Davi fala olhando nos olhos de  Priscila bem fixo.
           - Co-como assim? N-não, não pode ser, por mais que eu queira você morreu. Fala ela não acreditando no que estava acontecendo.
           - Sei que é difícil para você, mais sou eu.
           - N-não, não. Você quer me enlouquecer. Ela se levanta da maca e saia correndo da sala, atropelando outros alunos no corredor. Davi fica ali no quarto parado, olhando na direção da janela, vendo um sol lindo e o céu grande e azul.

            Priscila entra no banheiro e se olha no espelho com lágrimas nos olhos, chorando muito e soluçando. As outras mulheres que estão no banheiro olham assustadas para ela. Foi quando no espelho ela tem imagens da sua lembrança de infância com Davi falando; “Vai Priscila pedala, você vai conseguir, isso vai, não olha para o chão, pedala, pedala, cuidado! Olha... eu sabia que você ia cair, vou dar um beijo no seu dodoi e vai passar... passou anjo?”. Priscila lembra dos momentos que estava apreendendo andar de bicicleta com ele. No momento que ela vê a imagem do Davi beijando seu machucado, Priscila troca o choro por um sorriso tímido. Priscila olha para os lados e vê que não estava sozinha no banheiro e sai secando as lágrimas.

 * * *

           Depois de um dia confuso, Priscila chega em casa, coloca sua bolsa em cima da mesa e começa a  subir as escada e vai para o seu quarto sem falar com sua mãe. Ela liga a televisão para se descontrair um pouco. Por mais que faça para esquecer a cena da enfermaria. Ele, o seu aluno não sai da sua memória. “Sou eu amor, eu cresci”.
           - Não pode ser, acho que preciso de umas férias. Fala Priscila para ela mesma. Ela lavanta-se da cama e se debruça na janela e fica olhando a rua. E quem ela ver olhando para sua janela. Ele, Davi seu aluno, com as mãos no bolso e olhando sorrindo em sua direção. Ele acena com uma das mãos para ela. Priscila fecha a janela confusa e nervosa.

          No dia seguinte.
          - Priscila não estou entendendo seu pedido de demissão. Fala a diretora sem entender nada.
          - O problema não está aqui, e sim comigo. Diz Priscila querendo se explicar.
          - Já que você quer assim, vou achar uma substituta para... Na hora que a diretora ia terminar a frase, Davi interrompe a conversa, entrando na sala.
          - Desculpa diretora, mais posso falar a sós com a professora? Pergunta Davi.
          - Aluno, nós estamos tratando de um assunto importante, depois você conversa com ela. Agora não. Fala a diretora séria.
          - Deixa, eu quero escutar o que ele tem para me dizer, a senhora pode nos deixar um minuto a sós?  Por favor. Pede Priscila olhando fixo para a diretora.
          - Claro, já que você quer. Depois voltamos a conversar. Fala a diretora saindo da sala e fechando a porta, deixando os dois sozinhos.
          - Por que você está correndo de mim? Você falou que sempre ia estar comigo, não lembra? Pergunta Davi, segurando os braços dela.
          - Lembro, mais na hora que falei isso pela última vez, foi em cima do seu caixão. Poxa! Faz tanto tempo. Você morreu com apenas quinze anos de idade. Foi difícil eu superar. Daí vem você, dizendo ser ele, como posso acreditar? Responde  ela olhando nos olhos dele.
          - Eu sei, é difícil acreditar. Diz Davi virando as costa para ela e continua a falar;
          - Aonde eu estava, todos os dias pensava em você. Lá, nós também sentimos saudades.  Também choramos. Eu era tão novo, nós eramos novos. Sabe, a dor que sinto, ver você, minha mãe, os meus amigos chorarem por mim? A dor, a maldita dor, que apertava o meu coração. Nesse meu novo lar, eu podia ver vocês. Quantas madrugadas você chorava por mim, Priscila. Eu estava lá, junto de você. Eu tocava na sua face, mais você não sentia. Mais tive a chance de voltar e continuar com a nossa história depois de tanto tempo. Nunca esqueci de te amar Priscila. Nesse momento Davi se vira e fica com os lábios quase tocando nos lábios dela. Os dois se olham, é um olhar de saudade e de paixão. Foi quando os dois se abraçam e se beijam, durante uns cinco minutos. Priscila, interrompe o beijo olha para o Davi com lágrimas nos olhos e pergunta;
          - Você promete nunca mais me deixar?
          - Prometo, prometo, nunca mais vou te deixar, sempre vou estar com você. Fala ele, continuando a beija-la.

          Depois desse dia os dois continuaram juntos.

 * * *
         Sete anos depois.
         Os dois estão sentados na areia da praia abraçados , olhando horizonte. Foi quando Priscila se encostou mais em Davi e falou;
         - Você lembra nós dois correndo nessa areia, quando eramos criança?
         - Não tem como não esquecer. Responde Davi sorrindo.
         - Às vezes me pergunto se realmente está acontecendo isso com nós. Fala ela olhando para o mar.
         - Pare de pensar nisso amor, sempre vou estar com você, não se esqueça disso. Diz Davi abraçando-a mais forte.
        - Olha quem vem correndo, amor. Fala Priscila abraçando uma menina com cinco anos de idade. Davi abraça a menina também e fala;
        - Você estava onde filha?
        - Pai eu estava fazendo castelo de areia. Responde a menina.
        - Então fica perto de nós. Certo Lavínia? Pergunta Priscila para a filha.
        - Sim, mãe. Responde a menina, correndo na areia, ficando uns oito metros na frente dos dois.
        - Ela é linda. Fala Davi, com um brilho nos olhos.
        - Claro! É nossa filha. Diz Priscila.
       
        Chegando em casa.
        Uma casa de madeira azul fraco e grande, com um lindo balanço na frente. Os três vivem uma vida normal, como qualquer família.
        - Amor você pode ir na padaria comprar pão, para  tomarmos café? Pergunta Priscila para Davi.
        - Claro amor. Responde ele.
        Davi vai até a garagem pega o carro. Vai dirigindo normalmente quarenta por hora, num bairro cheio de curvas. Foi quando num cruzamento, passa o sinal verde. Mais outro carro desgovernado, acerta de cheio a lateral do automóvel do Davi. O carro de Davi é jogado longe, ele já sem vida.
        Horas depois a notícia para a Priscila e para filha.
       
 * * *
       Anos depois.

       - Mãe está na hora de comer. Fala Lavínia, para a sua mãe Priscila.
       Priscila, por causa da idade se encontrava numa cadeira de roda, sentada na varanda olhando para a rua. De repente Priscila com muito esforço, fala;
       - Será que um dia ele vai voltar de novo?
       - Mãe... ele sempre vai estar conosco. Responde Lavínia acariciando a cabeça da mãe.
       - Eu sei, filha.
     
       Meses depois.
       - O quadro de saúde da sua mãe não é muito bom, mais ela continua falando e comendo normalmente mais a tendência é piorar e nem isso ela vai poder fazer mais. Fala o médico para a Lavínia.
       - Será que ela  vai melhorar? Pergunta ela.
       - Temos que rezar. Responde o médico saindo.
       No quarto onde se encontrava Priscila, tinha outro paciente com a mesma idade dela, deitado no seu lado, em outra cama. Foi quando ele se vira com muito esforço para ela e fala;
       - Não tenha medo, estou com você. Priscila da um sorriso tímido e também com muito esforço se vira para ele e fala;
       - É você Davi? É você?
       - É eu amor. Responde ele devolvendo um sorriso.
       - Por que você me deixou? Pergunta ela chorando.
       - Não chora, vou levar você para morar comigo, prometi nunca te deixar. Diz Davi estendendo o braço para Priscila alcançar sua mão. Priscila também estica seu braço dando a mão para ele segurar. Nesse momento um sorriso resplandece em seus rostos. E os dois fecham os olhos no mesmo momento.

        Horas depois.
       - Lavínia... ela não agüentou, sua mãe faleceu. Diz o médico triste.
       - Posso vê-la. Pergunta Lavínia secando as lagrimas que vão caindo.
       - Claro, vamos mostrar como ela faleceu. Nos surpreendeu. Fala o médico.
        Lavínia entra no quarto onde esta sua mãe, a cena fez ela dá um sorriso em meio as lágrimas. Sua mãe de mãos dada com outro paciente, também sem vida.

         Fim
jc mensageiro
Enviado por jc mensageiro em 26/09/2007
Código do texto: T669451
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Sobre o autor
jc mensageiro
Florianópolis - Santa Catarina - Brasil, 33 anos
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