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De Repente

Sai da sala de aula para beber um pouco do vento azul. Enquanto anda lá no pátio da escola, sem querer, ela tropeça, só se via umas nuvenzinhas e a imensa cor azul, o céu  invadia teus olhos cansados, ela sobe até o céu como se fosse sólido. A garotinha loira de franjas retas, vivia o “faz de conta” das histórias e desenhos animados, vivia o calor momentâneo da sua vida naquela manhã; vinha ao mundo de teus olhos o brilho, nascia luz, nascia esperança. Seu nome era esperança.
Que lugar lindo é o céu, não havia sombras nem tempo, o chão e as paredes eram todas azuis, bexigas coloridas subiam deliciosamente pelo ar, as nuvens eram de algodão doce, também havia uns anjos fazendo música com arpas e trompetes, crianças fazendo sons com a batida da palma, outras pintavam o arco-íris, todo colorido, e uma única e enorme lâmpada que aquecia e pingava gotas doces e amarelas, sabor mel; era o raio do sol que alcançava o horizonte do seu olhar.
Desordenda e deslumbrada com tudo aquilo, ela sai correndo  irresistivelmente como as destemidas gaivotas que não sabem aonde chegar.
Ela senta no conforto das nuvens e atira pétalas coloridas ao céu. Ela pula, dança, brinca com tudo aquilo, o sentimento é como sentir o momento, e logo, se lambuza de guloseimas e uma espécie de biscoito que brotavam por lá. Como dizia sua mãe,  “amarga já basta à vida”, ela se lambuza, lambuzava seu rostinho que parecia transfigurar com o apetite insaciável do tempo, e nasciam sombras que um vento forte soprou por lá. Brotava uma ligeira sombra sob teus pés, ela não entendia, a sombra crescia, e estendeu-se pela amplitude do dia, até o pôr do sol, e sumia.
A esperança sentia que a sombra significava existência, a sua realidade, e agora só havia uma imensa sombra escura pousada no céu, a noite já é sombra do dia, e ela era só solidão e vazio.
Aqui embaixo, só haviam pontas de cigarros mortas pela cidade,  só a luz do poste fingia ser lua, tudo era uma mentira, ela queria entender porquê chamavam por toda a vida  pelo seu nome, mas foi se acostumando, ela nunca teve nome...
E o sonho acordou pelo desconforto do sono, a contista acorda numa noite chuvosa, toda descabelada, debruçada sobre a escrivaninha, seu papel e caneta vermelha, somente a solidão põe a caneta entre teus dedos. Na sala, sua mãe gritava brava pelo seu nome, e dizia palavrões com sentimento, ritmo e melodia, como os belos poemas que ainda não escreveu.
Sozinha e com um sentimento estranho como às vezes acordamos, Esperança faz um cafézinho, acende um cigarrinho e retoma ao texto, seu principal recreio de brincar é escrever, ela escrevia sobre o tempo, que um dia, envelheceu, de repente.
Vitor Berigo
Enviado por Vitor Berigo em 27/09/2007
Reeditado em 05/03/2010
Código do texto: T670795
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Sobre o autor
Vitor Berigo
São Paulo - São Paulo - Brasil, 32 anos
53 textos (2827 leituras)
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Vitor Berigo