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Betinho,o 1º filho (a Saga.28..)

     A vida de Constãncio e Fabiana transcorria normal;Ele sempre correndo,da Fábrica para os treinos no Futebol,pra casa,pros ensaios do coro na Igreja(junto com a mulher) as retretas com a Banda de Música,os almoços de domingo na casa da sogra,a volta pra Fábrica, segunda feira de manhã...E tudo se repetia.As novidades pra ele eram as partidas de futebol com o time do Cedro que a cada semana era numa cidadezinha diferente, novo público,novos adversários, gente nova,novas amizades...Era o que ele mais gostava de fazer,entre todas as suas atividades..
Foi Dª Maria Fel a primeira a notar que Fabiana estava grávida.As mudanças no corpo,os enjôos, a moleza preguiçosa a fome exagerada.....
Dª Maria FelixTinha uma particularidade. Apesar de não ter freqüentado a escola (mal sabia assinar o nome) tinha uma curiosidade danada em mexer com plantas e aprendeu a fazer chás e “garrafadas” com folhas e raízes que davam jeito praticamente em qualquer tipo de mal estar.Dizem até que quando o único médico do Cedro,ficava na dúvida com ulgum diagnóstico,escrevia um endereço num papel de receita e entregava ao doente com a recomendação:”Vai na Dª Maria Fel e diz que fui eu que te mandei...explica pra ela o que está sentindo...
 Nem é preciso dizer que Fabiana foi cuidada por ela com o maior carinho, os chás mais milagrosos e um amor muito grande sempre com sucesso, pois a filha teve todos os filhos em casa, com parteiras,supervisionadas,claro pela mãe,sem nenhum problema.
Constâncio ficou meio encabulado, mas na maior felicidade, ao saber que ia ser pai pela 1ª vez,mas a única coisa que não abria mão durante o pré natal da mulher, eram os jogos no time do Cedro Esporte Clube.
Era tanta a fidelidade que quando nasceu o primeiro filho,ele não estava presente.Era domingo e o time do Cedro estava disputando uma partida, felizmente,numa cidade perto dali. Deram um jeito de avisa-lo e assim que soube da notícia, ele abandonou a partida no intervalo do 1º para o 2º tempo, arrumou uma carona num caminhão que ia para Paraopeba e desceu no Cedro todo esbaforido, como era o seu jeito. Quando entrou em casa no Beco da Cataplasma, já encontrou Fabiana com o garoto no colo dando de mamar.Tomou outro banho, pra tirar a poeira da estrada e ficou vários dias ao pé da cama da mulher ”lambendo a cria” com um meio sorriso bobo na cara, ajudando a receber as visitas dos vizinhos e amigos. "É Roberto, vai se chamar Roberto..", informou à mulher, de repente.Esse é o nosso filho Betinho.Dª Maria Fel mal cabia em si de tanta alegria.Tinha conseguido criar a filha,com a graça de Deus ,que tornou-se uma mulher exemplar e hoje já era mãe de seu próprio filho,Oh, meu Deus!
Padre Chaves, era o vigário da paróquia de Santo Ant^nio, a Igrejinha da praça,  a mesma do Côro de Constâncio e Fabiana e do coreto na praça, onde a Banda fazia as retretas dominicais,tão esperadas e prestigiadas pelas moças e rapazes do Cedro..Foi com ele que Constâncio marcou o batizado do filho alguns domingos depois.
Fulô, foi escolhido para padrinho. E daí em diante ,ficou conhecido por todos como “Padim Fulô". Ele já estava noivo de Judite, nesta época, mas como Fabiana ainda não conhecia a moça e também sentia uma pontinha de ciúme do irmão, insistiu que a madrinha do menino fosse sua mãe, dublê de Avó e madrinha, agora.
Mas voltando ao Padre Chaves, o vigário era tão respeitado quanto temido, pelo fato de "botar a boca no trombone" no púlpito da Igreja, na pregação de domingo, sobre qualquer problema com os fiéisque tomasse conhecimento.
Abria o verbo, mesmo e citava nomes.Mesmo assim era muito querido e temido, pelos Cedrenses, querido principalmente por causa das festas religiosas que promovia e eram animadíssimas;
Uma certa vez, foi informado, naturalmente por alguma beata fofoqueira,que determinada moça, estava passeando de bicicleta, vestindo um "indecente" shortinho, pela praça da Igreja.(Onde já se viu, moça solteira mostrando as pernas na praça da Igreja?)mexendo com a imaginação da rapaziada...
Padre Chaves não vacilou e contou tudo na preleção da missa de domingo,inclusive citando o nome da moça,que por acaso era filha de um dos diretores da Fábrica.Em represália, "mexendo com os pausinhos" da política, os Diretores da fábrica,trataram da dispensa e transferência do vigário para outro povoado.
Um coroinha puxa-saco fez um abaixo-assinado pedindo a reparação da medida e respectiva volta do padre Chaves ao seu posto de pastor de almas do Cedro.
A tal lista de abaixo-assinado, corria diariamente no pátio da fábrica com o sacristão em busca de assinaturas. Quase todos os operários assinaram, inclusive Constâncio.
A Direção da Fábrica outra vez "mexeu com os pauzinhos" e deu um jeito de indenizar e mandar embora do trabalho quem tivesse assinado a lista..
Betinho já tinha um ano de idade e Fabiana estava grávida do segundo filho.Constâncio, angustiado, teve notícias que uma nova fábrica de tecidos estava sendo inaugurada em Belo Horizonte e estava admitindo novos operários.Conversou com Fabiana e considerando toda a situação, embora vivessem uma vidinha simples, mas sem dificuldades aparentes, ele desempregado naquela cidade ia ser um desastre total e não queria ver a mulher e praticamente dois filhos passarem dificuldades.  Como já estava mesmo de “aviso prévio”, pediu despensa de um dia de trabalho e foi a Belo Horizonte, onde se inscreveu como candidato a emprego na ”Companhia Renascença Industrial”, no recém nascido bairro Renascença, na zona nordeste de B. Horizonte.Na sua volta ao Cedro, Constâncio encontrou a família toda muito abalada com a nova situação. Dª Maria Fel, lamentava ter que viver longe da filha e dos netinhos sem poder ajudar na criação dos meninos.O pessoal doclube e os torcedores, lamentavam a exílio de seu  craque e artilheiro, Zebedeu e os músicos da Banda , a perda irreparável do seu primeiro Clarinestista. A maestrina do coro,então, quase teve um desmaio, quando soube que de uma só tacada perderia seu exímio clarinetista e a melhor soprano e solista que já passaram por aquele coro.
Constâncio procurou particularmente o Dr Alexandre, seu descobridor e agradeceu ao amigo, pela chance que este tinha lhe dado, pela sua amizade e colocando-se à disposição em B. Horizonte para qualquer atividade extra em que precisassem de sua ajuda,tanto no futebol, como na música. Dr. Alexandre também agradeceu ao rapaz explicou em poucas palavras que adecisão era de toda a Diretoria e que não podia ter ido contra eles,mas que o amigo podia ter certeza que tinha escrito parte da história da cidade do Cedro,mais tarde transformada em município com o novo nome de “Caetanópolis

Aecio Flávio
Enviado por Aecio Flávio em 05/10/2007
Reeditado em 06/10/2007
Código do texto: T681636
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Sobre o autor
Aecio Flávio
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 76 anos
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Aecio Flávio