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MEIO ANGUSTIADO, COMO UM GOLEIRO NA HORA DO GOL

                                                                                JANJÃO
Saiu da escola, suando muito frio. Olhava por todos os lados, uma multidão, tomava as ruas, com cartazes e frases, das mais variadas, mas com um único objetivo. Era sua estréia, nunca participou de coisa semelhante. Fazia o terceiro ano do cientifico, as notas estavam entre as melhores da classe. Gostava de cinema europeu e do Oficina.

Era muito mais, Vandré do que Tom Jobim. Conheceu o filosofo alemão do século 19, através de uma garota. Perderam a virgindade juntos.

Foi lindo, mas era só tesão, não tinha amor. Conheceu os amigos dela, que disseram que ele era capaz. Passou por um aprendizado de uns 2 dias, com um deles. O espelho velho de seu pai, jogado no quintal, serviu para as aulas. A imagem e som são fundamentais, para a tarefa a ele designada. A expressão facial, não pode transparecer fraqueza e medo. Rosto firme, passando uma imagem facial, de Homem forte e disposto a ir até as ultimas conseqüências.

Apesar disto, os movimentos com o corpo, são de todo fundamentais. Não se pode ficar parado igual poste, gesticular com as mãos, demonstra autoridade e discernimento. Tudo pronto. Ele seria o ultimo a chegar. Os outros iriam na frente. Faltava alguns detalhes: as pilhas e o caixote. Mas a turma garantiu, que tudo estaria providenciado. Atravessou aquela tarde o enorme portão de ferro, com detalhes de ninfas e monstros da mitologia mundial nas lanças.

Eram apenas dois quarteirões, que em situação normal, o percorria em cinco minutos. Desta vez, pareciam cinco horas. O suor ainda muito forte, escorria pelo rosto. A camisa encharcada e não era verão e sim mês de Julho, meio do inverno. A eternidade do caminho, chegava ao fim.

O povo lá, centenas, não se podia calcular. Chegou e avistou a cavalaria da PM, cercando a multidão e pronta para disparar o gás que lacrimeja e atirar (nem sempre é bala de borracha). Não dava mais pra desistir. Tinha que mostrar que podia. Aquilo era sério, vida real, não se tratava de HQ ou encenação Brechtiniana.

Caminhou tendo ao lado os colegas que o treinaram. Quase chegando lá, a Polícia começou a agir. O povo reagia com pedras e paus. Chegou a hora.

Ele empunhou o mega fone e subiu no caixote. Seu tamanho agora ultrapassava os dois metros, “angustiado como um Goleiro na hora do gol”, dirigiu um discurso de durou, menos de hum minuto. Despencou do palco de tabuas, desferido por um bastão de borracha da PM.

Acordou duas horas depois no quarto da garota que o desvirginou, com uma baita dor de cabeça. Mas avisou, amanhã tem mais.
dialetico
Enviado por dialetico em 09/10/2007
Código do texto: T686628
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Sobre o autor
dialetico
Limeira - São Paulo - Brasil, 55 anos
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