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Meus Amigos Suecos

                                                                                  JANJÃO
Roberto contou esta sua História no final dos anos 80, em um curso de formação que ministrava na cidade de Rio Claro.

Nos 60 Roberto estudante de Economia na USP São Paulo, não ficou de fora das agitações e mobilizações que tomavam conta do movimento estudantil Brasileiro, contra a Ditadura Militar.

Engajou-se, participou das passeatas, das marchas e foi preso no Congresso “clandestino” da UNE, em Ibiúna no ano de 1968. Tomou uns cacetes nos porões do DOPS (Departamento de ordem política e social), da Capital, mas foi logo solto e recebeu o conselho dos milicos para voltar a ter uma vida “normal”, ou se mandar do País, por bem ou por mal. Roberto escolheu o último caminho na ótica dos generais.

Militante da AP- Ação Popular, embrenhou-se na luta armada, preso pela segunda vez, conheceu o Pau de Arara e o tanque de afogamento. Libertado, saiu do Brasil em 1972, para o Chile democrático de Allende.

Por um ano viveu na paz, acreditando que o Chile poderia ser uma república Socialista, a primeira na América do Sul. Mas 11 de Setembro de 1973, chegou e meu amigo, mais uma vez foi parar na prisão, agora no estrangeiro. Apanhou, tem marcas pelo corpo até hoje.
Solto dois meses depois, conseguiu de uma organização de esquerda Européia, passagem para Estocolmo na Suécia e um conselho, sossegue o facho termine o curso de Economia, pois estas em um País que pode lhe dar todas as condições para uma boa e tranqüila vida. E assim foi, com muitas saudades do Brasil, Roberto voltou para um banco de faculdade e terminou os estudos.

Na Suécia cantada e decantada por Capitalistas e Socialistas, como um País onde os índices sociais e de padrão de vida são os melhores do mundo, tinha para Roberto um problema, que transcrevo abaixo sua fala:

“Não tive nos 7anos que vivi em Estocolmo, problema com grana ou emprego. Em pouco tempo comprei um apartamento, pequeno sim, mas confortável. Minha primeira mulher conheci na Suécia, Brasileira como eu. Mas apesar da comodidade sócio, econômica, me senti triste e as vezes deprimido naquele País gélido. No tempo que lá morei, não via a hora de poder voltar para o País, por uma única razão, AMIGOS. Aqui tinha saindo pelo ladrão, de todas as raças e cores. Amigo é a coisa mais dignificante para o ser humano, a gente segurou a barra pesada no Brasil e no Chile, muitas vezes, por ter AMIGOS. Na Suécia o contato pessoal, informal e solidário é zero. Saí de Estocolmo em 1981, lá deixei 5 amigos, destes apenas um era sueco”.
dialetico
Enviado por dialetico em 09/10/2007
Código do texto: T686635
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Sobre o autor
dialetico
Limeira - São Paulo - Brasil, 55 anos
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