Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Melodia do amor!!!

          Boate Sunshine. Barra da Tijuca. Dizem que o primeiro show um cantor nunca esquece. É justamente isto que Lucca poderá comprovar daqui a exatos dez minutos. Seu estilo, que vai desde rock progressivo, semelhante ao grupo Evanescence, até as melodias românticas lhe abriram as portas da boate.
          Julio, o posudo dono da boate, resolveu apostar no talento do jovem cantor. Ele, que possui o toque de Midas, como dizem os que o conhecem, vê um futuro promissor no rapaz, diferentemente do que expôs sua filha Pâmela. A jovem e bela ruivinha foi totalmente contra a idéia de seu pai, o que deixou Lucca muito triste e irritado. O porquê disto? Os dois jovens estudaram juntos até terminarem o ensino médio. Pâmela sempre foi apaixonada por Lucca e ele por ela, mas a timidez da adolescência impediu que se declarassem. Não obstante a isto, uma intriga os afastou e fez a chama do amor quase se extinguir. Eu disse, quase.
          Onze da noite. Hora do show. Lucca sobe ao palco sob os olhares curiosos e perscrutadores dos jovens no salão.
               - Boa noite galera. Meu nome é Lucca e eu vou tentar dar uma animada na noite de vocês.
          Lucca percebe que Julio o observa pela janela do escritório. Na pista, Pâmela solta uma agulhada no rapaz.
               - Esta eu pago pra ver.
               - Aceito a aposta gatinha.
          De imediato Lucca dedilha sua guitarra e no mais puro estilo Evanescence inicia seu show.  De cara a empatia com o público fecha um contato excelente e em resposta a pista começa a fervilhar. Os jovens começam a curtir e a gostar do som do rapaz, enquanto Pâmela o observa com olhos brilhantes e sua alma radiante, embora ela não queira admitir.
          Emendando uma música a outra e alternando estilos, Lucca vai dominando a noite na boate e amolecendo o duro, porém doce, coração da ruiva.
          Por volta das duas da manhã ele interrompe o show.
               - Bem galera, a ultima da noite. Minha saideira é uma homenagem a uma bela jovem.
          Primeiro a galera protesta pelo fim do show, para depois vibrar com suas palavras: uma homenagem a uma bela jovem. Lucca diz isto e fita os olhos em Pâmela, que após a segunda música já soltara o corpo ao som da melodia e o admirava mais, só que ao ouvir tais palavras ela remonta ao passado, vira as costas e se encaminha para fora da pista, mas é interrompida pelo músico.
               - Eu fiz esta música há seis anos atrás, para uma menina que estudava comigo. Uma ruivinha que já era linda naquele tempo e está muito mais agora. Esta música foi feita para você, Pâmela.
          A ruiva estremece e se volta na direção de Lucca com os olhos brilhantes e marejados. Suas amigas começam a mexer e brincar enquanto no palco Lucca segue entoando a canção romântica. Os casais na pista dançam com os rostinhos colados. Quem ainda não estava com ninguém acabou conseguindo uma companhia para dançar. A música contagia e estimula. O clima romântico quase se faz tangível. Lucca realmente tem talento, tanto como cantor quanto como compositor.
          Após as últimas melodias e sob uma chuva de aplausos ele desce do palco e caminha na direção de Pâmela. A jovem se recompõe e torna duras as suas feições. Ela fala primeiro.
               - Você ganhou a aposta.
               - É, acho que sim.
               - O que acha que merece?
               - O que diz minha música. O amor da minha vida pela eternidade ao meu lado.
               - Procure a tonta da Rosana então.
          Dizendo isto Pâmela vira as costas e tenta sair, mas tem sua mão segura por Lucca.
               - A música não foi feita para ela. Foi feita para você. – ele diz chegando seus lábios ao ouvido da jovem.
               - Mentiroso.
               - Você nunca me ouviu dizer que a música era para ela. Esta música foi feita com o coração. Eu entreguei meu coração a esta música e esta música a você.
          Pâmela se vira e encara Lucca.
               - Como vou saber seis anos depois?
               - Pergunte ao seu coração.
               - Ele não ouviu a música.
               - Se não ouviu porque você treme?
               - Frio.
               - No verão?
               - Ar condicionado.
               - Suando frio?
               - Dancei muito.
               - Tremor na voz?
               - Cansaço, cantei com você, digo, cantei muito.
               - Olhos marejados?
               - Como os seus estão. – diz ela amolecendo.
               - Dúvidas?
               - Mais nenhuma.
               - Se minha música é sua...
               - Seu coração também é.
               - Não me abandone ruiva.
               - Não me decepcione. Por favor.
          Lucca põe a mão no rosto da bela ruiva e lhe dá um beijo apaixonado. De súbito ele sente uma mão em seu ombro. É Julio, o pai de Pâmela e dono da boate. Meio sem jeito ele olha para o empresário sem soltar a mão dela.
               - Meu rapaz, você realmente tem um futuro promissor.
               - Obrigado.
               - Cuide bem da minha filha enquanto eu cuido da sua carreira.
          Lucca apenas aquiesce com um gesto de cabeça, enquanto Pâmela o abraça. Toda história de amor possui um final feliz, mas esta história está apenas começando e muito, muito longe de acabar.


Léo Rodrigues
Enviado por Léo Rodrigues em 09/10/2007
Reeditado em 09/10/2007
Código do texto: T687737
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Cite o nome do autor e o link para o site "www.leorodrigues.recantodasletras.com.br" e entre em contato comigo pelo e-mail contido no mesmo site.). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Livros à venda

Sobre o autor
Léo Rodrigues
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 40 anos
150 textos (37921 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/10/17 22:56)
Léo Rodrigues

Site do Escritor