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A Fila


É sexta feira, primeiro de abril. Estou na fila do banco do Brasil com umas trinta e cinco pessoas à minha frente. Dois caixas atendendo, na maior lentidão, levando em média dez minutos para atender cada cliente, sem falar nos cliente que estão com malotes, que em média ficam cinqüenta e cinco minutos na fila.

Coçando as mãos, estou visivelmente irritado, imagino o tempo que vou perder na fila. Muitas vezes marcava o lugar e ia para os correios enfrentar uma outra, um pouco menor, mais ou menos dez pessoas à frente, infelizmente hoje, não posso fazer isso, é hora de almoço e os Correios está fechado.

Apesar de ter nascido atrasado, uns dez dias depois do prazo, sou muito apressado, pra se ter uma idéia: ando tão rápido que quando dou bom dia a uma pessoa ouço a resposta lá na esquina. Por isso filas é um inferno, às vezes deixo pra voltar depois, amanhã, mas hoje não posso, já que é o último dia da fatura, atrasa-la terei que pagar juros, que normalmente, pago, infelizmente esse é muito alto, vinte por cento por dia de atraso, é melhor ficar.

E nada do tempo passar, fazia qualquer coisa: ou pra acabar a fila, ou para ter um “Walkmam” pra tentar fazer o tempo passar, até nisso estou sem sorte.

Cidade pequena; conheço a maioria na fila, entretanto, puxar conversa só iria aumentar a irritação, já que todos comungam a mesma amolação.

Nem os cochichos, positivos, sobre meu programa jornalístico, conseguem me animar, o bom do rádio é que as pessoas só conhecem por nome e voz. A perna começa há adormecer, ficar em pé é um desafio.
Por muitas vezes ensaiei um desmaio, uma loucura, qualquer coisa que fizesse ser logo atendido, cadê coragem? A única que tenho no momento é a de ir embora, mas, resisto.

Chateado, começo a lembrar dos bancos na minha cidade natal, quinze minutos no máximo, as filas lá são três vezes maiores que as daqui, mas, os caixas são suficientes para atender todo mundo em no máximo quinze minutos.

E lá se vai quarenta minutos, poderia estar almoçando um belo feijão tropeiro com carne de sol bem passado que só minha velha sabe fazer. Tentar imaginar o cheiro da comida é suicídio, muita gente num local pequeno, mesmo com ar condicionado, fede.

Pra piorar, um amigo, boa vida não quer encarar a fila, sou o décimo quinto a sua frente. Pede, que eu pague sua fatura,. Que falta de respeito! Nós encaramos a fila e ele não, é claro que neguei. O que criou um ambiente tenso.

Uma hora e dez minutos depois, a “desgraça”, quer dizer, a fila, acaba pra mim, não a irritação, o caixa a que me dirigir fecha, os envelopes dos caixas eletrônicos deveriam ser analisados depois do expediente, negocio com o caixa, esse faz uma exceção e me libera.

João Áquila
Enviado por João Áquila em 10/10/2007
Código do texto: T688034
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Sobre o autor
João Áquila
Aracaju - Sergipe - Brasil, 34 anos
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João Áquila