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O DIA EM QUE O GOVERNADOR SAIU DE GATINHOS

                                                                                 JANJÃO

Fazia uma calor de rachar naquele 1º de maio na Capital Paulista. Francisco Dias Martins operário metalúrgico, acordou apreensivo, no dia do Trabalhador.

A mulher Marilda até estranhou, que em dia de feriado, chiquinho comia como um leão no café da manhã. Naquele dia, não comeu nada, só tomou o café preto da marildinha, como carinhosamente ele a chamava. Tomou e saiu rapidamente, disse que os companheiros da oposição ao sindicato, o esperavam na rua direita.

Chiquinho, fazia parte do grupo que se opunha ao pelego Interventor do Sindicato dos Metalúrgicos, o Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão.

A ditadura completara naquele ano 4 anos, e além das liberdades democráticas estarem reduzidas, reinava o arrocho, a recessão e o desemprego.

A maior parte das categorias estavam insatisfeitas com a situação e já se tramava em silêncio nas fábricas, reações que levariam a resistência e a luta contra o regime.

A maioria dos Sindicatos, estavam entregues aos chamados sindicalistas "pelegos", muitos interventores colocados nas entidades sindicais, pelos militares.

Chiquinho naquela manhã encontrou-se com os companheiros da Oposição e lá foi informado que o grupo se juntaria ao movimento estudantil e as organizações que se opunham ao regime, para se dirigirem até a Praça da Sé e protestar contra a manifestação festiva que os pelegos fariam, com a presença do então do Governador do Estado Abreu Sódré. A Praça da Sé sempre foi um local tradicional de manifestações do 1º de Maio.

Iniciou-se a "Manifestação" da pelegada. Abreu Sodré era todo sorriso em cima do palanque. Os discursos eram de que o arrocho seria combatido pelos sindicatos.

Os trabalhadores e lideranças presentes sabiam, que tudo aquilo não passava de uma bela de uma farsa. Conversa para enganar os operários e reafirmar o apoio daquela turma aos militares golpistas.

Chiquinho trabalhador consciente, viu a sua frente uma pedra enorme. Não titubeou. Lançou a mesma sobre o palanque e a partir desta outras foram atiradas, juntamente com uma sonora vaia, que cobriu a fala do governador. A agitação foi tamanha, que todo o staf de cima do palco, saiu correndo, fugindo das pedradas.
Nisto Chiquinho fraga o Governador, literalmente de quatro engatinhando, para fugir das pedras. Cena patética, de um dos principais políticos de sustentação a ditadura.

Enquanto a comitiva se refugiava na Catedral, o palanque foi incendiado e uma passeata se iniciou com slogans "Abaixo a Ditadura", "Contra o Arrocho e o Desemprego" e outros.

Chiquinho voltou para casa naquele dia no final da tarde, feliz da vida, pois mais uma vez as elites não se apropriaram do 1º de Maio, tornando-o dia dos senhores presentearem seus escravos.
dialetico
Enviado por dialetico em 11/10/2007
Código do texto: T689909
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Sobre o autor
dialetico
Limeira - São Paulo - Brasil, 55 anos
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