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Sargento Antônio







- O senhor é o Sargento Antônio??
- Não, imbecil, o meu pai é que é!
- Como assim!!!
Tá ( um tabefe no pé do ouvido)
- Ah! É o sinhô, dotô!??
- Sim, sou eu. Diga o que deseja, senhor Gustavo!
- É que o senhor tirou o guião da bicicleta de meu filho...
- Tirei foi o guidom, seu burro. Tava andando pela rua com as mãos soltas... Dei duas borrachadas e o mandei imbora sem o guidom.... O que veio fazer aqui?!!!
- Nada não sinhor!  Vou dar uma surra no meu fio quando chegar em casa.
Dona Firmina, uma mulher distinta na cidade, dava a entender que seria a próxima delegada do distrito, havia um parente seu que entrara para governador e poderia fazer a devida interferência. Sempre mandava seu marido resolver problemas com o propósito de aparecer como autoridade.
- O que o sargento falou? Perguntou Firmina ao marido antes de ele adentrar sua casa.
- Falou que bateu no menino... E não me devolveu o guião.
- Vou eu lá pessoalmente buscar o guidom da bicicleta.
A delegacia era em um quarto adaptado na casa do próprio sargento. Dona Firmina chegou e o sargento que já conhecia sua fama mandou que ela entrasse e fechou a porta com a chave. As janelas nem preocupavam, posto que o sergento era muito visado e sempre as mantinha fechadas.
- Trancou a porta por que motivo, Seu Delegado?!
- É que assim ... – se levantando da mesa e se aproximando da mulher -  ...a senhora pode ficar mais à vontade para nossa conversinha.
- Que conversinha, Sargento, vim aqui buscar o guidom da bicicleta de meu filho!
O sargento ignorava suas palavras fitando suas pernas num tom irônico. Deu-lhe meia volta rabiando o olhar sempre nos dotes da mulher.
- O senhor deveria se comportar como autoridade! Exclamou dona Firmina esbofeteando o sargento.
A reação foi de imediato:  O homem furioso agarrou a mulher pelo braço imobilizando-a e ordenando que não gritasse, e a estuprou sem a menor cerimônia.
- A senhora até que é sensata, disse-lhe o Sargento ajudando a mulher arrumar a roupa.
Dona Firmina não conseguia falar, perplexa com aquela situação. O Sargento então arrancou da gaveta um trabuco e a sentenciou:
- Se falar alguma coisa já sabe!
Firmina apenas balançou a cabeça e saiu chorando pelas ruas. Dona Felomena que nunca deixara uma coisa passar na rua sem observação, foi ter com Firmina:
- O que houve, Firmina!!! Nossa!!!  Foi o sargento Antônio???
- Ele vai me pagar, Flomena! Sei o ponto fraco dele. Foi a mãe dele que falou-me. Ele vai me pagar!!!
- Mas o que foi que aconteceu????
- Nada, ele vai me pagar!
Foi a Dona Firmina para casa pensando na vingança. Criar baratas. Pensava ela.
Uma semana depois agendou com o sargento um encontro:
- Sabe Sargento, sempre tive alguma queda pelo senhor e agora...
- Quem está falando?!
- É Firmina, Sargento...
- Firmina! Ah!- As mulheres gostam mesmo dessas coisas-  Qual o seu propósito?
- Aquela porta fechada em nosso encontro me deixou muito... Sei lá...
- Venha outra vez, Firmina, que te dou a chave da porta...
- Vou sim, Sargento... Sábado... Pode ser sábado?
- É claro!
- Então, Sábado às dez hora estarei aí.
Essas mulheres, foi dizendo o sargento ao seu subalterno, gostam mesmo da sacanagem...
O sábado chegou e Firmina, como no prometido, foi na casa do Sargento com duas caixinhas de papelão e um sorriso daqueles de não dar desconfiança...
-É hoje... Pensou o Sargento.
Firmina  foi lhe dizendo com a calma das grandes amantes:
-Tira a roupa... ! Depois do banho pode vesti-la novamente.
Firmina foi para o banheiro levando a roupa do Sargento e a embebeu de soda caustica numa proporção insuportável em caso de contato com a pele. Soltou depois uma porção de baratas no cômodo que enlouqueceu o Sargento que tinha pavor ao inseto, e Fê-lo vestir sua roupa às pressas e sair correndo pelas ruas... A soda queimou-lhe tanto as partes que sem querer mostrava as suas vergonha pelas ruas se debatendo pelo ardor.
Ao ver aquela cena, Firmina não ria, mas dentro dela arejava um ar de alívio pelo mal que aquele ingrato a fizera.
Geraldo Altoé
Enviado por Geraldo Altoé em 25/10/2007
Reeditado em 25/10/2007
Código do texto: T708725
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Sobre o autor
Geraldo Altoé
Serra - Espírito Santo - Brasil, 61 anos
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