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O Abismo

MINHA meninice nunca se deu conta de até onde aquele abismo podia chegar. Era um enorme buraco no meio da cidade, onde, diziam os mais velhos, moravam monstros inimagináveis, vindos de lugares distantes. Contavam com um certo ar de deboche, um sarcasmo que me entretia quando criança e me fazia dormir depois de adulto.

Lá estava aquele abismo, pronto para ser explorado por alguém mais corajoso. E eis que eu, já velho, resolvi ver o que lá embaixo tinha.

Desci. E juro que esperava monstros enormes, daqueles saídos das lendas dos velhos e das bocas dos infantes. Jurava que iria ver naquele abismo toda a mácula monstruosa. E desci. Cada vez mais fundo desci. Parecia não ter fim, parecia que nunca encontraria o fim daquele buraco escuro e profundo.

Eis que me enganei.

Deparei-me com um velho. Esse velho me olhou com olhos mais velhos e cansados que ele mesmo. Aquele olhar frio petrificou meu coração, pois ele me dizia uma coisa que palavra nenhuma podia expressar.

Aquele velho era o reflexo de mim hoje.
Fabio Melo
Enviado por Fabio Melo em 06/11/2007
Código do texto: T726505

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Sobre o autor
Fabio Melo
Santo André - São Paulo - Brasil, 33 anos
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Fabio Melo