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opereta plebe

     
        OPERETA   PLEBE


   Uma miniaturazinha de garrafão de vinho que papai trouxe, com aquele chique traçado de cortiça que dá o it. Ele trouxe e disse que era para brincarmos.E como brincamos com isto?como papai?Papai não responde, nem eu pergunto.Papai se senta na sua poltrona magra; o rosto  velho e cansado,a mala sobre os joelhos,os sapatos de couro preto tão velho de tanto uso.
  A miniatura passa da minha mão para a mão do meu irmão, que examina atentamente como se procurasse uma verdade maior do que a simples do objeto.E eu já estou tão distante, eu estou olhando os olhos de papai que cansado ouve contente o chiado do bife fritando lá na cozinha.
  Meu irmão mais velho Germano sabe como brincar com a miniatura do garrafão; ele vai tombando assim trôpego pelas paredes encardida e de tinta descascada da nossa casa, e com a miniatura de garrafão na mão...
   Eu estou...bêbado, bêbado...eu quero Amália,quero Amália...Ele me faz rir,faz ri Ronaldo,faz quase rir papai.E papai recebe o prato fumegante de arroz e feijão e bife de mamãe que parece sempre “corada”.
  Germano sempre chama Amália quando está bêbado, e se brinca de bêbado chama apenas de sacanagem.Amália é aquela garota ruiva e sardenta da esquina da Tobias Barreto.Ela mora lá(aonde eu acho...) que há iluminação e asfalto na rua.
  São três irmãos: Germano, Ronaldo e eu.Mamãe ta barriguda(por isso está corada).Eu não sei por quê.Mas germano me disse que vem mais um irmãozinho...
  Ah papai está trabalhando tanto.Papai trabalha na Rua Uruguaiana – eu pergunto aonde é está rua e Germano me responde que é apenas na Cidade – mas papai conserta também tv, rádio;e sábado e domingo fica com a cara enfiada dentro daquelas tvs quadradas,com aqueles seus óculos de aros pretos.Eu olho curioso para dentro da tv aberta,e vejo tantas válvulas coloridas.
  Papai, se estragar uma destas válvulas, você me dá?
  Não pode Zé,não pode que isto pode machucar.
  Mas eu não vou quebrar papai, eu não vou quebrar.Eu vou querer a válvula que já tem nome de mulher: Silvania.
   Germano cai no chão de taco riscado com a miniatura, e fecha os olhos fingindo ser um bêbado que não agüentou e caiu na sarjeta por causa da sua Amália.E geme o nome dela rindo, porque eu rio também, e enquanto eu rio fico pensando o que pensa Ronaldo que estar tão sério.Ronaldo finge rir para que eu não perceba porque eu quase sei.Ronaldo pensa no futebol lá no campão do Rio Bota amanhã de tarde;e Germano aproveita para ir pescar rã no Rio Bota;e a mãe faz escondido do papai – ele não gosta – e ela faz até com farofa.
  Germano criava  uma cobra d’água dentro de um vidro e deu-lhe o nome de Clarice.A alimentava de rã,e sobrava muita rã para a gente.
  Mas papai exigiu que desse fim a Clarice,papai exigiu zangado a pena de morte para Clarice.Eu vi horrorizado,acho,a Clarice delgada como um macarrão que era,sendo queimada na frente do quintal.
  Eu tinha horror a Clarice,mas mesmo assim tive pena dela.
  Aproximo-me silencioso e de gatinhas no chão de Germano,que finge dormir ou coisa parecida;ele estremece e ri,logo me aproximo muito,e me assusto.Eu só quero a miniatura,só a miniatura,e ele me da logo se erguendo.Pede ao papai dinheiro para sair.É com Amália,é com Amália?Eu quero tanto saber porém eu não pergunto.Sei que papai repreende feio se pergunto sobre Amália.E de qualquer jeito ele não ganha o dinheiro para sair,e se é ou não com Amália fica sendo para os tempos impossíveis.
  Germano abre aquela porta dos fundos,aquela de uma taramela pesada e barulhenta,e vai para o banheiro que fica aos fundos e isolado do restante da casa.Com uma toalha nas costas ele vai cantarolando Evaldo Braga.E manda sorrir,sorrir meu bem...e olho para noite escura dentro do meu bosque agreste que durante  o dia é tão inofensivo e agora olhando assim me  da arrepios...Agarro-me a miniatura de garrafão de vinho,e vejo o gato amarelo da mamãe surgindo lá da escuridão,com cara de sonso.Pergunto:Xande,o que fazia nesta escuridão sozinho?Xande,Xande,quase nome de gente para gato...coisas de mamãe que não sabe fazer tricô nem crochê e eu acho que é tia Idalina que faz o enxoval do bebê.Tia Idalina faz também doce com laranja da terra.
  Mas tão amargo,tia Idalina,como você consegue?Vovó me olha feio:Como me ensinaram a chamar os adultos de você?E eu chamo vovó de você também.
  Ah eu sou tão curioso.Amália tinha cheiro de melancia,e eu tinha tanto nojo como desejo de receber seus beijos cheio de batom.
  A cozinha de tia Idalina tem chão de cimento cascudo,e lá em casa aquela cerâmica “enceradinha”.
  Tia Idalina precisa arear esta cozinha.Tia Idalina rir,todos em volta riem,e perguntam se devem arear com bom bril como acontece com as panelas? Sei que falei besteira mas insisto,por diversão,no erro.
  Mamãe numa tarde chuvosa para ninar a neném,que havia nascido pouco antes do verão,colocara o compacto do Evaldo Braga:eu não sou lixo.E a voz forte como a chuva que cai lá fora e em cima do telhado em Che a casa,enche todos numa azafamada corrida para todos os lados.
  A vitrola é um monstro tamanho de um armário e o gato estar deitado numa pose de jarro em cima dela.
  Meu Deus! É agora que a mamãe ver,é agora :o Evaldo Braga na capa,com seu terno e calça branca e flor roxa na lapela,estar com chifres feito à caneta.Germano rir malicioso e se diverte.Se diverte e faz de novo o jeito de quem esta bêbado,e pensando nisso penso aonde anda a miniatura?
  Amanhece um dia lindo e com ventos de maio.Eu acho que Nossa Senhora vem me visitar em forma de estrela ao lusco-fusco.É maio,mês da mãe de Jesus.Germano tira meleca do nariz e vai colocando na boca e diz para mim que tem gosto de pão;Ronaldo faz o mesmo.Estamos à mesa,e as bisnagas já se foram,e eu só como o bico da bisnaga e digo com violência na voz que não,não tem gosto de pão não,e Germano debate:se eu nuca provei...e me estira o dedo com a sua para que eu pegue.Eu chuto sua mão e a meleca cai na toalha da mesa e se mistura com as cascas de pão derramadas.
   Mamãe vai ver a neném que parece estar chorando lá no quarto,é o que se ouve estridente de cá.Eu acabo de tomar meu café e corro para o meu bosque agreste;corro e vejo e comprimento a amoreira e tangerineira preguiçosa que se recusava agora a dar frutos.Olho para o quintal vizinho que é cheio de galinhas mas tem um lindo pé de cerejas como tem lá na casa de Tia Idalina junto ao poço.Ah eu queria e quero um pé de cerejas no meu quintal;e falta cerejas e carambolas...e guardo a semente da cereja e a planto junto ao poço.Nem é preciso regrar,mamãe lava a roupa e joga a água que escorre até onde estar a semente.
  Ah mas eu sou tão curioso,tão curioso que não tem jeito.Demora tanto a nascer assim?Tia Idalina explica,do jeito que dá,que sim.E eu vejo numa manhã tão ensolarada que acho que é setembro,a semente se abrindo no chão...e eu e eu a tirei do chão porque,bobo,quis vê-la nascer em minhas mãos...Nunca tive meu pé de cerejas.Pelo ao menos posso tentar ter um pé de carambolas.Ah sim posso;e roubo um galhinho do pé de carambolas do quintal de Amália.Corro para casa de tão alegre,vendo as pipas no meio da rua úmida e brejenta levantar vôos nas mãos dos meninos,e alcanço o interior da minha casa e logo chego ao bosque que  fica aos fundos.E de cócoras vou cavando a terra fácil junto a um cajueiro e ali planto o galhinho de carambolas.Satisfeito,me ponho de pé,e admiro.Breve vou ter carambolas,breve;lindo como na casa de Amália que tem junto ao seu portão.Só que o meu vai ser dentro do bosque agreste,de companhia ao cajueiro torto com o Frei Damião.
  Sou tão bobinho,tão bobinho – penso – logo interrogo Amália sobre o porque que o galhinho de carambolas murchou suas folhinhas?E ela sorrindo como uma melancia partida diz que é assim mesmo o processo:murcha,cai as folhas e nasce novas tudo de novo,tudo de novo,tudo de novo,eu tinha que aprender mas aprender talvez que não é assim com o brotinho que carambola nasce...Mas cadê a semente da carambola?
  Sim eu olho o lusco-fusco acontecendo cor de rosa na ventania de maio e lá está a estrela enorme – que secretamente – digo que é Nossa Senhora que vem me ver.ela vem em forma de estrela.
  Peço a Nossa Senhora que ache a minha miniatura de garrafão de vinho.Não sei Mãe de Jesus como que ela se perdeu de mim e assim se perdeu do mundo.Pergunto a todos nesta casa,mas ninguém está interessado no destino de uma futilidade.
  E de baixo da pia está um garrafão de vinho gigante em comparação a aquele,com aquele chique traçado de cortiça e a rolha idem.E aparece que os ânimos vão se esquentar.
  As primas estão aqui,e até tia Idalina,e vejo bandeirinhas de todas as cores  na varanda.É junho,é junho...já sei que esfria as noites e os grilos e as rãs cantam alegres dividindo o brejo;e aqui dentro da casa é o calhambeque bibiii do Roberto Carlos...e o papai tira um maço de cigarros do bolso da camisa,e acende na penumbra da rua,e grita para dentro de casa que acendam a luz da varanda que a noite já toma tudo.A noite se toma rápido no céu ao mês de junho.E Roberto Carlos avisa que é proibido fumar ou o fogo pode pegar.O fogo vai pegar na fogueira de São João na frente da casa.A vovó mal podendo com as pernas desceu a ladeira de barro do Parque Sto Antônio e veio para Santa Maria para à fogueira de São João que a mamãe armou.
  E que noite linda,iluminada como nunca se vira até então na Tobias Barreto tão escura.Mas eu fico distante,tenho medo do fogo,e me protejo nas pernas de papai e me admiro que todos da rua fazem em volta da fogueira uma humilde retreta.
  A rua está iluminada:é uma noite atípica.
   Sinto o cheiro do vinho,o cheiro acre do vinho que estão todos à beber .Mamãe e Germano estão quase bêbados e felizes,papai finge não saber da bebida e vai se deitar.
  Tia Idalina frita pastéis e assa um marreco.Ah,me deu tanta pena do marreco;de pescoço verde-musgo a andar pelo quintal,pelo meu bosque agreste com o seu “quá” tão rouco e eu crente que fosse o marreco um animal de estimação e acaba assim,assim...assado no forno,com as asas e as patas juntas como num amarrar de fraldas.
  O marreco fica assim,dentro de uma forma de alumínio no centro da mesa,naquela pose.E eu ainda me lembro do marreco correndo pelo quintal,correndo...Pelo ao menos do marreco eu sei o fim.Vejo o sorriso de satisfação no rosto de tia Idalina ao cortar as partes do marreco a me dizer que o marreco era para isto mesmo.Para isto serve um marreco.E assim vou achando que entendo a vida,a roda-viva.Sei ou acho que estou no topo da cadeia alimentar.Sei lá se no escuro denso do agora em meu bosque agreste não vai sair nenhum animal feroz a tentar me devorar? E eu bem que pensei em voltar a varanda,porém a vi tão acotovelada de gente a dançar disco music,que voltei para o meu bosque agreste.A fogueira lá na frente estar arrefecendo e a vovó espera ela de todo acabar para então pisar na brasa como em promessa à São João.
  Ah eu queria,eu queria me aproximar do bosque agreste,mas a escuridão lá está tão densa que sinto a fria nebulosa de uma perpétua solidão que me circunvizinha;o cajueiro está ainda mais parecido com o Frei Damião.Eu fico, debaixo da lâmpada da área depois da cozinha,o olhando na escuridão e acho que ele pode até se mover como se fosse vivo,como se fosse mesmo o Frei Damião mesmo.Mas é apenas um vento,um vento que acho que até o silêncio –por certo dolorido instante –faz acontecer lá na frente.
  E o marreco acho que já se fora...e o vento traz o cheiro de melancia que é de Amália,e eu ouço o nome dela no intervalo em que se  troca novamente a musica,e penso se será Germano? Mas não parece voz dele,parece voz de dentro da minha mente,que eu estou de cócoras debaixo da luz encarando o possível Frei Damião.
  Como papai consegue dormir se ouve-se agora o”help” dos Beattles,e a fogueira já era,e a  vovó já deve estar indo claudicante apoiando-se na tia Idalina porque a fogueira já se apagara até suas últimas brasas.
  O papai dorme,ronca talvez,enquanto a noite avança do mesmo jeito que as rãs coaxam no brejo sem nada modificarem.
  E tudo é escuro novamente na Tobias Barreto porque a fogueira já se fora como assim do marreco só sobrara os ossos.
  Encaro novamente a frente da casa : a varanda iluminada,as bandeirinhas coloridas que balançam ao vento,as primas e o primo Paulo que estão...bêbados;Germano que nem liga mais para Amália porque existe ouras amálias o cercando,mas só ela “aquela “ que cheira a melancia.A mamãe troca na vitrola – que é um monstro tamanho de um armário – o disco que acabou por um do Roberto Carlos novamente.e ela está feliz,gloriando o céu de telhas;e já sei e vejo o garrafão de vinho em tamanho gigante com o traçado chique de cortiça em cima da mureta da varanda:vazio,vazio...E é por isso que se acabam de tanta felicidade.E olha o gato aparecendo de esguelha,quase sem querer ser percebido e vai ficar em cima da vitrola-monstro em pose de jarro.
  E amanhece rápido aquele dia assim mal eu fecho os olhos e vejo o céu de telhas,na abóbada tão profunda e das vagas e escuras teias de aranha.E eu acordo primeiro.Acordo primeiro assim logo cedo,com o trinar alegre dos pássaros mesmo num dia que o sol não apareceu.Abro a porta de taramela pesada e barulhenta,e os morros atrás de mim – eu sei – silenciaram por um instante seu mastigar.
  Estou de frente ao meu bosque agreste e assim como a casa dorme,as plantas não parecem se manifestar infiltradas no cinza da manhã;é o cajueiro que olho com aquele fascínio como de dentro de uma bruma:Frei Damião,expio-me achando-me em heresia;eu sabia e ouvia a vovó e a tia Idalina e até a mamãe dizerem:é um santo homem,é um santo homem...
  E enquanto os passarinhos tão quase invisíveis trinam e ciciam,os morros azuis-verdeados e tão longínquos voltam a mastigar o silêncio da casa e da rua.E o gato vem assim por entre as minhas pernas e pedindo carinho com cara de sono,e dentro da casa o cheiro de fritura e o azedo do vinho me embebedam numa ânsia de maturidade...
  De cócoras,acariciando o gato,eu penso olhando meu bosque no infinito que eu acho dele,da minha infância,de ser criança.
   Eu cato as pilhas que vão ficando gastar e vão deixando o rádio e assim formo uma família:Ray-o-vacs,evereadys.E uma amarelinha apaixonou-se por um eveready que é a pilha do gato.e é a maior encrenca,e há a confusão na tertúlia e eu estou no canto da enorme varanda comungando comigo mesmo já no grão menor de toda a loucura.E a varanda é enorme,é imensa como um túnel;eu me assusto – sem saber –quando percebo que estou só,mas eu quase ouvi,não ouvi só,sentir também as pilhas falarem,se mexerem até.Eu sei entrar dentro do meu mundo e só tenho medo de não conseguir sair dele.Tenho medo de ficar para sempre,e ainda assim arrisco.E ainda assim ouço mamãe dar um grito,na cozinha,quando deixa cair e quebrar um copo,e Ronaldo e Germano saem já sujos e prontos para irem jogar bola no campão ao lado do Rio Bota.É que a tarde é viva como o sol que arde;mas eu fico só,não para ficar só dentro do “meu mundo” porém para cuidar de tanta coisa que botar para dentro de casa quando a tempestade no horizonte começar a se formar...e então mamãe se assusta:Deus que lixarada é está na sala!E como eu explicar que todos precisam se proteger do temporal,e até mesmo os palitos,as caixas de fósforos já usadas,pilhas velhas,chapinhas...todos vão ficar ai protegidos da tempestade que se aproxima com ventos e raios barulhentos como as trovoadas e eu me encolho de cócoras,entre o sofá e o umbral de entrada da cozinha,junto aos meus “renegadinhos” e começo a orar por Nossa Senhora;por que Nossa Senhora tem os olhos tão bondosos e vai abrandar tudo com o seu sereno coração.Acabo também pedindo pela miniatura do garrafão de vinho que desapareceu sem destino e ouvir alguém dizer que as coisas insignificantes somem assim sem que ninguém as note.Foi Germano que disse,pode ter sido Amália e até mesmo papai.Sei que dou importância,cada vez mais importância...E acaba a tempestade e eu devolvo as coisas para o quintal,mas deixo apenas,bem escondido no pé do sofá – protegido – um sujo pregador de plástico cor de abóbora,que devia estar quebrado e por isso fora para o lixo (o quintal).E quando amanhece o dia eu procuro,eu procuro,enquanto mamãe me apressa é que eu e Ronaldo começaremos a estudar.Mas eu quero saber,quero saber mamãe,onde está meu amiguinho?Ela rir e mexendo o café dentro do coador coma colher vai dizendo:aquele pregador velho e sujo eu joguei lá no quintal.Eu corro para o quintal,corro azafamado a procura-lo.E aonde,aonde?Rodo pelo poço,vou por perto do tanque enrugado e manco.E cadê?Sinto um amargoso embargo na garganta quando penso que mamãe maltratava-o tanto,tanto,o pobrezinho;e estar só jogado por aqui...mas é eu achá-lo,é eu acha-lo.E o cajueiro pareceu me indicar quando uma de suas pesadas folhas veio ao chão bem aos seus pés monstruosos:lá estava;lá estava sob a proteção do Frei Damião(um santo homem,um santo homem...).Ah eu tomo nas mãos,limpo-o um pouco e com ele deixo me encarar,e sinto que ele está feliz com meu amor,e diante do que ele quer me mostrar,eu sussurro ou digo quase só para mim,por que de qualquer jeito ele ouve:
  -Cadmiel,agora você vai para a escola comigo;e eu sei que vou achar a miniatura,aliás nos vamos achar a miniatura de garrafão de vinho.
  E assim eu vou para a escola sossegado ao lado do meu irmão Ronaldo,e com Cadmiel dentro da pasta junto com os cadernos,e não é só uma reles coisa que fora largado ao desuso,agora tornou-se alguém que vou amar para sempre:Cadmiel,Cadmiel...
  E seguindo pela Tobias Barreto,com os nossos congas que fazem barulho no chão de terra viramos assim para a Vicente De Carvalho onde seguiremos em linha reta,e um vento insinuante trás o cheiro de melancia que é de Amália.Ela mora por ali,por aquelas bandas;a casa dela que eu já tive lá.É ali que eu sei.
  Ronaldo me apressa segurando forte no meu braço,mas antes eu quero abrir a pasta e confirmar que Cadmiel estar mesmo ali dentro;protegido e comportadinho...ah tá sim,tá ...vamos brincar muito quando eu voltar para casa,quando nós né.
  E fecho a pasta em tempo ainda de ouvir o sussurro moleque dele:
  -...E plantar um pezinho de bolinhas de gude.
 


















         
                  10 de outubro de 2004-12-03


AUTOR:Rodney Dos Santos Aragão  
Rodney Dos Santos Aragão
Enviado por Rodney Dos Santos Aragão em 07/11/2007
Código do texto: T727562

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Sobre o autor
Rodney Dos Santos Aragão
Cabo Frio - Rio de Janeiro - Brasil, 44 anos
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Rodney Dos Santos Aragão