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Lesfar Inmors - Cap 2 - Vampiro (Por Lesfar Inmors)

Leia o capítulo 1 -> http://www.recantodasletras.com.br/contosdesuspense/730825

    Sabei-lo, que de todos, o melhor lugar é onde se encontra seu amor, aquele anjo de paixão  que  aparece  em  seus  sonhos  em  meio  a  gozos  e  beijos  lascivos, deixando-te preso em saudades e carências.
    Era naquele estranho lugar - onde a lua se escondia em meio a nuvens para dar um ar psicodélico à noite, o sol se enfurecia dando-nos seus fortes raios de luz e o próprio céu nos dava a incerteza de um outro dia – que a conheci... Foi neste lugar que por muito tempo senti meus reais desejos fluírem e minha alma se tornar um tanto que diferente...
    Era eu um jovem, solitário e conseqüentemente pouco feliz. Vivia-me em um mundo paralelo e pouco amoroso o qual muitos estão acostumados a achar que é o melhor. Quando conhecia novos personagens logo tentava achar seus defeitos para nunca me apegar e confiar-lhes plenamente, para nunca me ver ser passado para traz por nenhum destes. Achava que poderia viver neste meio para o resto de meus dias, que sabia não serem muitos.
    Ao conhecer novas fêmeas e ao vê-las ao inicio de suas paixões por mim, tornava-me alguém diferente, mostrava-me a elas uma pessoa não merecedora de seus amores, não por que não gostava disto, mais por nunca encontrar alguém que realmente me compreendesse.
    Ficava assim, vivendo minha vida como um ser repugnante a mim mesmo e um bom caráter a outros que nunca presenciavam minhas verdadeiras ações.
    Num certo dia “claro as mesmo assim com um ar de psicodelismo pairando no ar”, uma das fêmeas do qual convivia diariamente, mostrou-me o interesse que sua amiga sentia por mim. Desprezei totalmente este sentimento, disse-a que não desse esperança a sua colega, pois de minha parte não haveria nenhum sentimento que realmente valesse a pena e isso poderia algum dia machucá-la.
    ...
    O  tempo  passava,  minhas  vontades  continuavam  as  mesmas,  mas  meus sentimentos mudavam como nunca haviam feito, pelo menos não tão rapidamente. Algo  em  meu  peito  apertava  cada  vez  que  eu  a  via.  Era  inevitável,  estranho, diferente. Era agonizante, injusto para com minha própria personalidade, mas real.
    Percebi realmente o que sentia, uma tarde, enquanto falávamos de nossos passados, eu falava de como vivia na Cidade dos Cristais e ela comentava sobre suas antigas paixões. Não conseguia ouvi-la ou dá-la atenção como era merecida, suas palavras me deixava perturbado e como se ela as dissesse contra mim, os nomes de seus ex me davam repugnância. Desejei naquele momento sair correndo ou dar-lhe um beijo para parar com toda aquela agonia e mostrar-lhe o que sentia, mas não o fiz.
     Fui por um longo tempo convivendo com isto, fingindo que estava tudo bem e escondendo de mim mesmo o amor, não o aceitando como algo importante.
    Longos dias se passavam...
    Havia  em  nossos  meios  todos  os  tipos  de  animais,  com  os  mais  diversos caracteres e perturbações e dentre esses, um em especial que criava em mim um ódio que poucos conseguiriam controlar.
   Não me lembro direito do teu nome, só que era como alguém duro, alto, tinha uma barba que mesmo em sua formação se encontrava muito espessa e este tentava preservar sua grossa personalidade que mesmo assim percebíamos ser fraca. Ele a amava, podia ver em seus olhos. No começo pensava ser um amor fraternal, mas o tempo me mostrou algo totalmente diferente.
    Tentei aproximar-me dela, não escondia mais meus sentimentos, mas como podia mostrar a ela que eu a amava se ele a protegia, num nível como que se fosse unicamente sua. Seus olhos ao me fitarem enchiam-se de fúria e diziam-me sem alguma palavra o quanto me odiava. Odiei-o ao mesmo ponto ou ate mais e, isso continuou ate o ultimo momento.
    “Nada pode ser mais agonizante do que quando se percebe que o tempo passou sem que se tenha feito nada para torná-lo necessariamente aproveitável e isso era o que acontecia comigo, com isso que minha própria mente me torturava”.
    Meu amor ia aos poucos se dilacerando, via-me sendo destruído por uma garota sem que ela quisesse. Quis conquistar seu amor, quis falar-lhe,mas não o conseguia, tinha medo.
    “Achava que o medo era o pior de meus sentimentos, era o que destruía minha vida. Tinha um extremo desprezo por esse, pois era o único do qual não conseguia me livrar por não saber qual sua origem.”
    Em uma tarde, numa de nossas reuniões espirituais, vi-a com uma linda roupa azul, num tecido espesso mas mesmo assim perfeito para uma donzela. Sua pele realçava-se em contraste com este e fazia-me sentir um grande desejo, de tê-la, de conquistá-la e poder tirar a angustia de meu peito. Ao anoitecer não segui aos meus aposentos  como  de  costume,  andei  por  entre  as  arvores  daquele  imenso  local amargurando-me por ser extremamente estúpido...
    ...Um ser de pele muito clara, aparência jovem, dentes brancos como o leite e caninos que a qualquer momento pareciam perfurar seus lábios inferiores, apareceu subitamente em minha frente.
    Cerrei meus pulsos a espera de qualquer ataque desse estranho ser. Ele não se movia, olhava-me diretamente nos olhos como se também esperasse qualquer reação de minha parte. Parecia que isso duraria eternamente mas ele se manifestou:
    - Sei o que sente – Sua voz era doce e ao mesmo tempo grotesca e enquanto pronunciava suas palavras aproximava-se de mim.
    Não recuei, já estava traumatizado demais com meu medo e isso foi o que me fez ficar ali, parado, esperando, mesmo que meu coração estivesse preste a explodir.
    -  Deixe-me  ajudá-lo,  deixe-me  ser  seu  mestre  –  Seus  lábios  quase  não  se moviam e tinham um jeito delicado – Ou pelo menos me deixe transformar sua vida.
    Estranhamente não sentia mais medo e continuei sem mover um músculo, enquanto ele tocava meu ombro com sua mão fria.
      - Como? Você acha que vai fazer algo por mim? Acho que está enganado – Ele retirou sua mão de meu ombro enquanto escutava o que eu tinha a dizer – Mas sei o que você é, e se acha que pode fazer algo para aliviar minha dor... Faça logo...
    Ficamos olhando-nos por um longo período, nem ele, nem eu movemos um músculo nesse tempo, até que abaixei a gola de minha camisa para deixar amostra meu pescoço.   Ele curvou-se a frente e cravou em minha carne seus afiados dentes. Eu sentia uma imensa dor seguida de um grande prazer, nunca em minha vida havia sentido algo igual e acho que ninguém que não houvesse passado pelo que passei tenha sentido. Vi-o rasgar com os dentes o próprio pulso e dar-me seu sangue para beber.  Suguei-o  incansavelmente,  como  um  animal  que  por  muito  tempo  não saboreava uma boa refeição e agora era presenteado com a mais suculenta delas. Sentia meu corpo renovando aos poucos sua energia, mas mesmo assim estava fraco quando ele retirou meu drink.
    Acordei  de  um  sono  profundo,  um  pesadelo  em  que  todo  meu  corpo  se transformara numa outra espécie, praticamente como uma passagem para o mundo dos mortos. Sentia-me fraco, meu corpo estava enrijecido e minha pele branca e seca. Sabia  o  que  acontecera,  sabia  também  que  ali  não  podia  mais  ficar,  mas  não conseguia me mover, somente poderia esperar pela morte... Nem havia aproveitado meus novos poderes...
    O sol surgia, fechei meus olhos. Meu corpo tomava suas forças, minha pele voltava a tonalidade quase normal, mas meus olhos sofriam.
    Não sabia realmente o que acontecera. O ser havia falhado na sua intenção? Ou eu estivera sonhando? Louco...
    Tudo se transformara num enigma, numa lastima.
    Via-a mais bela do que antes, seu corpo mais formado e sua pele mais clara. Amei-a ainda mais neste dia. A outros, estava eu estranho, pouco amigável, não conseguia me comunicar direito, nem mesmo com meu amor.
    O dia passou agonizante...
    O  sol  se  aproximava  de  seu  poente  e  eu  sentia  uma  forte  transformação, voltava ao mundo dos mortos. Fiz minha refeição normalmente ainda como um mortal, mas no auge das trevas transformei-me totalmente. Passei quase toda aquela noite sofrendo, faminto, mas nesta mesma descobri que podia sair de qualquer lugar, não real, mas como uma nuvem negra e suave.
    Saciei-me  com  um  dos  animais  do  local  e  voltei  ao  meu  leito  antes  do amanhecer.
    Voltei  ao  meu  estado  vivo,  já  aprendendo  a  conter  minhas  emoções,  mas mesmo assim sofrendo. Reconhecia por ela, maior amor, reconhecia por seu quase irmão, maior ódio. Sabia que poderia fazer com ele o que quisesse, mas não a queria fazer sofrer, preferi deixar como estava.
    Alguns dias e noites se passavam, me saciava com pessoas de um pequeno vilarejo perto da propriedade. Após alguns desses dias algo me veio a mente...
    À noite, após a transformação, vesti-me com meu melhor traje preto e vermelho. Segui-me para onde se localizava os leitos das donzelas, pedi com sensualidade e poder a suas tutora que a chamasse, pedir a ela vir ao meu encontro.
    Após alguns minutos a garota desceu, com uma beleza eterna, um lindo traje branco e belos cabelos longos.
    - O que faz aqui? – Tinha a voz suave – Não pode ficar aqui é proibido.
    Queria escutá-la mais, apreciar seu rosto e pedir-lhe um longo beijo...
    - Quem te deixou entrar?
    - Venha comigo, por favor!
    - Para onde, não podemos... Seremos castigados.
    - Não se preocupe, venha comigo.
    Peguei sua mão e fomos até uma escadaria próxima, seu corpo estremecia pelo frio e o meu pelo pavor. Decidi não me demorar muito.
    Ao vê-la desviar os olhos ao longe, abri-me os lábios, mas ao voltar os olhos a mim, enquanto aproximava-me para o golpe, desmaiou. Perdi a coragem, questionei-me pelo que fazia e pegando-a em meus braços levei-a de volta ao seu leito.
    No dia seguinte corria-me no sangue o medo, medo da rejeição, do desprezo por parte dela. Mas nada disso aconteceu e um grande alivio correu meu corpo.
    Um sonho... Contou-me que teve um sonho, tenebroso e ao mesmo tempo exótico. “Via-me de um modo diferente e ao mordê-la, cravei meus dentes em sua... Em sua face”.
    Nunca mais comentei sobre isso, continuei vivendo ao lado dela como de costume, mas tudo estava mais difícil. Não agüentava não ter o amor dela e tomei uma decisão extrema a nos dois...
    Resolvi ir embora, continuar como sempre sozinho e achar outra forma de viver.
    Vi-a poucas vezes, e somente uma vez tive contato direto em que ela pode me ver.
    Naru... Seu nome me dá a certeza de que o Ódio, o amor, o sofrimento, e outros sentimentos humanos existem realmente no coração de cada um...
   E aqui escrevo sobre ela sem nenhum outro compromisso com o futuro...

Leia o capítulo 3 -> http://www.recantodasletras.com.br/contos/733852
Lesfar Inmors
Enviado por Lesfar Inmors em 09/11/2007
Reeditado em 12/11/2007
Código do texto: T730845

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Sobre o autor
Lesfar Inmors
São Paulo - São Paulo - Brasil, 31 anos
45 textos (3010 leituras)
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