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Nas ondas do mar e do amor

Marcos Milhazes***

De repente, uma luz forte me derrubou do meu sono, sem pedir licença.
Era os raios do Deus Sol, que invadiu a minha casa pela janela e caiu em cima de minha cama.
E mandou logo que a manhã me falasse para que eu largasse a lombeira de lado e fosse para a praia ter um dia feliz. E assim foi. Obediente que sou, lá fui eu de caniço e minhocas. Minha alma estava calma e serena. Lá fui eu com meu fusquinha, barro adentro
para uma praia chamada Jaconé. Acho até que depois de freqüentá-la durante 25 anos ela já me pertence. Eu heimmm!
Bem!
Catando sernambis na areia da praia, ficava me lembrando o que dizem os poetas. "Quando achamos que temos todas as respostas para tudo, vem o tempo
e muda todas as perguntas". E o tempo tem sempre razão. Por falar em tempo, hoje o Sol abriu o maçarico. Está quente pra cachorro.
O mar trazia um cheirinho de brisa de flor, e um apetite de amor. A pescaria já iria começar. Mas antes os apetrechos goela abaixo.
Uma golada de Passport e uma cerva do pólo norte.
Guardando em minha mochila, meu cão engarrafado, o mais fiel dos amigos.
Minha garrafa de Wiskei.
E pensando em merda, entre uns drinks e outros, fazia os lançamentos para o mar. A linha de nylon chegava a tocar igual uma corda de violão.
Daí então um arrancão. peixe fisgado.
A luta do pescador e do pescado foi feroz.
Quando parecia que tudo estava sob controle o danado do peixe, se mandava para o meio da mar.
Era a sua defesa pela vida.
Depois de algum tempo ambos já cansados, o pescado se entregou.
Era um enorme Galhudo de 1,500 gramas.
Mas dentro d´água parecia uma baleia.
Até aí tudo bem. Não sei o que me deu e peguei uma balde e enchi de água, até por respeito ao guerreiro. Peguei-o na areia e o coloquei dentro do balde.
E a pescaria continuou.
Peguei mais uns peixes, e quando os jogavam na areia, acontecia o inesperado.
O galhudo se atirava para fora do balde.
E assim foi a manhã inteira.
Estava distraído, quando pensei ter ouvido um grito de socorro.
Fui até o balde, e o ilusitado aconteceu. O peixe pulou em cima de mim. Consegui pegá-lo ainda no ar. E o estranho quando voltei para depositá-lo no balde, ele se virava, era como se me olhasse fundo, pedindo por sua vida. Fiquei todo arrepiado de emoção.
Todos os demais já mortos e ele ali brigando com as poucas forças que tinha.
Foi aí que entendi que tudo pertence a alguém.
Esse pequeno ser pertence à Deusa do Mar.
Pedi minhas desculpas, e o devolvi a seus domínios.
O mar ficou todo mexido, e começou a formar-se uma grande onda.
Parecia até uma gravura de um quadro. E no meio desse fato bizarro, quando a crista da onda estava cristalina, aquele peixe deixou-se ver rasgando o mar tal uma cimitarra de prata cortando aquele véu azulado, deu um grande salto como que me agradecendo.
Entendi tudo em um segundo.
Pensei: nem como peixe!
E nessa hora Não me esqueci dos poetas e escritores e seus pensamentos, até caberia citar um deles para reflexão. "Quem mata o que não se come, não perde por esperar".
Eu, heimmmm. To fora!
Sentia-me limpo, quando percebi que uma brisa tocou no meu rosto.
Parecia me fazer carinho. Tinha aquele cheirinho de maresia. Até o Sol começou a brincar comigo. Quando vinha uma pequena nuvem, ele ia correndo e se escondia. Quando me distraía ele aparecia.
Num vai e vem desses pareceu-me ouvir uma voz.
Até pensei: brisa tem voz?
Estava tão fixado naquilo tudo que nem percebi, que entre o Sol e eu, tinha uma visão.
Era de uma linda morena de olhos claros, meio mel, meio verde de acordo com a posição dos raios do meu amigo Sol. Ainda sem fôlego, fui logo escutando.
Dizia a morena: - Que coisa linda que acabei de presenciar!
Senti-me o máximo e fui logo me apresentando:
- Sou Marcus Vinicius. Qual o seu nome, perguntei:
Ela me respondeu:
- Sou Larissa
Minha cabeça pensante já estava em ação.
De onde apareceu essa morena curtida de Sol e jeito de roça e a pureza do mar?
Mas meus insanos pensamentos estancaram quando ela disse:
- Eu estava me referindo ao seu ato. Mas posso te adiantar. Quanto as suas intenções de namoro que está escrito na sua cara, não te prometo nada. Não te falo onde moro e nem tenho telefone. Também não quero nada que não seja sincero.
Sempre que olho um homem, meus olhos têm o tempo da pureza.
Quando achar os fluidos que procuro, nessa hora saberei que encontrei o homem da minha vida. Tenho 20 anos de mar, que amo.
Vou-me indo. Quanto a você já te vi nos atos do belo e da compaixão.
Vi você com o belo homem que és.
Bem, outros dias virão e com eles a rotina das praias e mar.
Marcus, quem sabe um outro dia, nos esbarramos e eu consiga completar a minha visão de amor e mar.
Aí então...
E lá se foi aquela morena de cabelos negros longos, e à medida que se afastava seus pelos dourados pareciam brilhar para mim.
Com a cabeça ainda cheia de esperança, pensei: Será que serei o escolhido?
Ai então..................Rssss
Bem, nem sei se dancei nessa. Mas...
Marcos Milhazes
Enviado por Marcos Milhazes em 19/11/2005
Código do texto: T73397
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Sobre o autor
Marcos Milhazes
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 69 anos
3 textos (157 leituras)
1 e-livros (92 leituras)
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Marcos Milhazes