Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Lesfar Inmors - Cap 4 - Mais humano que humano (Por Leon Smith)

Leia o capítulo 3 -> http://www.recantodasletras.com.br/contos/733852

    Enquanto entrava, sentia algo apertando em meu coração e a minha alma me pedia para voltar, mas não podia, tinha que continuar senão não saberia o que estava acontecendo. O túnel estava pouco iluminado e em meu poder havia somente uma pequena lanterna com suas baterias já fracas, mas era o que eu tinha e mesmo com medo tinha que continuar.
    Muitos ratos saiam de suas tocas enquanto eu passava, eram imensos e não pareciam ter medo algum de mim, na verdade os únicos que se assustavam com a minha presença pareciam serem as baratas.
    Caminhei somente com o fraco brilho da lanterna desconfortavelmente entre os cascalhos que acompanhavam as bordas dos trilhos. Várias partes de meu corpo tinham sérios hematomas e em um dos meus braços havia um profundo corte que até pouco tempo sangrava muito.
    Continuei  meu  caminho  seguindo  a  ferrovia  e  entrando  cada  vez  mais profundamente no obscuro abismo daquele lugar. Poucos ruídos se escutavam e eram feitos principalmente pelos ratos, o vento não mostrava sua força ali dentro e as paredes sentiam a passagem do tempo com rachaduras e infiltrações por todos os lados.
    Os sons de meus passos ecoavam fortes e linearmente, mas num certo ponto uma mudança neste me chamou a atenção, um ruído metálico, e ao olhar para o chão avistei uma tampa de ferro. Tentei abrir a tampa, mas nas condições que eu me encontrava tudo se tornava mais difícil. Com muito esforço empurrei-na abrindo passagem a um poço, acessível através de uma velha e enferrujada escada.
    O fundo do poço era muito úmido, a água cobria os pés e várias tochas postas estrategicamente iluminavam uma estreita passagem. Continuei por essa, seguindo somente pelos caminhos iluminados, inda mais por não ter mais a lanterna em meu poder,  e  em  um  certo  ponto  vi  algo  como  que  uma  sombra  fugindo  por  uma bifurcação. Segui-a o mais rápido que pude, passando por lugares estranhos, alguns iluminados pelas tochas outros completamente escuros onde prevalecia somente o sexto sentido para me guiar.
    "O lugar onde um homem vive expressa seu amor, ódio ou agonia". E aquele era realmente um lugar psicodélico e realmente muito bem decorado.
    Uma caverna com paredes de rochas negras, e mobiliada com antigos, mas bem conservados, moveis góticos. "Ele realmente soube aproveitar sua vida longe da cidade, não precisando viver como um mendigo e isso demonstra o quanto ele é esperto".
    Aconcheguei-me numa confortável poltrona. Horas se passaram e nenhum sinal dele, não estava habilitado a esperar tanto tempo. Estava cansado de nossa luta na  floresta  e  precisava  renovar  minhas  energias.  Por  isso  sem  nem  perceber adormeci.
    Não sei quanto tempo se passaram, se minutos, horas ou até mais, só sei que quando acordei estava amarrado, com velas que formavam um pentagrama ao meu redor e um estranho animal morto encima de uma mesa feita em laje. Tudo parecia estar pronto para algum tipo de ritual e o pior de tudo é que eu faria parte deste.
    Ao fundo, vestido numa roupa preta com gola alta e cabelos negros até o ombro, ele surgia. Quase não pude me controlar, desejei estar com as mãos soltas para poder agarrá-lo ao pescoço e matá-lo, mas estava impossibilitado e nada podia fazer para ao menos me defender...
(1)       - Para que essa agitação toda? – Ele falava tão calmamente que tudo parecia uma peça de teatro – Você sabe que não precisa de tudo isso.
    Não me atrevi nem a erguer os olhos e continuei a somente escutar.
(1)       – O que foi? Não sabe mais falar? – Sua voz parecia emitir mais felicidade do que nunca – Acho que o seu coração dói! Coitado!
    Suas últimas palavras martelavam fortemente em meu coração e isto fez com que minha fúria chegasse ao extremo.
(2)       – Sim,..., Você sabe que sofro e tudo isso é por sua causa, por causa de um demônio, o próprio mal  que vaga pela terra.
(1)       – Oh meu caro marujo. Ainda credes que fui eu que fiz tudo aquilo, que a tragédia foi por minha causa!
(2)       – Sim, acredito também que muitos outros inocentes morreram por sua causa ou em suas mãos! Por que não admite? Mostre que foi realmente você!
    Neste instante ele deu as costas a mim e foi até um quadro grande pendurado em um dos extremos da caverna e o olhava como se aqueles fossem os últimos minutos da sua “ou não” vida.(Era o quadro de uma garota de pele branca e de cabelos encaracolados e compridos, aparentava uns vinte e três anos, mas ela estava em algo que parecia um caixão e segurava um crucifixo nas mãos).
(2)       – Até mesmo a arte que você aprecia tem que você aprecia tem que ser mortal; como posso acreditar que não foi você?
    Ele continuava sem se mexer, tinha o olhar fixo na face da jovem.
(2)       - Assassino! Vam...
(1)       - Cale a boca! - Gritou enquanto eu falava - Eu também já sofri muito em minha vida e também sofro na pós, não é só você que teve um pedaço do seu coração arrancado.
(2)       - Mas nem por isso virei assassino, guardei meus sofrimentos para tentar resolvê-los sem violência e você preferiu o lado das trevas. E quem é essa garota? Uma de suas vitimas? Mas com o rosto bonito para um quadro?
    Um sorriso se abriu em seus lábios, enquanto uma lágrima corria de seus olhos.
(1)       - Essa?... A única garota que realmente amei até hoje, e esta morreu por eu ser covarde...
(2)       - Covarde? eu sei que você é, mas não que é digno de admitir.
(1)       - Sim sou covarde por ter fugido em vez de ficar para protegê-la
(2)       - É, li seus relatos em um de seus manuscritos. Vampiro se não me engano. Mas por que ela morreu?
(1)       - Após eu ir embora, outro de minha raça, um Nosferatus, ficou sabendo que não fui capaz de trazê-la ao nosso mundo e o quis fazer, mas Janus viu tudo e tentou acabar com aquilo, mas não sei bem o que aconteceu, Naru foi a vítima, morreu com essa no peito!
(2)       - Aquilo no quadro? Pensei que fosse um crucifixo!
(1)       - E é, foi a única coisa que Janus encontrou na hora...
    Um enorme silencio se apoderou do local, mas foi quebrado por alguém que entrava apressadamente... Era ela, Lucy, a melhor e mais poderosa bruxa de que já tive noticias. Agora sabia de onde vinha tanto poder. Lesfar e Lucy...
    Ela  entrou  e  foi  rapidamente  falar  com  Lesfar.  Puxou-o  em  um  canto, ignorando completamente a minha presença, os dois começaram uma longa e calma conversa. Lucy se expressava e Lesfar somente escutava, não dava para saber se ele concordava com o que ela dizia ou se a ignorava, pois seus olhos estavam sempre voltados ao chão... Mas em um certo ponto as coisas começavam a mudar. Lesfar erguia seus olhos para olhar diretamente os de Lucy, sua face mudava, expressava ódio e medo ao mesmo tempo.
    Lesfar, já em seu estado de fúria, agarrou o pescoço de Lucy e o apertou tão forte que suas compridas unhas entravam na carne desta. O sangue dela jorrava em grande quantidade o que a fez morrer em pouco, mas dolorosamente, tempo.
    Lesfar soltou-a no chão e veio até mim.
(1)       - Você assistia a minha primeira e última morte, e somente porque ela queria matá-lo. Agora vá - Falava enquanto me desamarrava - E outra coisa, não quero, mas peço, acredite em mim.
    Eu estava muito cansado e chocado para escutar tudo o que ele tinha para me falar e desmaiei, acordando somente com os primeiros raios de sol, embaixo de uma arvore ao lado do túnel.

Leia o capítulo 5 -> http://www.recantodasletras.com.br/contos/747664
Lesfar Inmors
Enviado por Lesfar Inmors em 13/11/2007
Reeditado em 22/11/2007
Código do texto: T735491

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor e o link para a obra original). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Lesfar Inmors
São Paulo - São Paulo - Brasil, 31 anos
45 textos (3008 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 22/08/17 03:12)
Lesfar Inmors