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A APRESENTAÇÃO DA TESE - 2ªparte

Esta é uma obra de ficção e os aspectos apresentados são mera coincidência.
A APRESENTAÇÃO DA TESE - 2ªparte
Como o Presidente havia determinado e o curso dos debates também, no outro dia estavam os contendores na mesma sala e com ânimo redobrado para ouvir e debater o que Quevara tinha descoberto.
 Seria uma nova etapa para  psicologia, para a psiquiatria e as ciências análogas? A curiosidade era grande, pois até agora jamais alguém havia discutido e afrontado as máximas acadêmicas. Tinha de ser um dia. Os paradigmas são para serem quebrados  um dia disse D.Calú. Então...
- Mas logo esse cara,  diziam........
Quevara, então desconhecido, a não ser da turma do bar do Magrão, que , por sinal, acreditavam que era um borracho dos bons e só isso, com a sua apresentação,  já estava literalmente na boca da intelectualidade e afins da Rua da Praia.
- Bueno, menos mal, dizia João, o Vermelho.
-   Senhores, vamos continuar o debate de ontem.
    A imprensa já andava atrás dele para literalmente arrancar algumas preciosidades. Dois repórteres do Diário da Hora seguiam Quevara por tudo e insistiam em entrevistá-lo com exclusividade. Marcaram a entrevista para o dia seguinte na casa , melhor dizendo, no cafofo do D.Calú.
- Oh, Quevara, não precisavas esculhambar o cantinho do teu conselheiro, não é?
- Si, si, si, D.Calú, me desculpe, mas...
- Não tem mas, nem mas. Qual é a tua ,Quevara? Só porque conseguiste meia dúzia de frescos para te aplaudir ....
- Oh, mas , Tchê, não baixa o nível, João.
- Terminando a palestra vais me explicar quem são essa meia dúzia de frescos ou vais passar por dentro da argola do meu mango, borracho de uma figa, falou grosso um senhor alto, bigodudo , com um lenço vermelho no pescoço, chapéu tapeado de beijar santo em parede e de bombacha preta cheia de estrelinhas brilhantes, apontando para João um trançado de rabo de tatu bem lustrado e enrolado na mão esquerda.
- Olha, Tchê, nem vem que não tem, pois já acertei um antes de começar essa pendenga. Já vou te avisando.
Já iam se estranhando quando chegou o porteiro com  dois brigadianos e colocaram João para fora da Academia. Saiu resmungando, mas a Brigada ele respeitava.
Todos acomodados e foi reiniciada a sessão de perguntas.
O próprio Presidente, após abrir a sessão, fez a primeira pergunta.
- Olha, Quevara, ainda estamos estupefatos com tuas afirmações. Eu mesmo, a cada resposta me surpreendo. Sou Freudiano dos quatro costados, e preocupado com a agressividade humana , na qual determinados grupos justificam a violência e até a morte com a promessa de que as necessidades serão atingidas, o paraíso seja alcançado, e blá blá blá, mas  o queres dizer com o que diz na transparência número 9, que nos fala sobre o ódio político gerado por essa situação pré-síndrome,
- Sim, es uma observacion puramente freudiana e mui linda. Digo-lhe que o ódio causa mais dano á personalidade do que qualquer outro sentimento por mais absurdo que seja. Mas o ódio, ainda mais quando é inoculado, amolda-se à personalidade do indivíduo como erva daninha em árvore boa. Suga o melhor sumo e acaba modificando totalmente a personalidade daquele. Já notou que todos os simpatizantes dessa doutrina são parecidos? Agem da mesma forma, o mesmo palavreado, as mesmas respostas codificadas e padronizadas, e como tal, assemelham-se. Mas são doutrinariamente cultivados. Vejam até que ponto algo adredemente plantado na mente do cidadão o modifica. O quero dizer é que determinados sentimentos, ações, atitudes e procedimentos geram um tipo de onda danosa  ao cérebro danificando-o. Veja, quando um animal de boa saúde fica estressado, raivoso, ele pode vir a desenvolver uma doença física potencialmente danosa. Os esquizofrênicos que estudei são muito suscetíveis às emoções dos seus “donos” e se tornam como que pára-choques de todos os seus traumas e conflitos, e logicamente suas conseqüências. Essa dependência possibilita ao “dono” introduzir comandos e literalmente varrer do cérebro do comandado todo conceito, moral e ético, que porventura lá se encontrem, substituindo por uma escala de valores adequada ao seu pensamento. O ódio, como motor de transformação, gera um sintoma que identifiquei como MIMULUS  HOLLY RUMINANTE, aliás identificação feita por uma amiga minha veterinária e que tiene por especialidad perros.. Atinge com maior força os mais jovens e os mais velhos. Nestes dois grupos, a lavagem cerebral  é dirigida a duas necessidades básicas: a busca da identidade e a busca desesperada do poder, respectivamente. Os primeiros são como papel: aceitam tudo que se escreve neles; os segundos, são como velhas raposas fantasiadas de galinhas briguentas, pois possuem bagagem intelectual suficiente para agirem de modo  a mascarar suas intenções.
Daí, a ver política em tudo, es un passo. O programa instalado na mente dos atingidos por essa esquizofrenia possui filtros agressivos, tais como  um firewall ofensivo , que, invés de defender o cérebro de ataques nocivos, atacam a quem os contradiz. São atos de violência  ritual padronizados e estandarizados.  Por outro lado, esse programa também introduz filtros específicos que bloqueiam qualquer tentativa de atuação do Ethos na correção de rumos. Tal como inibir a ação do ScanDisk em caso de erros no HD principal.
- Mas, seu Quevara, o que tem a ver  informática com psiquiatria? O Senhor não está misturando as coisas?
- Não, quem misturou as coisas não fui eu. Apenas introduci las cosas. E a cura desses pacientes passa pela apresentação do contraditório desse instinto agressivo de acordo com Freud: Eros.
- Ih, gostei e vai ter sacanagem nisso, esperem...gritou um cidadão bem ao lado do D.Calú.
- Acalme-se, acalme-se.....
Novamente as perguntas foram chegando á mesa . Filtradas pelo presidente que chamou o próximo debatedor:
- Senhor Quevara, a violência revolucionária, incitada de forma sub-reptícia, cria efeitos colaterais e filhos diletos: uma ansiedade em impor seus conceitos, princípios e métodos; uma perversão moral sem precedentes ao se adotarem práticas aéticas para solução de problemas, justificando os fins, e por fim, uma depressão moral inquisidora, acusatória e também, psicótica, quando o indivíduo se conta do estado neuro-psicótico que se encontra. Nada entendo de política, mas me explique isso.
- Não é segredo que todo animal raivoso pode desenvolver doenças físicas que rapidamente evoluem para esquizofrenia. Perdem pêlos, arrepiam-se com facilidade, e rosnam com igual freqüência a qualquer pessoa que lhes fizer frente. Assim, também se manifesta todo ser humano infectado por essa  esquizofrenia cultural ruminante que estamos estudando e apontando seus males. Considera-se , também, o florescimento de uma ansiedade objetiva neurótica, como a punir os outros que não partilham de sua missão sublime de salvar a humanidade, e para eles, somente ele estão certos. As reações de ansiedade neurótica iniciam reações internas na direção do banimento de pensamentos derivativos reprimidos que evocam reações neuróticas. A repressão das sugestões internas, para neutralizar os pensamentos derivativos, preparam o cérebro a um potencial acesso dos mecanismos de reformatação do Ethos. O trauma da competência no outro , ou nos outros países, gera um outro trauma claustrófobo com conseqüente explosão de ódio na direção daquele que progrediu. Os sentimentos reprimidos impedem que a simples lembrança dos momentos de sucesso daqueles que lhes são contrários sejam registrados. A fase final do processo é quando o indivíduo infectado toma consciência da sua situação e tenta se livrar do problema. Uma outra fase agressiva surge, mas na direção daqueles que formataram seu cérebro. O imbecilizado investe com a mesma  violência que lhe foi  injetada, ainda emocionalmente desajustado,  pois seu cérebro ainda obedece ao “dono”, contra toda a nomemklatura que o oprimia. Por incrível que pareça.
- Mas isso é Pavlov....
- Sim, um Pavlov mal intencionado, por supuesto, tudo atuando na direção daquela minha afirmação de Quebrar-se uma perna do tripé moral/ético/social numa fase evolutiva da mente do ser humano, na sua juventude ou na tenra idade quando busca desesperadamente o poder a qualquer preço, não só coloca esse indivíduo em perigo como também toda a sociedade que o cerca, dados os valores que lhes são incutidos. É esse o processo.
- Quevara, queres dizer, então, que teremos que remontar o Ethos para curar o paciente?
- Si, si, si. A  capacidade do Ethos, no complexo sistema mental humano, de corrigir os rumos tomados por desvios patológicos originados pela ingestão de leituras erradas  propositadamente  de máximas universais intrínsecas, é neutralizado pela violenta coação  moral  sobre o indivíduo afetado, causando-lhe uma completa inversão de valores morais, modo de raciocinar e integrar-se ao meio. Essa violenta coação moral tem de ser neutralizada. Neutralizada da mesma forma violenta , só que através de Freud. O meu método, até agora, só foi aplicado em mujeres, porque los hombres se recuperam com mais facilidad.
- Bueno, era isso, Que quierem más?
      - Tuuudo, Quevara. Quero testar a tua teoria. Olha, meu consultório é lá na Voluntários esquina com a ... falou alto e em bom som um assistente.
- Não vai levar ele lá, não, oh, antes ele vai no meeeu consultório, avançando em Quevara outro assistente.
- Mas o que é isso? Aqui não é lugar para bate-boca, muito menos para quem não é sócio desta Academia e que entrou sem convite nesta noite. Gostaria que os dois se retirassem e não se dirigissem mais desta forma ao nosso palestrante. Ora essa, sequer são  da Academia e querem fazer escândalos. Aqui é lugar de gente séria . Por favor , retirem-se, prontamente o presidente falou.
- Olhem, não gosto de violência. Agradeço a atenção  e não vou a consultório nenhum. E larga a minha lanterna. Quem dá consulta sou eu e não o contrário. Adiós.  E saiu em desabalada carreira do local da palestra.
- Seguranças, seguranças, afastem esses dois. Eles já foram expulsos uma vez do nosso meio por falta de pagamento e decoro  e não deveriam estar aqui. Vocês não pediram credenciais ou convite, não é?  Então ponham esses dois ex-membros para fora. Só os nossos membros de fato é que entram e ficam aqui dentro.
FLAVIO MPINTO
Enviado por FLAVIO MPINTO em 13/11/2007
Código do texto: T735751

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Sobre o autor
FLAVIO MPINTO
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 66 anos
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