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O desfiladeiro

         Milhões de pessoas todos os dias passarão por aqui, assim que há de vir a vontade divina. Vejo as criaturas andando como quem já não tem fôlego, abismadas, tão próximas e distantes de mim. Devo caçar aquelas que fogem. Não vão longe, afinal não há para onde ir. Para traz, cá estou. Para frente, onde deveriam ir. Aos lados não há nada além da escuridão.
         Vejo em cada rosto uma vida inteira que se foi, e nessas vidas cada pessoa que veio pra cá. Em Hiroshimas a Pragas virão todas para cá. Milhões já se passaram e tantos milhões para vir. Mas para onde vão essas almas? Seguem em caminho reto até àquele ponto em que caem no desfiladeiro. Sim o desfiladeiro que leva ao mundo de meu senhor, àquelas que cruzam o portão, ele se fecha.
         Minha sina é essa, proteger a entrada, não torná-la a saída. Cruzem o portão aqueles que não forem desse mundo, venham para o mundo de meu senhor, os portões estão abertos para aqueles que vierem, mas a volta está fechada. Venham e os receberei cordialmente, mas somente os que não pertencem a esse mundo, venham para o desfiladeiro e se joguem. Venham, venham logo.
         Três sou eu. Fiel minha alma. Sou Cérbero o vigia dos portões de Hades, guardo-os com louvor. O caminho para o desfiladeiro está aberto.
BOI (Luciano Alencar)
Enviado por BOI (Luciano Alencar) em 20/11/2005
Reeditado em 28/08/2010
Código do texto: T73779
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
BOI (Luciano Alencar)
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 29 anos
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BOI (Luciano Alencar)