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Aqueles olhos azuis

Já aviso de antemão, leitor, esse é mais um daqueles textos enfadonhos, onde o narrador fica se lamentando por estar sozinho, culpando as pobres Moiras por seu desgraçado destino, choramingando, pedindo à lua que leve um recado de amor à sua amada, que ele nem sabe quem é.
Vai embora? Sorte sua. Mas se quiser sentar e saber por que estou querendo escrever essa coisa, tudo bem.  Deixo esse conto para depois. Suco, café, cachaça? Pode se servir, a casa é sua.
Por onde começo? Deixe-me ver.  Era uma noite que qualquer poeta adoraria “poetizar”. O céu estava estrelado, a lua cheia, imponente, belíssima. Eu estava perambulando pela avenida Beira Rio, o ponto turístico mais importante da minha cidade, Itumbiara,  inventando enredos para histórias, que nunca conseguirei escrever.
Vi que já estava tarde e resolvi ir para casa.  Tenho o costume de andar olhando para baixo e só de vez em quando levanto a cabeça para verificar se não há nada no meu caminho, por isso, muitas vezes tenho a impressão que as pessoas aparecem por encanto na minha frente. E foi assim que ela apareceu diante dos meus olhos, por encanto.
Ela era linda. Alta, cabelos longos e escuros, uma pele branquinha e aqueles olhos... Com certeza, o que mais me cativou foram aqueles olhos azuis, que pareciam observar o infinito. Ela segurava firme um cão, que a guiava entre aquelas pessoas. Suponho que seja cega. Fiquei inerte, totalmente embevecido por aquela beleza radiante. Ela passou por mim, impassível, e se foi...
É! Se foi! E eu fiquei lá, feito um idiota olhando para o nada. Quando me toquei, ela já tinha desaparecido.  Meeeeeeerda. Eu a procurei em todos os lugares, mas nada. Eu deveria ter feito alguma coisa, falado alguma coisa. Agora, ela nem sabe que eu existo. Merda. Merda. Merda.  Eu sou um grande idiota.
Não posso nem maldizer o destino, a má-sorte, o raio que o parta!!! A culpa foi toda minha.  Droga. Já to chato, né? Também, acabamos com a garrafa de cachaça. Ah, você não bebe cachaça? Então, eu acabei com a garrafa de cachaça. Porque eu não me jogo no rio e acabo com esse tormento? Olha, isso não é idéia que se dê a um pseudo poeta bêbado. Eu quero viver , leitor.  Quero ver de novo aqueles olhos azuis.
Gustavo Samuel da Silva
Enviado por Gustavo Samuel da Silva em 18/11/2007
Código do texto: T742516

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Sobre o autor
Gustavo Samuel da Silva
Itumbiara - Goiás - Brasil, 28 anos
66 textos (6246 leituras)
6 e-livros (254 leituras)
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Gustavo Samuel da Silva