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Não devias estar aqui

Eu estou muito machucada, por causa de uma otária lá da escola, uma imbecil mesmo, usa até aquelas presilhas nojentas de plástico na cabeça. Como eu ia saber que o cara era namorado dela?
Me quebraram três dedos e a culpa é toda da minha mãe que foi inventar de me matricular naquele colégio de favelado, tenho certeza que, se fosse num lugar de gente isso não teria acontecido.
Essa menina é cismada comigo já faz uns sete meses, desde a vez em que ela viu a Magali se esfregando em mim no banheiro, as portas não tinham tranca nem nada, e ela abriu a porta.



Ah que abuso.



Eu já ia esfregar a cara dela na parede mas me segurei, Magali só disse: - Olha, a gente é jovem, a gente estava só brincando.
E ela disse: - Ok, eu sei como é.
E eu disse: Deixa pra lá, bem, estou indo embora, você vem?
Então fui pra casa com a Magali e me diverti pra caramba, mas não tinha engolido a garota.
Eu estudo num fim de mundo mesmo, meu coração só falta parar quando eu ando naqueles quarteirões. O cara aparecia quando eu estava voltando pra casa. e ele querendo sempre me dar carona, mas era eu ver o opala dele e começar a correr em ziguezague que nem uma retardada.
Um dia que eu aceitei a carona dele, ele é um homem bonito até, na verdade o que eu fazia era doce, era medo nada não. Ele ficava naquela conversinha comigo e coisa e tal e eu ficava olhando pras coxas dele, aí eu vi um pacotinho no meio das pernas dele: - Isso é cocaína? E já fui metendo a mão, mas nem estava tão interessada no pó, era mais uma desculpa pra pegar no pau dele. É, eu nunca tive muita classe mesmo. Me deu uma olhada e enfiou o pacote no bolso.
A essa altura já estávamos bem longe da minha casa, mas eu queria mesmo era rodar com o cara, e é claro que ele percebia isso muito bem porque eu o ficava apalpando, de repente minha mão bateu num metal que eu saquei rapidinho que era uma arma e ele ficou travadão.
Eu estava achando a pegação o maior barato só que ele começou a se encher e disse: Eu quero saber logo se você vai dar pra mim ou vai ficar nessa lenga-lenga. Levei um susto pelo cara ter falado isso na minha cara assim, quase do nada.
Mas não tive nem dúvida.
Cheguei em casa me sentindo, acreditando que ninguém nunca ia me negar nada só porque eu era bonitinha. Me achava mesmo o máximo naquele dia e é tudo bobagem, nunca soube seduzir ou manipular ninguém.

O que aconteceu foi logo no portão, na entrada da aula a tal garota estúpida chegou perto de mim e eu com o olhar de desprezo que me é intrínseco:
-Vadia, você dormiu com meu homem.
Ah, era demais pra mim, eu não podia nem querer acreditar e ri cruel na cara dela.
Não consegui nem falar qualquer coisa, um homem enorme saiu me arrastando pelo braço e me jogou em um carro fétido e tinham mais uns dois lá dentro.
Não ia aceitar aquilo quieta de jeito nenhum e comecei a chutar e berrar, o cara ficou sem paciência e levei um murro forte na boca que cortou meu lábio. O motorista, que acabou levando um chute meu na nuca deu a partida.
Depois de rodarmos uns dez minuto começaram a bater pra valer, uns socos na barriga e no rosto – o cara que tinha me dado o primeiro golpe puxou uma navalha e passou na minha bochecha, aí eu comecei a me debater mais e a navalha foi cortando minhas roupas, braços e coxas.
Me violentaram, aquele com a faca entrou por trás... doeu, as coisas começaram a ficar totalmente nebulosas, pararam o carro e caí na calçada.
Eu pensava tanto na minha mamãe, encostei a testa no asfalto e comecei a chorar, cada soluço fazia meu corpo doer mais.
Eu queria muito minha mamãe, eu não fazia idéia, não fazia idéia.
Marcela Fells
Enviado por Marcela Fells em 21/11/2007
Código do texto: T745732

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Sobre a autora
Marcela Fells
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 29 anos
11 textos (407 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 16/08/17 21:25)
Marcela Fells