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Lesfar Inmors - Cap 7 - A morte de Naru (Por Lesfar Inmors)

Leia o Capítulo 6 -> http://www.recantodasletras.com.br/contos/754867

    As mentiras contadas a um vampiro só são acreditadas quando este não pode ler a mente de quem conta. O exemplo disso foi um quadro e uma carta que recebi escrita por um velho amigo, Janus, sobre a morte de Naru. Somente algum tempo depois pude ter o prazer de descobrir que esta ainda se encontrava viva e pude darlhe meu sonho de despedida... Mas a despedida que gostaria de lhe dar não foi à mesma que tive o desprazer de presenciar:

        Na manha em que demonstrei meu poder a Naru e Therra, dando lhes de presente o sonho real que somente seus subconscientes sentiam minha presença. Pude ver Naru saindo de sua residência a passos largos e trajes íntimos, em direção a residência de Therra; Ela bateu desesperadamente por alguns minutos até que ele abrisse a porta, deixando-a entrar. Continuei onde me encontrava, sob uma arvore, sentindo os grossos pingos de chuva que escoriam por entre as folhas e caiam em minha pele (Adorava sentir as gotas de chuva escorrendo em meu corpo, era como o antigo suor humano). Observei o céu escuro esperando que a bela garota saísse de volta a seu lar; sentia, neste tempo em que estava a observar, o medo e o ódio no coração daqueles humanos crescerem gradualmente, prestes a explodir a fúria negra contida em cada um...
    Naru saiu pela porta desesperadamente, sem rumo, procurando algo para consolá-la e acho que o achou ao virar a rua e entrar em um escuro beco: Um grupo de rapazes que ali estavam atacaram-na usando um longo objeto de aço cortante o qual decepou sua cabeça. Eu a vi virar ao beco, mas somente me movi de onde estava ao sentir que algo a perturbava realmente. Quando a alcancei já havia sido tarde, ataquei os assassinos, mas não os matei, pois havia prometido a Leon que nunca mais o faria.
    Àquela hora pareceu-me o próprio inferno. Naru estava morta, havia garotos caídos ao chão por minha causa e hoje sinto que deveria tê-la protegido mais atentamente e não ter deixado acontecer o que aconteceu. Fui eu quem promoveu sua morte, se não a tivesse atormentado aquela noite, ela ainda estaria aqui, junto com os viventes e eu poderia acompanhá-la como uma sombra... O que descobri naquela hora é que o destino de todo vampiro é a solidão, o castigo de não ter ido junto com seu corpo na hora da morte, mesmo que este esteja morto somente nas horas das trevas... Como o meu...
   
    Nos primeiros dias podia viver na luz como um mortal, mas algumas mudanças ocorreram em meu corpo; meus olhos ficaram sensíveis a luz, minha pele se tornou ainda mais branca e tudo o que eu sentia se tornou mais forte... Pouca felicidade tinha em minha vida e a tristeza que acumulava tomou conta do meu coração mortal. Isso me fez dormir ao dia e viver a noite, agora sinto que nunca mais poderei voltar a sentir a Luz novamente.

    ...Vislumbrei nauseado o corpo quase nu e molhado de Naru caído ao chão como que crucificada e sua cabeça ao seu lado, escorada a um tambor em chamas no seu interior, com seus olhos sem se moverem, fixados em mim, talvez querendo me dizer algo, ou talvez somente me condenando.
    Peguei-a pelos cabelos e a levei a Therra. Ao abrir a porta encontrei-o soltando blasfêmias em meu nome, mas calou-se ao se virar e ver o que eu segurava, ajoelhouse e caiu em prantos; nada disse a ele, joguei a cabeça de Naru ao seu lado e fui embora, deixando-o sofrer sua vida a sós...

Leia o capítulo 8 -> http://www.recantodasletras.com.br/contos/761083
Lesfar Inmors
Enviado por Lesfar Inmors em 28/11/2007
Reeditado em 01/12/2007
Código do texto: T757025

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Sobre o autor
Lesfar Inmors
São Paulo - São Paulo - Brasil, 31 anos
45 textos (3010 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 22/10/17 14:00)
Lesfar Inmors