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A PEQUENA MORREU AFOGADA


Ocorreu na Ilha das Onças, bem aqui próximo da cidade. Um dia iluminado de muito sol, um céu azul de setembro, um calorão que só agüenta quem vive por essas bandas.

Todos reunidos na mercearia do seu Antônio à beira do rio que corria rápido, ouviam as prosas de um, de outro. Uma gargalhada, um momento sério, gole de pinga, uma cuspadeira ensaiada. Pescador vendeu seu peixe, agora é só prosear.

De repente entra, assustado, o Cara Amolada. Interrompe o assunto da vez para dar a notícia triste, muito triste. Um desastre atômico, uma potência nuclear, disse o Cara amolada, metido a falar difícil. Seu Antônio se esticou no balcão: - desinbucha, homem!

- a pequena neta da viúva do cumpadre Bacural morreu afogada.
- Cristo, Deus! Como foi isso?
- foi indagorinha, inda não acharam o corpo.
- Mas como foi, então?
- Tá uma choradeira só por lá. A Zita, vizinha da cumadre viúva me contou assim, porque ela disse que viu de perto a choradeira da cumadre:

“MAS QUÉ QUANDO ELA SAIU PRA FORA
QUÉ DESCEU PRA BAIXO
QUÉ SUBIU PRA CIMA
QUE ENTRU PRA DENTRO
MAS QUÉ NÃO VIU A PEQUENA...
UUUUUUUUUU, MAS QUÉ SUFRIMENTO DAQUELA MULHER”

Edmir CARVALHO BEZERRA
Enviado por Edmir CARVALHO BEZERRA em 26/11/2005
Código do texto: T76824
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Sobre o autor
Edmir CARVALHO BEZERRA
Belém - Pará - Brasil
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Edmir CARVALHO BEZERRA