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O ateu

Naqueles anos em que a Inquisição atingia sua fase mais cruel na península, e começavam a chegar rumores de paragens não muito distantes, mais precisamente da Europa insular, dando conta de que uma nova forma de produzir impelia os camponeses a se dirigirem às cidades, era eu então apenas um garoto de dezoito anos.

Meu pai, um homem inculto, mas nem por isso menos ladino e ambicioso, alimentava o sonho de me ver estudando nos bancos da magnífica Universidade de Coimbra. E para isso não poupou esforços. Alcançou prosperidade financeira inigualável no povoado em que vivíamos, nos arredores do Porto, às custas de muito trabalho na adega de sua propriedade, local muito aprazível, diga-se de passagem. Arcou com minha educação. O título de doutor representava reconhecimento social, algo que nem o mais rico dos homens conseguiria por meio de sua fortuna.

Amante do dinheiro, meu progenitor simulava prudentemente uma fé inflamada no catolicismo. Os inquisidores estavam alerta, por toda parte. Não que fosse descrente, até porque nascera num ambiente religioso. Todavia, não era um dos mais fervorosos fiéis. Comparada com a fé de José de Arimatéia, um dos vilões das cercanias do Porto, a sua, com certeza, configurar-se-ia tão frágil quanto um vaso de porcelana. Homem rude, sexagenário e desgastado pelos anos de trabalho pesado, Arimatéia seguia espartanamente os preceitos da Igreja de Roma, a ponto de em determinada ocasião açoitar a própria filha, depois de arrastá-la pelos cabelos por cerca de quinhentos metros. A pobre rebenta teria cometido o equívoco de manter relações carnais com um homem casado. O religioso não pôde conviver com tamanha vergonha. Viu desrespeitada a sagrada ordem dos sacramentos por um dos seus. Que castigo Deus não lhe reservaria? Só lhe restou expulsá-la de casa.

Sabia-se, por um ou outro relato, que Arimatéia era colaborador do Tribunal do Santo Ofício. Nos anos que antecederam o fato que agora vou relatar, meu amigo, tornou-se evidente essa situação. Havia ele se metamorfoseado numa espécie de pregador, de disseminador da fé cristã. Já havia arrebanhado um séqüito numeroso, que se reunia ao seu redor, nas tardes de domingo, para ouvir seus louvores ao Senhor, e sua maldição aos infiéis. Em verdade, quando jovem, pensou seriamente em seguir os passos clericais, em aderir ao celibato católico. Ser padre era um sonho que acalentava. Entretanto, uma paixão arrebatadora por uma moça de formas divinais desviou-lhe de seu caminho. Sua crença, contudo, permaneceu inabalável.

Naquele dia, depois de mais uma pregação, o sacerdote consagrado pela vontade do povo se dirigiu à adega de minha família. Lembro-me bem desse dia. Digo mais: como poderia eu esquecer-me? Não era presença assídua Arimatéia, por ser homem pouco afeito aos prazeres do álcool e da comida. Mas lá ia de quando em vez, pois seu ascetismo não atingia escala tão puritana; afinal, a vida também deveria ser permeada por momentos festivos.

Desta feita, no entanto, o que o levava até lá não eram motivos alegres. Fora informado por um de seus seguidores, durante a pregação, de que havia um estrangeiro recém-chegado à aldeia. Estava desde manhã na adega, disseram-lhe, bebendo e proferindo heresias, conclamando a todos que não louvassem mais a Deus. Arimatéia não poderia suportar uma afronta de tais proporções. Uma ovelha negra contaminando seu rebanho.

De fato, o estranho sujeito lá já estava por muito tempo. Esse detalhe, a hora em que ele chegou, é um dos poucos que o tempo apagou da minha memória, relegou ao olvido. Bebia desde muito cedo, talvez tenha chegado até antes de mim. Um homem de traços nada familiares, com certeza forasteiro. Contudo, suas feições não permitiam distinguir de que região seria egresso. Falava um português carregado de um sotaque nunca antes ouvido por aquelas bandas. Vestia-se austeramente, de forma sombria. Suas roupas eram negras, parecendo denunciar um caráter profanador. Era jovem, alto e delgado. Um olhar assustador, desprovido da seiva da vida, como que tivesse envelhecido cem anos em vinte. Seu nome? Uma incógnita. Não falava de sua origem ou de seu destino, mas quando o álcool começou a surtir efeito desfiou uma verborragia que ninguém atribuir-lhe-ia à primeira vista. E pronunciava sua oposição a Deus, mais precisamente à Igreja Católica.

Quando Arimatéia adentrou o estabelecimento, o alienígena bradava em alto e bom som, para quem quisesse ou não ouvir:

— Deus é uma invenção dos homens. Vede vós, dominados, subjugados por uma entidade inexistente. Não passam de néscios.

Àquela hora, caía uma garoa na aldeia, anunciando a chegada do arauto do Senhor, bem como confirmando a iminência do conflito. O Sol se despedia, começava a se abater sobre a vila uma escuridão perturbadora. O clima estava pesado. Os presentes engoliam em seco. Respirar se tornou, então, exercício de perseverança. O medo já não permitia movimentos bruscos. Os aldeões se aglomeravam do lado de fora, aguardando o desenlace, que, sabia-se de antemão, não seria nada agradável.

— Quem és, forasteiro? Não percebes que não és benvindo? Retira-te daqui, e poderei eu relevar teu vício, tua infelicidade, pois o Senhor haverá de castigar-te. Sai, herege!

E o crente foi acompanhado em seu delírio pelos que estavam à sua volta. A raiva pelo estranho podia ser sentida na pele. O olhar de desprezo dos presentes queimava. O ódio dominava o ambiente. Os mais exaltados se preparavam para defenestrar o ateu, quando se detiveram. Arimatéia erguera a mão, como que mandando um aviso a todos. A questão não estava encerrada. Como bom cristão, permitiria ao infiel uma chance de se redimir.

— Queres saber quem sou? Sou o teu sonho arruinado. Sou a verdade por trás da farsa. Deus não existe. Teu mundo não existe. Tudo é construção, produto de um tempo imemorial. Criações conduzidas por homens como tu, de carne e osso. Mas não percebes, não é mesmo? Foste tomado pelas tuas próprias invenções, homenzinho, ao considerá-las verdadeiras.

Naquele momento, pude perceber algo que tomei como lição, e fiz questão de não esquecer. A fé de um homem não deve ser contestada, sob pena de se ver derramado sobre aquele que for capaz de tal petulância um ódio elevado ao paroxismo. Por mais absurdas que sejam, as crenças são o bastião dos humanos. O herege parecia não possuir tal suporte. Mas não seria sua descrença uma espécie de religião?

— Invenções? Tenho pena de ti e dos teus, pois cairá sobre vós a ira do Criador. Olha, infiel, dar-te-ei a oportunidade de te regenerar. Vamos à igreja mais próxima, e vais converter-te à fé cristã. A menos que sejas seguidor da cartilha de Satanás e de seus cultos pagãos.

— Não sirvo a nenhum senhor. Não sou vassalo, sou suserano das minhas idéias. Não me curvo aos pés de nenhum altar. E bem sei que a vida é o aqui e o agora. Não louvo o devir; gozo o meu viver.

— Olhem, meus irmãos. Vejam como o infeliz se veste. Parece um corvo, um abutre a serviço de Zoroastro. Um herege. Vamos livrar nosso mundo de tão perverso anátema.


As palavras do líder espiritual eram a senha que os vilões esperavam com ansiedade. O sombrio visitante nada pôde fazer, e parecia até resignado com seu já selado destino. Foi agarrado por mais de dez homens, arrastado para a praça principal do vilarejo e apedrejado. Arimatéia decidiu, e a maioria do povo aquiesceu: o homem deveria ser queimado, para que se expurgasse da aldeia a lembrança de tão funesta e ofensiva presença, e para que o Mal ali não encontrasse morada, não se perpetuasse. O fiel ardoroso mantinha boas relações com o Tribunal. O assassínio da ameaça negra não lhe traria maiores complicações, mesmo que não houvesse investigação anterior, visto que existiam muitas testemunhas, todas elas cristãs convictas, de ótima índole. Ainda mais porque o crime seria perpetrado contra alguém de origem desconhecida, um forasteiro. Como se fogo já estivesse aceso, Arimatéia tomou uma tocha e pôs-se a aproximá-la do corpo da vítima, já combalido pela violência das pedras e banhado a álcool. Nesse momento, perplexidade geral. Ouviu-se uma voz, não tão desconhecida.

— Cessa essa loucura, José. O remorso que ainda pode te acometer não compensa tão impensado ato.

— Posso saber quem ousa interromper esse sagrado ritual de purificação?

Um homem aparentando ter a mesma idade de Arimatéia. Vestido em trajes precários. A autoridade com que bradou fez o mais seguro religioso, cuja fé se compara ao mais sólido dos metais, ser tomado por insólito frio na espinha. Aquele timbre de voz era tão familiar. Suas palavras soavam carregadas de um desprezo pelo que ali ocorria, que podia se perceber os presentes questionando-se intimamente a respeito de seus atos.

— Queres saber quem sou? Sou alguém cuja visão já esteve mais embaçada que a tua, por conta de uma fé imensurável. Ou pensas que Manuel do Alentejo não foi mais crente que tu? Tanto fui, que segui a carreira de que covardemente abdicaste.

— Manuel? És tu mesmo? Por que regressaste depois de tantos anos?


Dez anos, mais precisamente. Padre Manuel do Alentejo foi o pároco de nosso vilarejo durante décadas. Mas havia dez anos que decidira viajar o mundo, trabalhar como missionário, catequizar povos exóticos. Depois de sua saída, como que faltasse um líder religioso em nossa comunidade, Arimatéia assumiu naturalmente tal atribuição. Quando de sua partida, era eu tão-somente um infante inocente. Mas me lembrava vagamente de seus traços mais marcantes. Não mudara muito nesses anos o padre. Seu semblante continuava grave, austero. Sua voz permanecia imponente. Apenas estava ele mais hirsuto.

— Regressei porque minha peregrinação findou-se. Saí daqui imaginando levar a verdade a regiões remotas, mas acabei sendo eu mesmo apresentado a ela. Volto para meu ninho, para que aqui possa estabelecê-la.

— Do que falas, Manuel? Vestes roupas incompatíveis contigo, elas denunciam uma decadência pela qual não mereces passar. Falas coisas que não compreendo muito bem. Estás mudado, querido amigo. Que houve? Junta-te a nós, vamos expulsar o Mal de nossas vidas. Toma esta tocha e inicia o ritual!


“Querido amigo”? Realmente eu havia escutado algo a respeito dessa história. José e Manuel foram amigos de infância e de juventude. Os católicos mais disciplinados que se conhecia pelas redondezas. Ambos compartilhavam do desejo de se tornarem sacerdotes. Sua amizade era tenaz e o amor ao Criador reforçava esse laço. Ao desistir de seguir para o monastério devido a uma paixão terrena, e vendo que seu companheiro resistiu às intempéries do cotidiano e prosseguira firme em sua convicção, Arimatéia foi tomado por profundo remorso. Ao mesmo tempo, passou a admirar Manuel como o único homem cuja fé superava a sua. Respeitava isso, e tinha nele uma referência. As palavras proferidas por Manuel eram verdades para ele, só não mais genuínas que as de Deus. O padre, por sua vez, apesar de entender a situação de José, passou a ver nele um ser dotado de muita fé, decerto, mas com uma fraqueza intrínseca, suscetível a paixões e ódios. O sacerdote sabia que sua fé era inigualável. E se sentia privilegiado por enxergar a verdade, pois poucos alcançavam tal estágio. Sendo possuído por forte sentimento fraternal, decidiu levar a palavra verdadeira e reveladora do Senhor àqueles que nunca tiveram a oportunidade de sair de suas realidades mal construídas.

— Não haverá hoje aqui nenhum ritual. Pois que rituais têm somente valor simbólico. Vistos por quem está de fora, não passam de sandices. Para quem está envolto em sua aura mágica, uma cerimônia adquire contornos dramáticos. Mas libertai-vos, não vos deixeis enlear por tamanha farsa. O que vos difere de outros animais é vosso poder de raciocínio. Não vos esqueçais disso. Podereis encontrar repouso confortável em outras formas de pensar que não a idolatria a seres imateriais, produtos de nossas mentes primitivas.

— Que embuste é esse? Não podes ser Manuel. Teu discurso assemelha-se ao do alienígena. Onde está tua fé?


Já por essa hora percebia-se que as novas idéias do padre perturbavam Arimatéia. Parecia ele estar vivendo conflito interior, visto que, para defender suas convicções, teria de proceder com Manuel da mesma forma que com o visitante indesejado. Queimá-lo na fogueira? O momento era delicado, um religioso tão fiel não poderia se contradizer na frente de seus seguidores. Mas o sentimento e a admiração pelo antigo amigo ainda inflamavam seu peito.

— Ora, José. Não há aqui embuste algum. Presta atenção no que agora vou dizer-te. Nesse último decênio, passei eu por situações as mais inusitadas possíveis. Travei contato com povos que nem imaginas existirem, conheci práticas esdrúxulas, vi guerras serem engendradas e famílias serem massacradas por motivos que nos pareceriam banais. E, o que mais me marcou, certamente: conheci a promíscua relação dos deuses com os homens. Sim, pois parece que para cada raça de ser humano surge um panteão de divindades. Vi aqueles que adoravam entidades da floresta; outros que juravam ser conduzidos por variados deuses dotados de formas humanas ou animais; existem muitos que adoram aquele que para nós seria Asmodeus; ainda há os que perdem qualquer capacidade de acreditar no que quer que seja. Mas mesmos esses demonstram estar imersos num universo de crença. Foram exatamente eles, os descrentes, que me fizeram lançar o olhar sobre uma realidade que antes se configurava distante. O homem cria seus deuses, e não o contrário. Mas, uma vez que essas entidades ganham força por meio de nossa fé, tornam-se verdadeiras, e passam a conduzir-nos, como se de fato fossem os responsáveis por nossa existência. Mas, e se morrêssemos todos? Desapareceriam todos eles também, pois são apenas potência de nosso gênio criativo. São mortais, todos. A imortalidade não é atributo dos deuses. E não seria necessário que perecêssemos todos para vê-los alcançar triste fim. Há homens que os substituem por outros portos seguros. Basta simplesmente que creiam em suas novas idéias, menos inibidoras, que lhes dão a sensação de liberdade, mas que no fundo são grilhões tão fortes quanto os seres imortais. Veja esse ser moribundo a teus pés; apedrejado, quase morto. Cria ele na libertação pelo pensamento, no poder de seu ateísmo. Mas também não passa de um tolo, visto que se tornou escravo de sua filosofia. A grande verdade, José, é que os humanos, todos nós, estão envoltos numa rede de construções. Tudo tem valor apenas simbólico. Olha para ti. O que pensas ser? Não sabes? Pois te digo: é tão-somente um pedaço de carne e osso se deteriorando com o passar dos segundos. Estás morrendo, aqui na frente de teus pares. Ma nem eles e nem tu percebem. Ao nasceres, já estavas morto, pois que tua única certeza é de que um dia irás morrer. E Ele nada fará por ti. Olha teus trajes, tua casa, as vielas deste vilarejo. Tudo é simbólico. Nada garante que as coisas devam ser assim. Porque em outras plagas assim não o é. Estarias certo e o resto da Humanidade errado? Por quê? Teu Deus é tão profano quanto qualquer outro. Veja tua forma de vida ruir: na metrópole do Império onde o Sol nunca se põe, o campesinato já vai em direção às cidades. Logo, teu mundo cessará de existir. Nada é eterno, a vida é uma constante mudança, um constante adeus. Saí daqui, José, para converter, mas fui eu que me converti. Ouça o que te digo: sou o mais consciente dos ateus, pois bem sei que meu ateísmo substitui minha antiga religião.

Os camponeses já não se continham mais de tanta revolta. O único que simulava entender as palavras do ex-padre, excetuando-se Arimatéia, era eu, que já me deparara com essas questões antes, mas, por vergonha de vê-las macular o sagrado ambiente cristão, nunca as deixei vir à tona. Não compreendiam muita coisa os fiéis, mas percebiam que sua crença era contestada. Até meu pai queria calar o desertor das fileiras de Cristo. No momento em que iriam todos escalpelá-lo, Arimatéia, enfim, pronunciou-se, congelando os ânimos até dos mais exaltados.

— Basta de tanta blasfêmia!

E pude perceber, antes que ele saísse correndo em direção ao bosque vizinho à aldeia, que, por um momento, as palavras e idéias do ex-pastor que ele tanto respeitava lhe trespassaram o fundo da alma, tocaram-no no mais íntimo dos seus medos: o temor de se tornar ateu. Por um momento, Arimatéia ousou duvidar. E viu, nessa hora, toda a fé cultivada durante sua vida cair por terra. Havia ele sido também um ateu, mesmo que tivesse sido por um segundo. Não era mais digno da graça d’Ele.

Tendo ficado sem seu líder, que capitulou frente ao poderoso inimigo que é a verdade, os aldeões detiveram-se, e não atacaram Manuel, como a alcatéia que rodeia o leão, mas não tem coragem de avançar sobre ele. O viajante tomou de uma carruagem que estava por perto, cujo dono parecia tê-la abandonado, e ergueu o estrangeiro convalescente, pondo-o na garupa. Antes de partir rumo ao infinito, percebendo que o ateu recobrava aos poucos a consciência, mesmo de forma delirante, perguntou-lhe:

— De onde vens e para onde queres ir?


— Venho de lugar nenhum e vou para onde o destino me guiar. Minha casa é o mundo.


— Então somos dois. Vamos juntos? O que vai ser daqui para frente?


— Não sei. Toca os cavalos. Vamos ver o que acontece.


E partiram, para nunca mais serem vistos por aquelas redondezas. Os vilões permaneceram imóveis. Sua fé se abalou, com certeza. Mas as idéias do ex-padre não fincaram raízes em suas mentes.

O mesmo não se pode dizer de Arimatéia. Encontramos seu corpo uma semana depois, numa das árvores do bosque. Enforcou-se. Como um traidor, como um Judas. O mesmo também não se pode dizer de mim. Vim para Coimbra um ano depois. E aqui estive até hoje. Calei minhas convicções, o pensamento que segui durante toda minha vida, para não ser perseguido. Mas hoje, no meu leito de morte, passo-te o relato dessa história. Tira a lição que melhor te convier, amigo.
Jorge Eduardo Machado
Enviado por Jorge Eduardo Machado em 28/11/2005
Reeditado em 29/11/2005
Código do texto: T77791

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Sobre o autor
Jorge Eduardo Machado
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 37 anos
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