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SUCO DE LIMÃO GALEGO E OS PEREIRINHAS - pra rir, mas só um pouco.


Quem quiser pode rir. Quem não rir que me atire a primeira pedra. Tenho dito.

Esta quero repartir aqui porque um amigo me contou e não posso segurá-la. É verídica, ou como dizia um conhecido, é jurídica.

Seu Pereira era cabo da polícia militar, homem brabo. Dentro de casa disciplina de quartel. Passou pela vida o Seu Pereira a trabalhar duro e a fazer filhos. Uma dúzia, nove homens e três mulheres. O que me contou a história é o penúltimo e o menor, pesa 97 quilos, um metro e oitenta de altura. Chamo-o carinhosamente de Negão. Negão tem o braço da grossura de um garrafão de vinho, daqueles de cinco litros, mas é uma doçura de pessoa.

Certo é que houve um tempo que por motivos de saúde, Seu Pereira teve que entrar de benefício, aí o salário reduziu, foram trinta dias de conserva, sardinha e farofa de óleo (coloca o óleo na frigideira, depois a farinha, mexe, mexe, uma pitada de sal e pronto, nem um ovinho sequer ia dentro).

Juntaram-se após o almoço três dos Pereirinhas. O pai cochilava junto à mãe. Foram no quintal arrancaram da árvore cinco limões galegos e começou o beneficiamento da coisa. Um amassava o limão com o pé pra ficar mais macio, o outro cortava em bandas e o terceiro espremia numa panela de alumínio. A idéia era fazer uma limonada, daria uns três litros. Faltava adoçar e em seguida tomar com farinha.

Limões espremidos, panela cheia, adoçar, farinha e tomar debaixo da mesa. Pois, sim! No que levanta o Pereirinha 1 para apanhar o açúcar, Seu Pereira levanta junto. Foi logo querendo saber da história.

- Vocês não acabaram de almoçar?
- Mas papai, nós só vamos tomar uma limonada. Falou o autor da idéia, Pereirinha 1.
- Pois muito bem, os três sentados aqui na mesa. Podem tomar à vontade.
- Papai, falta o açúcar, falou o Pereirinha 2.
- Bebendo, já disse! Cada um dá uma golada e passa pro outro.

E foi assim o rodízio. Golada, careta, passa adiante, golada, careta, passa adiante. Não terminava nunca. A azia já tomava conta dos três. Golada, careta, lágrima nos olhos, tremor no corpo... passa adiante. E foi até terminar o suco.

- Acabou, mas dói até arrotar, dói tudo papai. Essa foi a deixa do pereirinha 3.
- Muito bem, quem teve a idéia da limonada? Você?! Então vá lá no quintal e me traga três palhas do açaizeiro, tira as folhas, mas não me arranca os calombos.

Seu Pereira pôs os três no paredão, um de cada vez, de costas, sem roupa nenhuma. É pra engolir o choro, não quero ouvir nenhum gemido, disse a polícia.

- Primeiro você, e começou a lambada nas costas, mas não era uma lambada simples qualquer não. Era SO-LE-TRA-DA, a cada açoite uma sílaba, assim:

- VO-CÊ NUN-CA MAIS VAI FA-ZER IS-SO DE NO-VO POR-QUE SE NÃO VAI A-PAN-HAR U-MA SUR-RA DE VER-DA-DE, ES-TÁ ME EN-TEN-DEN-DO? E NÃO É PA-RA CHO-RAR SE NÃO EU VOU RE-PE-TIR TU-DO DE NO-VO. ES-TÁ ME OU-VIN-DO?

Terminada a sessão tava os três molinhos, molinhos, ardendo por dentro e por fora. Seu Pereira foi pro quarto e veio dona Dora.

- Poxa vida, vocês não dão sossego mesmo. Senta os três na mesa que eu vou passar remédio nas costas de vocês. Mas quem mandou serem teimosos, não dava pra esperar o café com pão. Por isso o pai de vocês falou que hoje não tem café, só vai ter pão seco e ninguém pode beber água antes da janta.

- Tá, mãe, passa logo o remédio que tá ardendo muito.
- Espera aí que eu vou buscar o sal e o vinagre.



Edmir CARVALHO BEZERRA
Enviado por Edmir CARVALHO BEZERRA em 30/11/2005
Código do texto: T78754
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Sobre o autor
Edmir CARVALHO BEZERRA
Belém - Pará - Brasil
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Edmir CARVALHO BEZERRA