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Annthonia não se encontrou...

Olá. Meu nome é Antonia, procuro por alguém que um dia despertou em mim um forte sentimento e hoje permanece muito longe, tão longe que não consigo encontrar. Conto agora a minha historia, espero convencer quem a ler, de que realmente apesar de tudo,estou sendo sincera em meu amor...

Nasci em 1925 na Alemanha e lá fiquei até 1941, quando já tinha 16 anos... Foi uma época difícil, quando os Alemães 'puros', caçavam os judeus, no caso, eu e minha familia tivemos de fugir pois somos judeus... Quando vinhamos para o Brasil, encontrei um jovem rapaz aliado ao nazismo, até hoje não consigo explicar o que aconteceu, mas tento... Ele, ao me ver reconheceu-me como judia, logo, me separou do restante do grupo e me levou até um dos carros que levariam alguns judeus aos campos de concentração... meu medo aumentava a cada passo que eu dava. Ele começou a falar comigo e perguntou o meu nome... respondi rapidamente ao mesmo tempo que pedia que me libertasse. Antes de nos aproximar-mos do carro ele parou e me puxou ao seu encontro, me olhou nos olhos e disse que não fazia aquilo por que queria, mas porque precisava ser feito. No mesmo instante pedi que fingisse não ter me visto, e me libertasse daquele pesadelo, ele me ajudou. Deu-me beijo no rosto e disse que eu tomasse cuidado logo depois de me ensinar um caminho seguro para ir embora. Quando cheguei no ponto onde pegariamos um carro para ir até o porto, percebi que minha mãe e meu pai não estavam lá, todos estavam menos eles. Foi quando uma amiga me disse que eles começaram a gritar meu nome e sairam a minha procura, um soldado nazista os pegou e levou-os consigo. Foi muito dificil aguentar aquilo sozinha mas tive de ser forte. Vim para o Brasil sem eles.
Quando já estava aqui, aos meus 23 anos de idade, a guerra já havia se acabado. Fui procurar um emprego, andei por muitos lugares, entre eles passei por uma aeroporto, onde o encontrei.
Senti um peso em meu braço, ao olhar, percebi que aquele soldado nazista que me ajudara na Alemanha estava a me olhar. Se nome é Albert Freitz.
Naquela tarde caminhamos e conversamos tanto que passei a saber de coisas que nem imaginava se passar pelo nazismo, entre estas, descobri que Hitler tinha um vício quase incurável por bebidas, o que o levou a fazer muitas das suas crueldades em momentos de bebedeira, Albert sempre achou que ele se embriagava para não lembrar depois do que ele fazia, ou pelo menos para se sentir encorajado a fazer tais coisas.
Infelizmente, vi Albert somente mais uma vez depois daquele dia, quando já havia florecido uma paixão entre nós, ele teve de partir. Voltou a Alemanha, continuou a ser soldado nazista e me abandonou apesar de tanto amor. Ele me disse que apesar da guerra ter se findado o nazismo continuava e precisava dele... Eu preciso dele bem mais. Depois disto, arranjei um emprego e fui a procura de um lar somente meu. Encontrei. Na verdade encontrei muitas coisas na minha vida... Meus pais morreram mas recebi através de um judeu fugitivo do campo de concentração  cartas que meus pais queriam me enviar. Me senti satisfeita... mas me faltava o amor... Albert Freitz."

Essa é a minha historia, espero ter sido convincente, pois sofri muito e agora desejo tê-lo de volta... Aos meus 80 anos de idade. Sinto que o amor jamais pode envelhecer...

(04/12/2005)
Daiane Rodrigues
Enviado por Daiane Rodrigues em 04/12/2005
Reeditado em 13/03/2007
Código do texto: T80910

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Sobre a autora
Daiane Rodrigues
Américo Brasiliense - São Paulo - Brasil, 27 anos
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Daiane Rodrigues