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A lenda do rio japonês



Na beira daquele rio sem fundo, onde diziam viver um monstro enorme de pele esverdeada e patas do tamanho de um canhão, morava o pequeno Akira. Desde que aprendeu a entender que o rio era lugar perigoso e enfeitiçado, sentava-se todos os dias numa pedra nem perto nem longe do rio. Tinha dali visão do leito até onde ele se misturava com o céu fazendo espelho distorcido nas águas que nunca paravam de ondular.
Certo dia, quando o sol estava vermelho e feliz com as nuvens que vinham abraçar seus raios, Akira, o pequeno, sentou-se como sempre na pedra e olhava o rio avermelhado dançando alguma canção silenciosa. Os olhinhos do pequeno passeavam todos os cantos procurando algo que ele mal sabia o que era.
O sol já beijava o rio quando bolhas de ar começaram a surgir no canto esquerdo da margem e Akira sorrindo um pouco de medo, pôs-se de pé pronto a fugir, mas hipnotizado pelas bolhas permaneceu parado com o coração acelerado como nunca havia.
O tempo não passa quase um minuto e Akira ainda paralisado, observava as bolhas que passeavam de um lado para outro na margem do rio sumirem lentamente no canto direito.
O pequeno ainda fica parado por algum tempo esperando, esperando nova aparição, mas nada surgiu das águas dançantes do rio.
A mãe chama. Janta posta. Ele corre sorridente e senta frente a mesa baixa e cruza suas perninhas, uma por sob a outra e sorri para o ar.
Os pais estranham e perguntam. Akira assente com a pequena cabeça. Silêncio durante o jantar. Apenas olhos que passeiam em olhos e paralisam no sorriso do pequeno.
O tempo passa. Nunca mais Akira viu as bolhas no rio, mas já não importava. Ele sabia. Estava lá em algum lugar.
Akira cresce. Casa. Constrói sua casa na beira do rio.  Tem um filho que diariamente senta na pedra que não fica nem perto nem longe.
Ali, na beira do rio, na casa de Akira, a família se reúne para jantar. O filho chega correndo e carrega no rosto um largo sorriso. O menino senta-se cruzando as perninhas, uma sob a outra.
Akira olha o filho e pergunta. O menino assente com a cabeça e sorri. O jantar segue em silêncio enquanto a lenda borbulha nas águas do rio que dança estrelas ao luar.
Paula Cury
Enviado por Paula Cury em 11/12/2005
Código do texto: T84236

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Sobre a autora
Paula Cury
São Paulo - São Paulo - Brasil, 47 anos
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Paula Cury