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DEDÉ, O REI DO FUTEBOL

Circulando todo à volta do estádio Governador Magalhães Pinto - mais conhecido como Mineirão - Dedé sonha com o dia de sua estréia, estádio lotado, torcida ensandecida de emoção, camisa 10 com seu nome nas costas, entrando em campo rodeado de crianças uniformizadas - todas querendo entrar de mãos dadas com ele - clássico Atlético Mineiro x Cruzeiro, final do campeonato mineiro. Inicio de um jogo duro, nervos à flor da pele, primeiro tempo tenso, jogadas duras, meio-campo truncado, os goleiros se destacam na partida, e o primeiro tempo termina empatado em 0 x 0. Inicio do segundo tempo, o jogo recomeça da mesma forma, até os vinte minutos do segundo tempo nada de gols, Dedé sabe que seu time precisa ganhar por ao menos um gol de diferença, o empate dá o titulo ao time adversário, mas eis que aos quarenta minutos do segundo tempo Dedé recebe lançamento do lateral esquerdo, dribla um, dribla dois, um chapéu no terceiro, entra na área passa pelo goleiro e GOOOOOOOOLLLLLL !

- Levanta daí moleque! Vai acorda! Ta fazendo o que, andando em volta do estádio? Ta usando drogas? - Pergunta o policial, antes mesmo de descer da viatura.

- Nada não seu guarda, só estava descansando um pouco.

-Aqui não é lugar de trombadinha dormir, vai trabalhar ou estudar... "vamo... vamos circulando neguinho!"

-Desculpe seu guarda, já to saindo, eu ajudo minha mãe vendendo panos de prato na rua. Como já vendi todos hoje estava dando uma volta no estádio eu adoro esse lugar, meu sonho é um dia pisar nesse gramado.

Mas nem pra gandula você serve moleque, vai... Circulando - diz o guarda com ironia.

Dedé pega o caminho de casa, sem entender muito bem porque não pode andar em volta do estádio, será que tem cara de ladrão, mas como poderia com somente doze anos ter cara de ladrão, não é possível que alguém com doze anos tenha cara de ladrão, será que por causa de sua cor... Não... Não pode ser, estamos em outro século, virá isso na escola, a descriminação racial acabou no século passado, como poderia, se até o rei do futebol que é a pessoa mais importante do mundo é um negro, Dedé tem orgulho disso, ele até se acha muito parecido com o rei do futebol nas fotos de garoto, e por sinal a garotada da vila também, talvez não na aparência, mas na intimidade com a bola nos pés, lá no campinho, atrás da estação de trem, no bairro da Lagoinha, Dedé é o próprio rei do futebol, é sempre o primeiro a ser escolhido na hora do par ou ímpar, nunca fica de fora dos clássicos, se atrasa um pouco à molecada vai buscá-lo em casa, e quase sempre no final dos jogos é carregado pelos companheiros do time, é sempre o artilheiro, o melhor em campo, e nas horas difíceis torna-se o capitão do time, orientando, levantado a moral dos jogadores, armando o time e comandando o ataque. Às vezes gosta de fingir que é o próprio Pelé, nos dias em que não joga tão bem finge que é um dos jogadores da atualidade mesmo. Apesar de ser interrompido em seu sonho no estádio, Dedé retoma os pensamentos seguindo pela avenida Presidente Antônio Carlos em direção a sua casa na Lagoinha. O caminho é longo, ele vê os ônibus que passam, os carros, sonha em ter um dia seu carrão, como os dos jogadores de futebol que ele vê sair do centro de treinamento, mas por enquanto contentaria-se em ter ao menos o dinheiro para passagem, pensou em tomar um ônibus, não poderia desinteirar o dinheiro dos panos de prato, sua mãe não o perdoaria.

Após duas horas de caminhada, chega em casa, exatamente no mesmo momento que o padrasto, entram juntos sem falarem, Dedé sente de longe o cheiro da cachaça exalando daquele homem sujo e maltrapilho, sua mãe no fogão preparando o jantar pergunta logo pelo dinheiro, que Dedé entrega antes mesmo de dizer oi. A mãe conta e agradece ao filho por ter conseguido vender todos os panos de pratos e emenda - "Tome vá ao mercado e compre cinco reais de carne moída de segunda". - O padrasto não fala nada, deita-se no sofá e minutos depois está roncando como um porco.

-Acorde seu pai Dedé, vamos comer - diz a mãe.

-Ele não é meu pai. Esse bêbado não é meu pai.

- Ele é seu pai sim... Aquele outro saiu de casa, nos abandonou neste barraco quando você tinha cinco anos de idade, você não se lembra não? Então... Ele te criou... Ele é seu pai... Não aquele que nos abandonou. Eu não quero mais falar sobre isso.

Contra sua vontade Dedé cutucou o homem, que xingando o garoto e a mãe, levantou-se, botou a mão no bolso da mulher, pegou alguns trocados que sobraram e saiu. Com certeza ia para o bar beber mais um pouco. Jantaram juntos, mãe e filho, Dedé foi dormir, tinha que acordar cedo para ajudar a mãe com os bordados no dia seguinte. Acordou assustado com os gritos da mãe, levantou imediatamente, chegou à porta da cozinha, que também era a sala - A casa tem apenas um cômodo, o pequeno quarto foi dividido por uma parede de madeira - o homem estava espancando a mãe, que chorava em silencio para não acordar o filho - o silencio foi em vão - Dedé tentou livrar a mãe, acabou apanhando junto. Depois de tapas e socos, mãe e filho estavam marcados pelas pancadas, Dedé tentou reagir, mas a preocupação com a mãe era maior que a sede de bater naquele homem, o que fez com que apanhasse sem sentir as dores físicas.

No outro dia acordou cedo, ajudando a mãe com os bordados tentava disfarçar a agonia de ver seus olhos marcados, sabia que os seus também estavam com as mesmas marcas roxas, porém sua mãe fazia questão de fingir estar tudo normal, isso era o que mais irritava Dedé, está era a única dor que conseguia sentir naquele momento. Mesmo estando acostumado aquela cena de violência, não se conformaria nunca, ao contrario sua raiva aumentava a cada dia que passava, Dedé achava bom, pois se acostumasse ao fato como já acontecerá a sua mãe nunca mudaria aquela situação.

*****

Algumas semanas depois, andava pela lagoa da Pampulha com seus panos de pratos, de porta em porta, o dia estava ruim para as vendas, apenas uma senhora comprará um pano depois de muita insistência, Dedé não conseguiu identificar se a venda se concretizará por piedade da senhora ou pelo cansaço de sua insistência, de qualquer forma aquele não era o seu dia. O sol forte, o cansaço, as pessoas fazendo cooper e exercícios ao redor da lagoa com suas roupas de atleta passavam sem notá-lo, até mesmo os vendedores ambulantes não percebiam sua presença ali, sentia-se inferior a todos, o vendedor de sorvetes tinha seu carrinho, assim como o vendedor de milho verde, a mulher da cocada estava vestida de baiana e tinha sua barraca, até o vendedor de algodão-doce tinha um bastão onde prendia os doces e carregava sua buzina, material de trabalho para chamar a atenção. Ele não. Não tinha nada, de chinelos de dedo e panos de pratos à mão, pendurados no antebraço cansado de ficar sempre na mesma posição, shorts rasgados, camisa cheia de furos, realmente era inferior a todos, sentiu até mesmo seu produto inferiorizado, panos de pratos brancos bordados com desenhos infantis e palavras que não combinavam com panos de pratos, AMOR - CARINHO - DIA FELIZ - Alguns com os dias da semana - Segunda - Terça-feira - etc... Os dias da semana eram mesmo os preferidos, ou melhor, os que conseguia vender com menor dificuldade. Sentiu-se envergonhado de estar ali, ia fazer treze anos, talvez pudesse conseguir um emprego, lavador de carros, empacotador, quem sabe, ou se tivesse sorte talvez pudesse ser Office-boy numa pequena empresa ou loja, entregador numa farmácia, estava decidido; A partir de amanhã procuraria um emprego. Sonhador que era não demorou muito para se animar novamente, já conseguia enxergar seu futuro, começaria de entregador numa farmácia, depois de algum tempo tornar-se-ia balconista, talvez até entrasse para um curso, assim poderia quem sabe até mesmo aplicar injeções, ganhar mais, e ainda teria tempo para treinar, com um trabalho poderia ajudar mais sua mãe nas despesas da casa e teria tempo livre para procurar uma peneira em algum time pequeno, ou quem sabe começar na várzea, sabia que era bom jogador, só uma questão de tempo para um olheiro o descobrir e levá-lo para o Atlético ou o Cruzeiro, podia ser até um time menor pra começar, quem sabe o Tupi de Juiz de Fora, ele ouvira falar ter um bom time, mas não sabia nem onde ficava essa cidade de nome estranho "Juiz de Fora" seria por esse motivo que o Tupi nunca ganhará o campeonato, o juiz sempre vinha de fora e sempre prejudicava o time da casa, a essa altura o time não importa, afinal era profissional e tinha que honrar a camisa do clube que lhe pagaria o salário - sempre virá os jogadores dizer isso nas entrevistas, não concordava - mas agora conseguia compreender o tal profissionalismo. Chegou em casa quando ia entrar em campo pela seleção brasileira num jogo contra a Argentina pelas eliminatórias da copa do mundo em pleno Mineirão, o sonho mais uma vez se apagou rapidamente quando entrou em casa, sua mãe chorava sentada no chão com marcas vermelhas pelo rosto e vergões nos braços.

- Cadê aquele desgraçado, de hoje ele não passa! - gritou Dedé chorando.

A mãe não respondeu, levantou-se e saiu em direção ao banheiro no lado de fora da casa. Dedé estava decidido a acabar com o sofrimento da mãe, pegou uma faca, guardou-a na cintura e sai de bar em bar a procura de Raimundo. Não conseguiu encontrá-lo, pensava de que lado estaria a sorte em não se encontrarem, pois sabia que se matasse Raimundo teria que fugir para bem longe depois, isso colocaria em risco sua carreira, voltou pra casa, guardou a faca sem que a mãe percebesse, Raimundo ainda não estava em casa. Deitou-se e ficou na espreita, não queria correr o risco de estar dormindo quando o safado chegasse, tentou manter-se acordado, mas acabou dormindo. Acordou assustado as seis da manhã, olhou para o lado, Raimundo não estava na cama, sua mãe também não, a principio ficou assustado, mas logo se acalmou quando percebeu a mãe encostada no tanque com um monte de roupas sujas ao lado. Resolveu não perguntar por Raimundo, quem sabe fora embora para sempre.

- Hoje não vamos bordar, peguei estas roupas da dona Maria para lavar, ela está com muito serviço e resolveu me passar um pouco - disse a mãe, sorridente tentando esconder as marcas vermelhas pelo corpo.

Dedé não resistiu “Onde está Raimundo?” - perguntou -. A mãe não respondeu, disfarçando o incomodo começou a assoviar uma música qualquer, o garoto saiu correndo, tentou pensar em outra coisa, foi até o campinho, jogar bola o faria esquecer, estava disposto a descontar toda sua raiva dentro de campo, hoje não ia aliviar, ia jogar duro, mas desta vez não conseguia realizar as lindas jogadas que todos estavam acostumados a ver, não conseguia parar de pensar na mãe e na raiva sentida quando Raimundo invadia seus pensamentos.

*****

Duas semanas se passaram, e nada de Raimundo voltar, Dedé já estava certo de seu desaparecimento, e feliz por isso, mas às três horas da madrugada escuta batidas na porta. Sentiu medo sabia quem era, só podia ser ele, Raimundo voltara. Insistiu a mãe para que não abrisse, de nada adiantou, ela abriu a porta e Raimundo que estava escorado nela caiu dentro de casa como uma árvore recém cortada, Dedé pensou em chutá-lo, mas sua mãe foi mais rápida e abaixou-se na tentativa de reanimar o homem, o esforço foi em vão, ali mesmo ele dormiu o resto da noite. No dia seguinte Raimundo não estava mais lá, sua mãe fingia que nada acontecera, pegou os panos de prato e começou a bordá-los, com a ajuda de Dedé, até o meio-dia fizeram dez bordados, todos com os dias da semana. Dedé pegou-os e saiu sem direção, não conseguia pensar em que bairro vender seus produtos, não queria andar até a lagoa, era muito longe, também não voltaria ao Mineirão, estava com medo de encontrar novamente os policiais, lembrou-se do bairro das Mangabeiras, era muito longe, mas Dedé adorava passear naquele lugar, além de poder dar uma volta pelo parque, lá tem muitas casas grandes e bonitas, pessoas com mais dinheiro e sempre conseguia vender os panos de pratos lá, mesmo que fosse somente para dispensá-lo logo da porta, uma ou outra madame ou empregada acabava comprando uma ou duas peças. Andou por mais de duas horas, estava com o semblante mais frágil hoje, sentia isso, as pessoas compravam seus produtos com ar de piedade, talvez num outro dia usasse isso como uma estratégia para ajudar nas vendas, mas hoje não, estava realmente triste. Sentiu um pouco de alegria ao vender a ultima peça, nunca havia vendido tudo assim tão rápido, em menos de duas horas, era seu novo Record, tinha tempo para passear no parque das Mangabeiras que estava vazio, apenas algumas pessoas namorando, crianças brincando com suas mães e passeios escolares, sentiu vergonha, há seis meses abandonara a escola, sua mãe aceitou a idéia, pois assim teria mais tempo para o trabalho. Desanimou-se novamente, resolveu ir embora, saiu do parque e ao cruzar a praça do Papa foi interceptado por dois garotos mais velhos que ele, os dois aparentavam a mesma idade, uns dezoito anos mais ou menos, bem vestidos, o de boné chegou perto e pegou Dedé pelo braço, murmurando em seu ouvido:

- Perdeu... perdeu, passa a grana! A grana vai! - sacando um canivete do bolso.
Dedé sentiu a lâmina com mais de quatro dedos de comprimento em seu braço, pensou em reagir, não teve coragem:

-Só tenho vinte reais, é todo o dinheiro do meu trabalho, por favor, tenho que levar esse dinheiro pra casa, minha mãe precisa muito.

Sem dizer nada o rapaz colocou a mão no bolso de Dedé e pegou o dinheiro, deu-lhe um tapa no rosto e avisou: - “Sai andando! Não olha pra trás!”.

Dedé chorava, sentia vergonha. Pensou na mãe, no dinheiro para mistura da janta, como pode deixar aqueles safados levarem seu dinheiro, não queria voltar pra casa, sentou no meio da praça, lembrou-se do nome dado aquele lugar, "praça do Papa" sabia que a praça ganhara aquele apelido depois da visita do atual Papa, porque ele não o protegeu naquele momento, ou até mesmo Deus, porque o abandonara e deixara que levassem seu dinheiro, ainda fora humilhado por um tapa na cara, sempre ouvira seu Manuel do bar dizer que homem de verdade não leva tapa na cara, macho que é macho leva soco, porrada, mas tapa de mão aberta nunca, ele então não era homem de verdade levara um tapa de mão aberta, nunca poderia contar aquilo a ninguém.

Chegou em casa, relutou mas acabou por contar tudo o que havia passado, menos a parte do tapa, só percebeu que Raimundo estava em casa quando este saiu do quarto embriagado gritando:

- Como pode deixar uns moleques te roubar, deixa de ser veado moleque, eu aqui precisando de dinheiro e você sendo roubado por trombadinhas! Faça-me o favor eu devia te quebrar os dentes pra aprender a ser homem. - Dedé não disse nada, não queria mais chorar, tinha que provar pra todos que era um homem.

*****

Cinco anos se passaram, a vida continuava praticamente a mesma, os panos de pratos, a mãe vez ou outra apanhando, Raimundo bebendo cada dias mais, só que agora já não tinha mais tanta força, estava acabado, bebia tanto quanto fumava, e durante a noite não deixava ninguém dormir com suas seções de tosses intermináveis, também andava com certa dificuldade, os pés inchados, o cheiro de cachaça e cigarro, agora pareciam fixos em Raimundo, mesmo quando levantava da cama o cheiro parecia grudado em sua pele. Mas coisas boas haviam acontecido à vida de Dedé neste ultimo ano, agora ele fazia parte do time do bairro, disputava a liga municipal, era titular absoluto, também conseguira um emprego de lavador de carros em um posto de gasolina, trabalhava das seis da manhã as quatro da tarde, e os panos de pratos eram vendidos de porta em porta apenas aos sábados, vez ou outra conciliava seus dois trabalhos, vendia um ou outro pano de prato a clientes do posto, principalmente as mulheres que deixavam seus carros para lavar. Ganhava seu dinheiro, era pouco, mas era seu, ajudava a mãe com as despesas da casa, passou a ignorar a presença de Raimundo, vez ou outra o enfrentava de igual para igual quando este manifestava algum sinal de começar qualquer briga com sua mãe, mas agora Raimundo sempre recuava, mantinha-se calado, parecia ter medo de Dedé, isto lhe dava alguma tranqüilidade e sentia que a sua mãe também, mesmo que ela não admitisse. Agora ele já não era mais criança, era um homem de verdade, e fazia questão de dizer isso à mãe, quando ela lhe chamava a atenção por qualquer motivo, dizia isso não para retrucar a mãe, e sim para alertar Raimundo.

Finalmente chegou o dia mais esperado do ano a final do campeonato, o time de Dedé disputando o titulo da liga mineira da várzea, seria seu passaporte a um time da terceira divisão, fora informado sobre um senhor que estava de olho em seu futebol a mais de um mês, todos os dias assistia aos treinos, e hoje estaria ali no meio da multidão, jogo em casa, torcida a favor, seus sonhos de criança voltaram ao pensamento - Entrar em campo com a torcida gritando seu nome, as crianças de mão dadas, tudo agora estava realmente acontecendo, aquele campo de terra batida era seu Mineirão - todos comentavam a vantagem de ter Dedé no meio-campo.

Inicio de um jogo duro, nervos à flor da pele, primeiro tempo tenso, jogadas duras, meio-campo truncado, os goleiros se destacam na partida, e o primeiro tempo termina empatado em 0 x 0. Inicio do segundo tempo, o jogo recomeça da mesma forma, até os vinte minutos do segundo tempo nada de gols, Dedé recebe lançamento do lateral esquerdo, dribla um, dribla dois, chuta forte em direção ao gol, o goleiro pula em direção a bola, não alcança e GOOOOOOOOLLLLLL... O time da Lagoinha é campeão da liga com gol do artilheiro Dedé, ao término do jogo o tal homem procura Dedé, a noticia é a melhor que poderia receber. Estava sendo convidado a fazer um teste na peneira do América, não seria um time da terceira, mas sim da primeira divisão mineira, era bom demais pra ser verdade, a caminho de casa, os sonhos tomaram conta dos pensamentos de Dedé. Poderia se destacar no América e ser contratado por um time ainda maior, quem sabe jogar fora do país, seleção brasileira...

Ao chegar em casa Dedé encontra a mãe caída ao chão com olhos roxos e hematomas pelo corpo, Raimundo está bêbado sentado na mesa chorando, sem dizer nada Dedé abra a gaveta da pia, pega uma faca e enfia no peito de Raimundo, bem ao coração, Dedé em um ataque alucinado retira a faca e ainda por mais oito vezes repete as facadas. Raimundo cai morto ao lado da mãe desmaiada, Dedé fica em transe solta a faca no chão, não se move.

*****

Finalmente chegou o grande dia, tarde ensolarada de domingo, a torcida grita seu nome, de uma forma ainda mais emocionante para Dedé, pois sua mãe esta na torcida, após um campeonato duro, com jogos decisivos, seu time chegara a final, o jogo mais importante do campeonato. Inicio de um jogo duro, nervos à flor da pele, primeiro tempo tenso, jogadas duras, meio-campo truncado, os goleiros se destacam na partida, e o primeiro tempo termina empatado em 0 x 0. Inicio do segundo tempo, o jogo recomeça da mesma forma, até os vinte minutos do segundo tempo nada de gols, Dedé recebe lançamento do lateral esquerdo, dribla um, dribla dois, e é derrubado na área é pênalti. Dedé vai pra área, cobrança autorizada, goleiro pra um lado, bola pro outro e GOOOOOOOOLLLLLL... Do artilheiro Dedé... Fim de jogo e o time do pavilhão dois, é o campeão do torneio da penitenciaria do estado.
Marcelo Nocelli
Enviado por Marcelo Nocelli em 29/12/2005
Reeditado em 27/03/2007
Código do texto: T91946

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