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5 - IMPROVISANDO

IMPROVISANDO

ZV
«Aos que pretendem empreender essa viagem, o autor pede que levem consigo, para o caso de se perderem, três distinções básicas: ciúme é querer manter o que se tem; cobiça é querer o que não se tem; inveja é não querer que o outro tenha. E que prestem atenção: a inveja é um vírus que se caracteriza pela ausência de sintomas aparentes. O ódio espuma. A preguiça se derrama. A gula engorda. A avareza acumula. A luxúria se oferece. O orgulho brilha. Só a inveja se esconde.», Zuenir Ventura

Viajei, estou agora no outro lado das coisas onde as distinções se extinguem. Aqui cada palavra vale o mesmo que a outra ao lado, não importa se antes ou depois, se acima ou em baixo, à frente ou atrás. Vou emigrar de novo e imigrar ainda aqui, onde o plasma do dizer se... plasma.
Amo todas as distinções, as pessoas distintas, as coisas distintas, os pensamentos distintos. O grande problema são as ideias que se engendram dentro dos pensamentos como coisas e se embrulham dentro das pessoas. Eu antes de ser já o era e depois do ser, noutra era, já o sou de modo diferente. O que muda é o modo.
A meu modo sou um poeta e não vejo modos de poder ser outra coisa, ser filosofo só me diz coisas interessantes a partir da genealogia da palavra. Ser pescador igualmente me satisfaria se andasse a navegar, sentado numa pedra a torturar uma minhoca na ponta dum anzol não vejo meios.
Naveguemos palavras distintas, sem mudar o modo. Improvisemos sobre a improvisação, mais uma estranha aventura de João Sem Medo.
(1) ciúme
João viu o pé do feijoeiro que subia até às nuvens e sentiu ciúme das aves, mesmo se tinha ali um meio de subir no ar... ele sabia ser um modo de falar.
Z. disse-lhe, «ciúme é querer manter o que se tem», sentiu que não tinha nada para competir com as aves, não lhe pareceu solução trepar.
(2) cobiça
João não se livrava do feijoeiro mágico, andava à sua volta ou olhava e ele lá estava, começou a cobiçar os feijões que ele daria.
Z. também tinha resposta, «cobiça é querer o que não se tem», pareceu-lhe solução trepar mas deixou-se ficar...
(3) inveja
João via as aves a voar e começou a ficar invejoso, com o passar do tempo e a influência do feijoeiro, calculo eu.
Z. ainda e de novo, «inveja é não querer que o outro tenha», situação meio sem solução.
O que é que aconteceu ao João entregue agora às suas considerações sobre as palavras, por onde andava aos zês no mesmo Z.
Sobre o ciúme e a cobiça ficou aviado! Quanto à inveja, era sem dúvida o grande problema. Numerando as consultas a Z, a inveja aparecia de novo logo a seguir e finalmente no fim.
Acho que nesta aventura, o João Sem Medo ficou-se mesmo pela leitura, numerando as suas consultas a Z.:
«três distinções básicas: (1) ciúme é querer manter o que se tem; (2) cobiça é querer o que não se tem; (3) inveja é não querer que o outro tenha. E que prestem atenção: (4) a inveja é um vírus que se caracteriza pela ausência de sintomas aparentes. (5) O ódio espuma. (6) A preguiça se derrama. (7) A gula engorda. (8) A avareza acumula. (9) A luxúria se oferece. (10) O orgulho brilha. Só (11) a inveja se esconde.»
A conclusão do João foi haver grande necessidade de distinções para chegar a «três distinções básica», ficou com a certeza de que a coisa seria infinitamente pior se (se) procura-se uma só distinção básica.
Agora vamos acabar o nossa aventura, ad_vogando que a inveja do João pelas aves (11) deixando de estar escondida talvez tenha cura, ou então, irá o vírus (4) contaminar leitores? Escrevam a contar mesmo que não sintam sintomas a/parentes, pois não os sentirem: é o sintoma que caracteriza o vírus...

{«O leitor é convidado a continuar um texto dos cinco autores do Portal e concorre a um exemplar de um livro do autor escolhido autografado. Participe.», o convite está no Portal Literal. O mesmo que oferece aulas na Oficina Literária, como também já antes fiz questão de dar conhecimento. O endereço é: http://portalliteral.terra.com.br/}

Anúncio quando acho que devo anunciar, denuncio quando não vejo outro jeito… Estranho não ter por parte do Portal Literal uma resposta de que receberam os nossos emails, nem sequer uma “resposta automática” dizendo − que o que − enviámos vai ser lido… Os nossos..., aqui refiro-me aos meus, acho que isto vai dar + uma história.}
Francisco Coimbra
Enviado por Francisco Coimbra em 30/12/2005
Reeditado em 30/12/2005
Cˇdigo do texto: T92456
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Sobre o autor
Francisco Coimbra
Portugal
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