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A MADRASTA – CAPÍTULO III


Cristina foi se aproximando devagarinho, sentia seu coração batendo forte, parou bem próximo ao rosto de Samir, sua respiração quente era gostosa. Nunca havia beijado alguém com bigode. Tinha medo de sentir nojo, mas não foi o que aconteceu; quando suas bocas se encontraram, algo mágico nasceu, parecia que aquilo já havia acontecido antes, os lábios se encaixaram perfeitamente e os sons à volta pararam. Agora, dois corações batiam descompassados... Seria sempre assim?
Naquela noite foi difícil se despedir. Toda vez que Cristina colocava a mão na maçaneta ele a puxava de volta e a beijava de novo. Nenhum dos dois dormiu logo.
No dia seguinte ao chegar na empresa que trabalhava, Cristina foi bombardeada de perguntas como sempre, só que desta vez tinha uma resposta.
A primeira a perguntar algo foi Aninha.
- E aí? Ele passou no teste?
O “passar no teste” entre as meninas, era saber se o cara beijava bem, se de cara ia apalpar os seios, avançar o sinal...
- Adelaide foi mais comedida, apenas perguntou se tinha sido o que ela tinha esperava.
Cristina ia responder mas sua chefe chegou, as meninas teriam que esperar mais um pouquinho.
Começou a arrumar suas coisas para o novo dia de trabalho, dia que por sinal seria longo. Não parava de pensar em Samir. Não queria que ninguém na empresa soubesse por enquanto.
Ao sentar-se o seu ramal tocou, era Samir.
-Liguei para te desejar um bom dia e que você venda muito. Aproveitando, quer almoçar comigo?
Como era bom ouvir sua voz...
O segundo telefonema foi da Ade, sua amigona. Sentava-se na PA ao lado.
- Amiga, me conte tudo e não me esconda nada!

Para ela, Cristina não tinha rodeios. Contou como foi a noite e sobre o beijo, pediu segredo.
******************

Fazia dois meses que estavam namorando. Alguns desconfiavam, mas não tinham certeza.
******************
Haveria uma festa de final de ano na União Fraterna, espaço muito conhecido de bailes da 3ª idade, e todos os funcionários iriam.
Cristina e Samir decidiram ir. Ele foi buscá-la e ao chegarem, muitos colegas de trabalho estavam chegando também. Não queriam entrar juntos para não darem bandeira, mas não tiveram outro jeito.
Durante a festa mau ficaram juntos, se olhavam, piscavam um para o outro e nada mais. A vontade de tocarem era grande mas ainda não era a hora.
No final da festa, uma das colegas de trabalho falou para Cristina que estava a fim de Samir e que tentaria arrastá-lo para uma outra festa.  Cristina achou até que ela sabia sobre eles e estava jogando o verde. Ficou ouvindo a conversa mole de Roberta que se dizia apaixonada por Samir e que achava que era correspondida, só não sabia como chegar até ele. Dizia a toda hora que era o tipo de mulher que era conquistada e não o contrário.
Cristina se encheu daquela conversa e disfarçadamente pegou as chaves do carro das mãos de Samir e se despediu de todos.
Entrou no carro, deitou o banco e ficou aguardando Samir. Que droga! Era só o que faltava, uma sirigaita dando em cima de seu namorado. Ouviu passos e levantou-se um pouco, era a Dila que estava abrindo a porta de seu carro e ao virar-se viu Cristina abaixada e já perguntou: - O que você está fazendo aí?
O que Cristina mais temia estava prestes a acontecer...
Na segunda-feira, não havia um funcionário que não soubesse que Cristina e Samir estavam namorando.


CRISTIANE DONIZETE
Enviado por CRISTIANE DONIZETE em 04/02/2006
Código do texto: T107968
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Sobre a autora
CRISTIANE DONIZETE
São Paulo - São Paulo - Brasil
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CRISTIANE DONIZETE