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Ação do Espírito Santo


AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO
Meu nome é João e sou leigo missionário e fui destacado para pregar numa cidade e, aí ...
Conheci Argemiro. Ah! Que bom tê-lo conhecido!
Estava no interior do Rio de Janeiro, bem no interior mesmo. Começara a chover e a escurecer. As estradas eram de barro. Pelo jeito, não conseguiria ir muito longe. Que fazer? Não conhecia bem aquelas paragens. Por fim, dei-me conta que estava perdido.
Parei, então, o meu carro num lugar mais ou menos seguro, segundo o meu entendimento, e pus-me a olhar em torno, a explorar o local. Então, divisei ao longe, uma pequena luz. Apesar de toda a chuva que já caía, dirigi-me na direção daquela luz. Foi muita sorte! Sorte coisa nenhuma, foi Deus mesmo que lá me enviou.
Era uma choupana humilde e estacionei o carro quase junto à porta. Soltei, bati à porta algumas vezes.  Do interior da choupana ouvi um resmungo e, logo depois, a porta se abriu.
Surgiu então um caboclo de seus sessenta anos, alto, forte e bem simpático. Sorriu para mim e disse: “O que é que o senhor faz nesta chuva numa hora destas, meu amigo? Vá entrando, vá entrando.” Entrei, sem sequer pedir licença.
O interior da choupana estava bem limpo, apesar de muito pobre. Só depois destas observações, me dei conta de que ainda não me apresentara, e lhe disse: “Boa noite Senhor! o meu nome é João.” Respondeu-me: “Boa noite, apesar da chuva – meu nome é Argemiro, às suas ordens.” Ato contínuo, convidou-me  a sentar, ofereceu-me um cafezinho bem quente, que aceitei de pronto.
Passamos então, a conversar a respeito da chuva repentina, do estado das estradas, etc.
Observei, depois, que na hora em que eu chegara, Argemiro estava lendo, à luz de uma lâmpada muito fraca, a Palavra de Deus – a Bíblia. Fiquei surpreso e satisfeito. Perguntei-lhe à respeito da Bíblia, e Argemiro me surpreendeu, tremendamente, com o conhecimento que possuía à respeito da Palavra. Não nego, fiquei pasmo pela maneira como discorria sobre as passagens bíblicas, sobre os profetas, etc. E os Salmos – estes sim, eram o seu “forte”. Enfim , falava à respeito do Antigo Testamento e do Novo Testamento com uma intimidade que, Deus que me perdoe, causava inveja até. Mas, o mais interessante é que o Argemiro era homem de poucas letras, e eu me perguntava como conseguiu e conseguia tal proeza, pois onde morava e trabalhava não havia padre, nem pastor, nem leigo que o ensinasse no trato bíblico.
O Padre só ia ao vilarejo, a uma pequenina capela, no Natal e na Semana Santa. Se não chovesse.
Com cautela para não deixá-lo constrangido, busquei saber como ele, apesar de sua pouca alfabetização, conseguiu entesourar tamanho conteúdo bíblico, eivado de discernimento, sabedoria e lucidez.
Argemiro, sem se incomodar com a  minha curiosidade, sorriu-me com um sorriso de poucos dentes e disse-me: “Aqui, no interior, nós gostamos muito de contar “causos”, porque eles explicam muito bem o que a gente tem para dizer. E, por isso vou lhe contar um “causo” sr. João, para que o senhor possa me entender.”
Certa vez, um jovem a procura de trabalho, foi ter a uma fazenda e, lá chegando, buscou o capataz para oferecer-lhe os seus serviços. – O capataz encontrava-se sentado na cerca do picadeiro, que é o lugar onde se treinam os cavalos. E o rapaz assim se dirigiu ao capataz:
- Boa tarde, senhor capataz!
- Boa tarde, meu rapaz , em que te posso ajudar?
- Estou à procura de trabalho. Faço qualquer tarefa em uma fazenda.
- O capataz disse-lhe: “assim é que se fala meu rapaz. Quem quer trabalhar não enjeita serviço.” Ato contínuo, chamou Tião, peão antigo da fazenda e ordenou-lhe: “Tião vai lá no estábulo e me traga o Tempestade. Daí há pouco, voltava Tião com um cavalo – um garanhão enorme, bravo como quê, dando coice até em pensamento.”
- O jovem ao examinar o garanhão, “aquilo tudo” virou-se para o capataz e disse-lhe:  Senhor capataz, tem um pequeno problema.
- Qual é o pequeno problema, meu rapaz?
- É que eu não sei montar, disse o rapaz.
- Ah! Disse o capataz, você não sabe montar? Então o pequeno problema está resolvido, pois o Tempestade nunca foi montado, vocês dois aproveitem e aprendam juntos.
- É, seu Argemiro, o “causo” é bem interessante e até jocoso, mas o que tem a ver com o seu conhecimento bíblico?
- É simples senhor João, disse Argemiro – preste atenção:  O capataz é o Espírito Santo; eu, sou o Tempestade e a Bíblia é o rapaz. Entendeu? – A Bíblia vem me domando há muito tempo, a duras penas. Quantos tombos ela já levou por minha causa? Perdi a conta!
- Só peço ao Senhor, nosso Deus, uma coisa – que Ele me dê tempo, o bastante, para ser “domado” totalmente e, aí, quem sabe, como é do jeito Dele de mudar os nomes dos que Lhe são caros, poderá trocar o meu nome de Tempestade para  ...  Bonança.
Foi muito bom ter conhecido o Argemiro.

FARNEY MARTINS
Enviado por FARNEY MARTINS em 15/02/2006
Código do texto: T112334

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Sobre o autor
FARNEY MARTINS
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 77 anos
66 textos (7071 leituras)
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