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Ele sabia....

 Ele andava sozinho pela rua escura e deserta, pensava que era um homen inteligente, pelos menos era o que todos diziam.
 No fundo não se achava nem um pouco esperto, apesar de
saber muitas coisas.
 
Ele sabia que a vida andara muito difícil ultimamente, o salário mal dava para sobreviver, a pobreza e a miséria estavam aonde seus olhos mirassem, e mesmo assim haviam campanhas contra a fome e contra a pobreza,que obviamente era mais uma fonte para a corrupção, essa que tomara conta de todos os setores da política e da economia, da sociedade em geral.
Ele sabia que a culpa por aquela miséria devia-se em parte aos juros excessivos; que eram de quase vinte por cento ao ano.

A desigualdade social era imensa, somada a inflação que aumentava o preço de tudo, só não subia o seu salário.
 Enquanto caminhava pensou que fora justamente por culpa dos altos preços, que teve que vender seu carro. Pois paga-lo até que foi fácil. Verdadeiro desafio era custear o combustível. Pensava que talvez devesse comprar uma  bicicleta, será que evitaria assaltos? Já fora assaltado três vezes naquele mês.
 E o calor, isso era algo que o incomodava muito. Enquanto atravessava a rua tentava com as mãos ocupadas, afrouxar um pouco a gravata, que naquela hora já estava molhada de suor.
 Ele sabia que todo aquele calor, em parte, era pelo aquecimento global que modificara o clima no planeta inteiro,e sabia que em decorrência disso, várias catástrofes estavam ocorrendo em diversos pontos do planeta.
 Sabia também que, como se isso não bastasse, haviam ainda várias guerras ocorrendo  em diferentes lugares, sob os mais diferentes pretextos e motivos. Sabia que o petróleo era um impulsionador de alguns conflitos , em que grandes potências estavam sempre envolvidas, e a religião era com certeza, outro grande motivo.
 Ele sabia que mesmo morando num país pacífico, que ficava a milhares de kilometros de qualquer conflito, não podia deixar de se importar, afinal tudo que acontecia de importante no mundo, sempre tinha reflexos em outros lugares, ainda mais nos dias atuais, de globalização.
Mas ele não precisava pensar no terror que ocorria no Oriente Médio,pois ali no seu bairro, na sua cidade, também havia várias formas de terror, em diferentes níveis e intensidades. Era algo que ele sabia e podia ver nos olhos das pessoas que passavam rapidamente.
 Ele também sabia que sua chance de ser morto num assalto na sua cidade,era de 32 vezes a cada 100.000 pessoas, e que a média de vida no seu país subiria no mínimo uns cinco anos, se não fossem as mortes causadas pela violência.
Enfim, ele sabia de muitas coisas, porem sentia-se com um enorme vazio no peito. Pois algo ele não sabia: O que fazia ali naquele lugar? Naquele momento? Naquele planeta? Qual era o sentido daquilo tudo?
 Ele não sabia...
 E continuava na sua caminhada, até que por um bar ele passou, e sabia que lá não havia nenhuma resposta que ele tanto procurava, lembrou que sua mulher o esperava para o jantar.
 Mas mesmo assim resolveu parar. Pois lá podia não haver respostas, mas havia um consolo para os problemas e perguntas, que parecia afligir muitos.
Um razoável tempo depois, aquele homen saiu do bar, já não tinha tantas perguntas na cabeça, assim caminhou e pensativo atravessou a rua sem olhar, e ao virar o rosto para o lado, ele enfim viu a luz. E de repente todas as perguntas foram respondidas, não do jeito que imaginara. Queria ele ter uma nova chance de descobrir tudo de novo, vivendo e amando.
Aniano Henrique
Enviado por Aniano Henrique em 23/02/2006
Reeditado em 04/01/2013
Código do texto: T115196
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Aniano Henrique
Reino Unido, 81 anos
21 textos (457 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 15:41)
Aniano Henrique