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[AMOR TEEN] Apenas um Cinema

Contos e Desencontros
Apenas um Cinema

Por Denis Cruz (KZAR)

Oi. Me chamo Diego e trabalho numa Lan House que hoje, por sinal, está muito bem movimentada.

“bip... bip... bip...”

Leio o visor do Celular “mensagem recebida”. Quem será?

“Oi amor” começo a ler, só pode ser a Luana. “Tá passando aquele filme que eu queria assistir no Shopping. Te espero na fila às 16h. Lu, te amo”

Hmmm... mas que número louco é esse? Ah, são aquelas mensagens enviadas pela internet... Hãããã??? 16h??? Ferrou!!! A lan tá cheia e tá quase na hora... como vou me livrar desse povo? Malditos viciados em Jogos on line...

Já sei, dou duas um vale de 2horas grátis pra cada e mando eles irem embora... Não... o Marcos (dono da Lan) me mata...

- “Malditos viciados em Jogos on line !!!” hehe. Acho que falei alto demais. A lan inteira está olhando pra mim... acho que estou vermelho...

- “Bah pessoal, é brincadeirinha pra quebrar o gelo... hehehe !!!” aff. Que mico.
Vamos cabeça, funcione, funcione... preciso encontrar a Lu e essa cambada lotando a Lan.

- “Diego, Diego ? o Computador desligou sozinho? Diego, como eu religo?”
Credo que moleque chato...

- “Aperta o botão... aperta o botão.”

Aff. Eu aqui com o maior problema do mundo e o moleque me enchendo...

Vamos cabeça, funcione, funcione. Obaaaaaa, olha quem eu vejo ali fora:

- “Viniciuuuuus vem cá!!!! Socorro !!!”

- “Que foi cara?”

- “Meu amigo, você é minha salvação. Entra ai. Fica aqui. Você sabe como funcionam as
coisas na Lan. Volto em duas horas.”

- “Hã? O que? Volta de onde? Pra onde você vai? Diego? Diego? Volta aquiiiii !!!”

Ok... eu ainda posso ouvir o Vinicius gritando meu nome... mas eu não posso parar, já to quase atrasado... não posso olhar pra trás... a mochila está nas costas, a carteira com dinheiro no bolso... O Vinicius?  Ele vai entender, depois eu explico... (bah, eu ainda posso ouvir-lo gritando meu nome)...

Cheguei... ufa...  Cansei. Mas, cadê a Luana? Está quase na hora do filme. Já sei: entro na fila e compro as entradas pra gente não se atrasar.

Enquanto estou na fila, a menina da frente vira-se pra mim e diz:

- “Oi. Lembra-se de mim?”

- “Er... Bem... acho que sim.” Droga, não lembro o nome da menina.

- “Sou a Carol. Nos conhecemos um dia desses.”

- “Ah, claro, Carol. Lembro sim.”

Aff. Enquanto eu ainda falava a menina endoidou, pulou nos meus braços e grudou nos meus beiços. A louca me beijou. Ah é duro ser gostoso. Ops... tentei me esquivar empurrar e AH NÃO !!! A LUANA TÁ VENDO TUDO !!!

- “Malditos viciados em Jogos on line.” (eu sei que não tem nada a ver, mas foi a única coisa que consegui dizer)

Empurrei a tal Carol e vi a Luana saindo correndo pelo shopping. Claro, também saí correndo atrás dela.

Atropelei alguns na fila. Pulei a divisória. Aff !!! Enrosquei a mochila. Solta!!! Enquanto eu brigava com a mochila enroscada, a Luana desceu pela escada rolante.

- “Malditos viciados em Jogos on line " (essa droga pega)

Finalmente consegui desenroscar a mochila. Sai correndo e desci numa velocidade incrível aquela escada. Alcancei a Luana no pátio central do Shopping, onde um chafariz jogava água até o segundo andar.

Eu a segurei pelo braço e ficamos face a face.

- “Lu, espere.”

- “Me solta. Cachorro.”

Droga, ela estava chorando. Odeio quando elas fazem isso.

- “Lu, deixa eu tentar explicar.”

- “Cachorro !”

- “Lu, eu estava esperando você chegar. Eu recebi sua mensagem e vim correndo pra cá.
Entrei na fila pra comprar a entrada e aquela maluca pulou em cima de mim.!”

- “Cachorro. Foi você quem me chamou pra vir aqui. Você tava beijando ela. Eu vi. Cachorro.”

- “Lu, espere, você quem me chamou, recebi sua mensagem no celular.”

- “Não mude de assunto. Até nisso você distorce os fatos. Cachorro.”

Dizendo isso ela pegou o celular e me mostrou uma mensagem com o seguinte texto: “Oi amor. Tá passando aquele filme que eu queria assistir no Shopping. Te espero na fila às 16h10min. Diego. Te amo”

- “Caramba, eu recebi uma mensagem idêntica. Olha!” Mostrei pra ela a mensagem e reparamos que as duas haviam sido enviadas pela internet.

- “Luana, isso só pode ter sido uma coisa: armação. Alguém queria nos separar. Mas ta resolvido agora. Descobrimos tudo.”

- “Resolvido seu cachorro? Eu vi você grudado na boca daquela vadia. Isso é estar resolvido?”

- “Luana, eu realmente tentei me livrar, mas foi muito rápido, acho que ela esperou você aparecer para, só então, me agarrar. Foi isso. Eu fiquei surpreso demais, não tive como reagir.”

- “Cachorro.”

Ela disse isso e virou para ir embora. As lágrimas corriam-lhe no rosto e eu sentia aquele nó na garganta (afinal, homem não chora. Não nessas horas). Se eu conseguisse falar alguma coisa, seria minha última chance:

- “Luana.” Ela parou “Eu te amo.” Ela voltou o olhar pra mim. “E nada nesse mundo vai mudar isso. Nem o tempo, nem o céu, nem as mais profundas trevas ou o maior raiar de luz. Nada vai mudar o que sinto por você. Hoje, agora, neste exato momento, eu estou te amando. E o único desejo que eu sinto agora é que este sentimento seja eterno enquanto dure. E meu único medo é que você dê mais um passo e eu não possa mais te alcançar. Antes que você vá, apenas ouça: Eu te amo.”

Ouvindo isso ela se jogou em meus braços. Sob a luz do shopping e quase sendo molhados pelo chafariz nos beijamos e fomos felizes... naquele momento, fomos felizes...
Kzar
Enviado por Kzar em 24/03/2006
Reeditado em 17/07/2007
Código do texto: T127892

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite autor: Denis Clebson da Cruz (KZAR) e link da obra). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
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Sobre o autor
Kzar
Mundo Novo - Mato Grosso do Sul - Brasil, 39 anos
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Kzar