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NÃO FOI UM DOMINGO QUALQUER...


Iam cumprir a rotina. Café da manhã, como sempre, tomado na padaria. Pãozinho quentinho e crocante, pouca manteiga e sem miolo, café com leite e muita espuma, perfeita combinação de aromas e sabores.

Sua amiguinha não podia entrar, ficou do lado de fora, esperando talvez ganhasse um pedacinho de pão de queijo. Tatá é o seu nome, cachorrinha vira-lata que apareceu e em troca de comida e carinho foi ficando até se tornarem amigas. Táta é toda pretinha, mas tem as quatro patinhas e a ponta do rabinho branquinha é como se usasse tênis, muito meiga e carinhosa.

As duas brincariam por ali e depois voltariam para casa.

Uau! Mas Bete recebeu um convite e teria que ser para as duas: - Vamos ao sítio? Nada mal para um dia nublado.

Aceito o convite as duas embarcaram num Gurgel, carro de coleção, segundo o dono, e foram. Tatá? Desconfiada. Minha amiga Bete? Curiosa...
Bete, muito observadora, curte o percurso, desfruta o destino. Sabe apreciar... Quantos tons de verde na mata! Flores, quaresmeiras, três marias, ipês e o tom vermelho forte das flores de uma Paineira?... Nunca tinha visto tão belas! Quando criança Bete tinha o costume de contar quantas casinhas de João de Barro haviam... Continua a mesma...
Vento no rosto, nem bronquite teve.

Tatá ousou e subiu no colo da dona, pelo abano do seu rabo era pura felicidade. A conversa ia solta misturando lembranças, observações... A cada curva uma surpresa até esquilo cruzou o caminho.

Chegaram ao sítio, beleza nata, sem rebuços. Minas d’água, palmiteiros, pés de pitanga, gariroba, araçá, amoras silvestres. Tatá estranhou a égua, quis enfrentá-la, mas deixou pra lá. Correu enlouquecida mata adentro. Bete e seu amigo a acompanhavam mais lentamente... Observando a floresta encantada e que delícia a sensação da água da mina geladinha nos pés! O cheiro da terra úmida coberta por grossas camadas de folhas que ali caem dia e noite, anos a fio, o perfume das flores, o canto dos pássaros... Bete pensava só pode ser encantada...

Quebrando um pouco o encantamento daquilo tudo, o carro atolou. Bete subiu com a Tatá e a égua enquanto seu amigo lutou bravamente com sua máquina. Homem, máquina e natureza travaram uma luta desleal. Bete ficou de longe assistindo... o vigor do homem, a crueldade da natureza que não o ajudava e a teimosia da máquina, no total ficaram brigando assim por uma hora. Bete queria ajudar, mas como? Pensou: - Tenho uma legião de amigos ao meu redor, juntos faremos à diferença. Convocados todos, desceram até o carro e Bete falou com seu amigo (para disfarçar, pois como é meio bruxa não quis demonstrar sua ação) amarrou mentalmente uma corda no carro e comandou que todos juntos a ajudassem a puxar e foi subindo... logo seu guardião pediu que se afastasse do caminho para dar passagem ao carro... E não é que deu certo? Alcançando o portão do sítio o amigo falou: - Conversei sério com o carro e ele me ouviu.

Dali saíram sujos, suados, mas felizes e encantados, definitivamente não foi um domingo qualquer...
Beatriz Knorr
Enviado por Beatriz Knorr em 27/03/2006
Código do texto: T129193
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Sobre a autora
Beatriz Knorr
Cotia - São Paulo - Brasil, 61 anos
43 textos (4475 leituras)
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