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SINAIS DE FUMO II (São quatro da tarde dum mês de Dezembro frio irlandês)

“No teu olhar via paixões contidas, mas também via ódios à beira de um abismo, nos teus olhos via sinais de fumo”

SINAIS DE FUMO II

São quatro da tarde dum mês de Dezembro frio irlandês, numa rua em que os garotos jogam descuidadamente à bola entre os carros que passam, enquanto as pessoas se acotovelam entre as diferentes montras, na pressa típica do natal, ao mesmo tempo em que os comerciantes com sorrisos que querem cativantes tentam seduzir essas gentes anónimas. Pouco discretamente está parado um Jeep camuflado, ao lado do qual alguns soldados fumam despreocupadamente, enquanto outros olham em redor, tentando ver qualquer sinal de perigo que justifique a sua patrulha por aqueles lados. Numa casa semi-abandonada alguns jovens de barrete observam atentamente os militares, medindo cada gesto, cada suspiro dos homens de verde, enquanto olham demasiadas vezes para os seus relógios. Um carro trava bruscamente, tentando evitar uma criança que fugira da mãe e procurara a fuga na estrada; como derradeiro recurso, o condutor desvia-se e vai embater contra outra viatura, estacionada mais á frente. Os soldados sobressaltam-se e olham para o acidente, ao qual já chegou um diligente polícia que, calmamente põe os litigantes em acordo. Os soldados voltam aos cigarros, enquanto os jovens observadores se inquietam, especialmente depois de olharem mais uma vez para os relógios. Finalmente um deles acena com a cabeça, e a este gesto os outros puxam os barretes para baixo, tapando o rosto, enquanto tiram dum alçapão algumas armas automáticas. De seguida, num movimento único, saem para a rua e começam a alvejar os soldados, apenas a meia-dúzia de metros à sua frente, fazendo cair dois, e fazendo os outros reagir, disparando por seu turno. As balas chovem por todo o lado, e a vida foge a um dos jovens, transportado pelos outros na fuga precipitada, que os levou aos quintais vizinhos e à liberdade. A criança fugitiva está no chão, banhada em sangue, sorte que tocou a um dos garotos da bola e a uma outra pessoa.
São quatro da tarde dum mês de Dezembro frio irlandês.

Conto protegido pelos Direitos do Autor
Miguel Patrício Gomes
Enviado por Miguel Patrício Gomes em 10/04/2006
Reeditado em 10/04/2006
Código do texto: T136685
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Miguel Patrício Gomes
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Miguel Patrício Gomes