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Don Caramujo - parte 06 de 10


Fui morar na capital. Durante uns dois anos não falei com ninguém da minha família. Eles que pensassem de mim o que quisessem. Estava cansado de viver por eles, e para eles. Tinha que ter minha própria vida. E estava na hora de começar.

Na capital consegui um quarto em uma pensão. Não era um quarto exclusivo. Dividia com outros três rapazes. Todos eram estudantes, portanto não ficavam muito tempo dentro do quarto durante o dia. Á noite, extenuados entravam no quarto somente para dormir. Eu corria a cidade em busca de emprego e também chegava cansado, mal jantava já estava dormindo.

Comecei a trabalhar em uma loja de consórcio de automóveis. O gerente havia me chamado para uma vaga de auxiliar de escritório mas como vira que eu me comunicava bem e era extrovertido me deu a vaga na área de vendas. A comissão era boa e  poderia alugar um quarto sozinho, sem precisar dividir com mais ninguém. Comecei a fazer planos.

Mas,  notei que não dava para o negócio. Tudo bem eu comunicar e expressar-me sem dificuldades, no entanto não conseguia influenciar os clientes. A lábia, coisa imprescindível em um vendedor, essa eu não tinha. Talvez por que nunca me identificara com o ramo, ainda mais de automóveis, que apesar de ter trabalhado quase dois anos em oficina, não conhecia os modelos direito e sequer sabia dirigir.

 Fiquei somente uma semana naquele serviço, logo arrumei outro em uma loja de eletrodomésticos. Fazia a parte da cobrança no setor do crediário. Dedicando todo meu tempo ao serviço, sem outro desejo que não o de ter o serviço satisfazendo o que exigiam de mim, comecei a ser admirado pelos que comigo trabalhavam.  Logo comecei a estudar novamente, fazendo um curso de introdução a informática.
Na loja de eletrodomésticos tudo corria bem.

Mas como homem que não consegue viver sem mulher, coisas da natureza humana, acho, logo me vi envolvido pelas belas pernas de uma mulher um pouco mais velha que trabalhava nessa loja.  Aonde eu disse pouco leia-se uns dez anos. Era de uma beleza impar para uma mulher de sua idade. Parecia mesmo ter dez anos a menos. Nós conversávamos bastante e aos poucos a coisa foi acontecendo normalmente. Havia somente eu e o gerente de cobrança naquele setor, de homens. Éramos em sete pessoas. Cinco mulheres.

E como toda empresa do comércio, quando chegou o fim do ano, a loja fez uma festa de confraternização. Amigo secreto, essas coisas. Janete me deu uma cueca com abertura na frente. Todos deram risada. Eu, tímido ainda, acho que fiquei ruborizado. Naquela mesma festa, mais tarde, ela me mostrou como usar aquela abertura. Foram momentos de altos graus de erotização junto a ela. Era alta, perto de 1,80, cabelos curtos, bem curtos, parecia cabelo de homem até. Pele bronzeada, magra, e de sorriso manso e sensual. Então de repente a coisa esfriou, nem sei direito porquê. Talvez ela tenha me conhecido um pouco melhor e soube o quão inseguro  e imaturo eu era, através da leitura das coisas que eu escrevia e que um dia resolvi mostrar para ela. Sei lá. O certo é que aos poucos eu senti que ela já não me procurava como fazia anteriormente.



Então, um dia, eu estava no balcão atendendo normalmente os fregueses. Apareceu uma moça do passado. Meu Deus! Não podia ser verdade! Mas era.

 Já fazia um ano que eu morava na capital. Jamais esperava encontrá-la ali.


Era a moça loira do interior que os pais proibiram de me ver.
Conversamos um pouco. Então pedi ao gerente se podia sair por uns minutos. Ele concedeu um tempo para mim. Viu minha alegria ao rever aquela pessoa.

Sentei-me com ela, que agora parecia ter adquirido corpo de mulher. Sentamo-nos na seção de colchões e fiquei sabendo que estava namorando um jovem que estava se formando em medicina e que estava passando uns dias na capital participando de um congresso. Era outra facada que eu levava. Em um ano ela mudara tanto.

Então me deu o endereço onde iria ficar. Disse que estava sozinha e não tinha com quem conversar durante o dia, pois só conhecia o namorado e este estava fora  o dia todo. Combinei então de ir almoçar com ela, já que o endereço não era muito distante da loja.

Bom, a partir daquele dia eu comecei a ir almoçar todos os dias com a princesa loira. Ela já descobria os prazeres do sexo, e como descobrira. Eu me sentia até inferiorizado devido aos malabarismos que ela fazia.  Comigo, antes, ela sequer tocava no assunto. Talvez o médico soubera como iniciá-la.

Sinceramente, ele tivera mais sucesso do que eu.

Isso durou quase um mês. Ela disse que estava me pagando o atrasado do nosso tempo de namoro. Algumas vezes eu chegava atrasado no serviço na volta do almoço. O que o pessoal começou a estranhar. Afinal em quase um ano ali dentro, eu jamais havia feito aquilo, e agora era direto, quase todo dia.

Nessa época eu estava arrumando uma casa para alugar, junto com um amigo que conhecera na cidade.
Então uma noite de Sábado a loira apareceu na nova casa que eu acabara de alugar. Perguntei do seu namorado e me disse que ele havia viajado e que na Segunda feira ela iria embora, de volta para seus estudos.
Meu amigo havia saído com sua namorada e tínhamos a casa toda para nós.

Alucinadamente passamos aquelas horas entretidos em jogos de amor e erotismo sem limites. No final, antes dela partir, me confidenciou que jamais me esqueceria entretanto nunca mais nos encontraríamos, visto que havia marcado o noivado.
 
Ivair Antonio Gomes
Enviado por Ivair Antonio Gomes em 12/04/2006
Código do texto: T137729

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Sobre o autor
Ivair Antonio Gomes
Palhoça - Santa Catarina - Brasil, 47 anos
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Ivair Antonio Gomes