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Contos Uivantes 8

Pés roçando as marolas que lhes sorriem, mãos quentes abraçando a vida, sol delicado outonal relaxando tensões, meu sorriso interior querendo esticar os lábios, sozinha conversando co’meus botões... eis que subitamente,um “ola, como está? Melhorou? Olhei alguém que não conheço, nada entendi, arguí que devia ter se enganado de pessoa. Mas o homem, sério, confirmou ter sido meu aluno há dez anos atrás em referida escola (onde realmente eu lecionei por dois anos) e ter me visitado enferma do acidente de moto, há dois anos, quando acompanhava sua irmã doente no mesmo hospital onde me encontrava, por coincidência na mesma ala. Não me lembrava dele no meio de tantos alunos, tanto tempo decorrido, tão pouco de sua visita atenciosa, mas agradeci emocionada e o abracei depois de lher perguntar o nome. (nem assim lembrei de nada).
Lá fui parar, graças à fechada no trânsito por um moto-boy (também não lembro, sei de ouvirem falar), que culminou em fratura craniana gravíssima, quinze dias de UTI já desenganada de vida, pelos médicos.  A princípio, duas tomografias ao dia, depois uma, pelo tempo de quatro meses no hospital, familiares conscientes do meu estado alarmante negavam minha  despedida, preferindo esperar o milagre. Inconsciente não poderia orar, não é mesmo?, dirão e com razão, mas as malhas da memória guardam infinitamente arquivo passado, de fé, garra e amor ao Senhor, tal como plantinhas semeadas a espera da estação própria para germinarem,que germinam ao Seu comando.
Foi quando decorridos quatro meses, numa troca de médico, ganhei alta.
Foi engraçado: o jovem médico me fez perguntas, pediu tarefas como esquerda volver! Fazero quatro! Contar até dez!,  para finalmente chamar minha filha em particular, na época com 23 anos, para checar meus dados, pois suspeitava que se tratava de radiografias trocadas por outro paciente, dado meu estado atual tão incompatível à tragédia vista nos relatório sem seu poder.Isto dirimido, perguntou-me o que mais queria naquele instante. Disse que ir embora dali imediatamente.Então ordenou-me: Faça a mala e boa viagem!
Só não pulei de alegria devido às dores de cabeça quando me movia, confinada a tomar remédios sem os perder de vista, sem garantia de restabelecimento total, acompanhamento para verificação mensal... etc. Cuidados e mais cuidados me seguiram rumo ao lar.
Mas Deus operou o milagre do meu renascimento. Nova em folha, saúde e memória perfeita, apenas uma seqüela mínima face ao ocorrido:falta de olfato, que até os dias de hoje me persegue.  Paulatinamente, os aromas começam a dar algum sinal de vida e muito breve espero sentir o cheiro das alvoradas, que tanto gosto de sonhar em meus poemas.
A moto antiga doei junto com a vida velha, trocada pela de agora, mais iluminada, agradecida, valorada e consciente. Picuinhas  não me cabem mais no tempo, quero aproveitar cada segundo, eis que a vida inteira que tiver não será o suficiente para dar graças ao meu bom Deus.
Meus pés felizes, agora dançam entre as maroras e espumas de prata, devorando a vida que é e será minha eternamente!
Atenção:
- Qualquer semelhança com algum caso verídico não será coincidência. Abordei aqui parte especial e real da minha própria vida, em primeiro lugar porque me faz um bem incrível lembrar coisas maravilhosas como esta, em segundo porque gostaria de incitar a fé incondicional em quem me ler, afirmando que certamente toda reforma sempre vem para nosso melhor.

Santos-SP-12/04/2006
Inês Marucci
Enviado por Inês Marucci em 12/04/2006
Código do texto: T137858
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Sobre a autora
Inês Marucci
Santos - São Paulo - Brasil, 54 anos
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Inês Marucci