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A Funerária Vai à Rua das Camélias


         A funerária Vai à Rua das Camélias


Dona Cláudia reuniu as amigas na 5ª feira para um chá. Todas chegaram mais cedo  porque estavam curiosas com a história que a anfitriã prometeu contar. E ela deu início ao assunto, logo após todas chegarem:

- Pois ontem eu vi uma coisa muito louca, aqui no prédio em frente.

- D Claudia, conte logo. Estamos mortas de curiosidade, atalhou d. Amélia.

- Bem, o caso se passou no apartamento do seu Joca que vive com as filhas separadas e os netos. De manhãzinha, encostou um carro da funerária na calçada em frente ao prédio. Eu vi então a Alice, a filha mais velha, numa janela olhando para baixo. Quando viu o carro,  foi ao quarto do velho que fica ao lado.

Ao mesmo tempo, lá embaixo o motorista uniformizado falava com o porteiro, depois subiu, aparecendo na sala do apartamento do seu Joca. Pude entender que  começou uma discussão com a moça e daqui eu podia apenas adivinhar o motivo da tal discussão. O rapaz brandia o papel no nariz da Alice, mostrando decerto o número do telefone, pois eles devem conferir pelo bina, antes de mandar um carro devido aos trotes.

- Sim, mas conte logo o que aconteceu!

- Ela então levou o rapaz para o quarto do o seu Joca, que parecia furioso. Falava tão alto que deu para ouvir dizer que iria chamar o advogado! E enquanto isto a Alice ria, pode isto?  Se não tivesse visto com meus olhos, eu não estaria aqui falando p´ra vocês! Mas não interrompam  que o melhor está por vir! E acrescentou:

- Eles voltaram à sala e ela lhe mostrou uns papéis e remédios, sempre apontando para a cabeça. Ele não se conformava e vi que olhou embaixo do telefone, decerto para conferir o número. Depois se sentou para esperar.

- Ora, esperar o que? Dona Marocas conseguiu interromper d. Cláudia, o que já vinha tentando havia alguns minutos.

- A coisa não é tão simples. A ida de uma funerária é fiscalizada, que eu sei,  e antes de  comparecerem  é sempre emitido um boletim e a segunda via deve ser encaminhada à Central de Polícia. Até achei que iriam revistar o apartamento! Conversar com quem fez a denúncia, isto só para começar.


-Sim, tudo bem, mas como terminou?

- Aí, gurias, havia outras pessoas do prédio e transeuntes, a esta altura havia juntado um montão de gente, querendo saber o desfecho. Vi que o rapaz pegou alguma coisa que a Alice lhe deu, devia ser um cheque e ele assinou um papel. Só então se retirou.

E lá embaixo parou para falar com todo mundo, gritando tão alto que eu pude ouvir aqui de cima:

- O que estão olhando? Ele negou tudo e ameaçou nos processar!  Não façam esta cara, porque ficar caduco é o destino de  muita   gente boa! E não  pensem que  estão a  salvo  disto!  Felizmente a  família vai pagar as despesas. Tenham um bom dia e se precisarem de nossos serviços... aqui está nosso cartão. Serviço de primeira, e satisfação garantida até para o defunto!    



Marluiza
Enviado por Marluiza em 01/05/2006
Código do texto: T148347
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Sobre a autora
Marluiza
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 72 anos
45 textos (1651 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 17:52)